Cenário de plantas daninhas

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Décio KaramMembro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Ph.D e pesquisador de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Milho e Sorgo

Alexandre Ferreira da SilvaDoutor em Fitotecnia e pesquisador de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Milho e Sorgo

Soja com infestação de milheto – Crédito Luize Hess

O cultivo de milho no Centro-Oeste do Brasil ocorre, predominante, após o cultivo da soja precoce, no período da safrinha. Dentre os fatores que limitam a produtividade, um dos principais problemas enfrentados pelo agricultor é a presença de plantas daninhas que, se não controladas, podem ocasionar perdas acima de 80%.

São diversas plantas daninhas presentes na cultura do milho, como: corda-de-viola (Ipomoeas spp.), apaga-