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Cebolas: Qual o formato preferido pelos consumidores?

Autores

Carlos Henrique Gonçalves Santana Graduando em Agronomia – Faculdade de Ensino Superior e Formação Integral (FAEF, Garça – SP)chgs15.ch@gmail.com

Marcelo de Souza Silva Engenheiro agrônomo, doutor em Horticultura – FCA/UNESP e professor – FAEF – Garça (SP) –mrcsouza18@gmail.com

Cebola – Fotos: Shutterstock

No País são cultivadas em torno de 50 variedades de cebola, sendo elas de coloração amarela, roxa, branca, pérola e chalotas. As cultivares disponíveis no Brasil visam atender as exigências do consumidor brasileiro, que prefere bulbos de tamanho médio (50 – 90 mm de diâmetro), de formato globular, com catáfilos (escamas) externos de cor amarela e internos de cor branca e sabor pungente.

Nas áreas de produção deve-se buscar também pela diversificação de tipos varietais (tipos mais e menos pungentes), produtos diferenciados (produção em sistemas orgânicos e agroecológicos), disposição dos produtos classificados e com melhor conservação pós-colheita.

De maneira geral, os consumidores brasileiros preferem cebolas com bulbos globulares, com casca de coloração avermelhada semelhante à cor do pinhão. Visando atender estas exigências, deve-se optar por cultivares de polinização aberta ou híbridas que proporcionem uma colheita uniforme, exatamente dentro da época programada.

Adicionalmente, estas cultivares ou híbridos devem exibir padrão comercial similar ao do produto importado, especialmente quanto à uniformidade no tamanho do bulbo, cor, retenção de escamas e sabor.

Tecnologias

É possível notar uma busca acelerada por tecnologias para produção de cultivares de cebola menos pungentes (tipos doces ou suaves), mais adequadas para consumo fresco em saladas e tipos mais apropriados à industrialização (flocos e pó).

Diante destas exigências, as instituições de pesquisa públicas e privadas vêm ajustando suas atividades para atender às demandas dos produtores e dos consumidores, procurando desenvolver cultivares com as características que atendam às tendências atuais do mercado.

Recomendações

Para plantio, deve-se buscar por materiais de elevado potencial produtivo e que ao mesmo tempo sejam resistentes a pragas e doenças e que possuam ainda formato, coloração de bulbo e qualidade de casca desejáveis, visando atender as necessidades dos produtores e do mercado consumidor.

Embora os novos híbridos possam ser cultivados o ano inteiro, em virtude das exigências da cultura quanto ao fotoperíodo e temperatura, algumas cultivares regionais ainda são diferenciadas.

Além da busca por materiais mais adaptados às diferentes condições de cultivo encontradas no Brasil, o aprimoramento de técnicas no cultivo de cebola tem encontrado aqui um vasto campo de aplicação, graças aos novos materiais genéticos disponibilizados para plantio e aos avanços da combinação de práticas mais modernas no sistema de plantio, como a semeadura direta, além do uso mais racional dos insumos, resultando na redução de custos de produção.

Manejo do plantio à colheita

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Vários aspectos devem ser considerados para o manejo correto da cultura da cebola, como a escolha da cultivar adequada para o plantio, que depende das condições climáticas do local de plantio.

As condições climáticas do local de cultivo consistem em importante fator na produção de cebola, pois a formação dos bulbos da planta depende da disponibilidade do número de horas de luz diária e da temperatura local, que também exerce influência na emergência das plântulas até o crescimento completo das folhas.

De modo geral, a bulbificação ocorre apenas em dias com duração acima de dez horas de luz.

Próximo passo

Após a escolha correta da cultivar, há necessidade dos cuidados básicos, como preparo do solo e correção da sua fertilidade, conforme exigência da cultura e produtividade esperada. Para instalação da lavoura no campo, podem ser empregados três métodos de plantio, como a semeadura direta, que é realizado em etapa única, distribuindo as sementes no local definitivo de cultivo.

Outro método é o transplante de mudas, em que primeiro realiza-se o semeio da cebola em canteiros ou recipientes próprios para produção, como bandejas. Em seguida, quando as mudas estiverem com duas a três folhas, leve-as para o local de cultivo. E, por fim, o plantio por bulbilhos, que se inicia pela semeadura densa em condições de fotoperíodo e temperatura crescentes.

Após colher os bulbilhos, é preciso aguardar a quebra da dormência deles, o que demora cerca de 30 dias, para depois transferi-los para o local definitivo. Vale destacar que este último método, além de mais trabalhoso, necessita de mais tempo e investimentos.

Espaçamento

Outro aspecto relevante a ser considerado é o espaçamento entre plantas, que deverá ser escolhido levando-se em consideração as recomendações técnicas para a cultivar e as condições locais. Em regiões ou épocas do ano sujeitas à alta umidade, adote espaçamentos mais amplos entre as plantas, ao passo que, em locais ou épocas de baixa umidade, os menores são mais adequados. Populações em torno de 500 mil plantas por hectare resultam, no geral, em bons rendimentos e bulbos de boa qualidade.

Manejo fitossanitário

De modo geral, o manejo fitossanitário da cebola é relativamente fácil, pois muitas pragas são de ocorrência esporádica e regional. Se não controlado, no entanto, o tripes podem causar danos severos à cultura.

Colheita e beneficiamento

O processo de colheita da cebola ocorre quando esta se encontra amolecida na região do pseudocaule, também conhecido como pescoço, e houver o tombamento da parte aérea da planta sobre o solo, processo chamado estalo.

A colheita é indicada, no entanto, assim que de 40 a 70% das folhas tornarem-se amarelecidas ou secas. A produtividade é maior quando as plantas são colhidas com as folhas totalmente secas, porém, as cebolas têm um prazo de prateleira menor.

Após a colheita, é realizado o processo de cura, que consiste em deixar os bulbos nos próprios canteiros expostos ao sol, fazendo com que seja removido o excesso de umidade das camadas mais externas do bulbo da cebola e das raízes antes do armazenamento.

O processo de cura faz com que haja um maior tempo de armazenamento dos bulbos. Após esse processo é feito o beneficiamento e embalagem.

Erros

Os erros mais frequentes referem-se à escolha da cultivar errada para plantio, sem levar em consideração sua adaptação às condições climáticas da região de produção. Deste modo, pode acarretar desenvolvimento precoce do bulbo, caracterizados como “charutos”, que apresentam baixo valor comercial.

O manejo inadequado da cultura também pode influenciar significativamente na produção e qualidade dos bulbos, como o manejo de irrigação inadequado, descuidos com manejo fitossanitário, escolha de cultivares e sementes de baixa qualidade.

Agregando valor

A escolha da cultivar adequada para o cultivo da cebola é um fator determinante para o sucesso da lavoura, garantindo a produção de bulbos uniformes e com boa classificação comercial.

O uso de irrigação para suprir a demanda hídrica das plantas em possíveis veranicos durante o ciclo da cultura, sobretudo na fase de desenvolvimento do bulbo, pode contribuir com a produção de bulbos de melhor qualidade.

De maneira geral, o avanço da tecnologia, o aumento da competitividade e a busca por adquirir produtos de melhor qualidade, exigem do produtor o desenvolvimento de melhores técnicas, tanto na área de produção como de gerenciamento financeiro de sua propriedade para assegurar o sucesso do agronegócio da cebola.

Custo

A composição dos custos de produção da cebola é dificultada pela grande variação entre as regiões e propriedades, com diferentes sistemas de cultivo, nível tecnológico e produtividade. 

A gestão da produção, com acompanhamento dos custos que mais pesam no bolso do produtor e a identificação dos gastos que poderiam ser evitados, é uma ferramenta indispensável para sobreviver na atividade. Como o produtor não tem o poder de controlar o escoamento das produções regionais, que em excesso influenciam negativamente o preço, cabe a ele administrar seus custos e agregar valor ao produto.

Nas principais regiões produtoras, a mecanização tem sido a saída encontrada para redução dos custos com mão de obra, que pode chegar a representar 28,7% para uma produção de média de 35 toneladas por hectare.

De maneira geral, avaliando-se níveis de produtividade de 25 a 35 toneladas por hectare, projeta-se um custo médio total por área de R$ 7 mil a R$ 9 mil por hectare, mas esse valor pode aumentar consideravelmente, principalmente considerando-se o alto valor do dólar, que impacta diretamente na atividade.

Investimento x retorno

Como ferramenta de planejamento e controle financeiro, servindo como apoio à tomada de decisão, a análise custo-benefício revela que ao se aumentar a população de plantas por hectare, os ganhos obtidos em produtividade compensam os maiores custos de produção com mão de obra, mesmo com a produção de mais bulbos classe 2.

Além do aumento da densidade de plantio, o aumento de produtividade vem sendo atingido também graças ao uso de variedades adaptadas e da irrigação. Propriedades que investiram em tecnologia, nas últimas safras, têm obtido produtividades superiores a 60 toneladas por hectare.

Em geral, o preço médio de comercialização no mercado interno varia entre R$ 2,00 e R$ 2,50/kg da cebola.

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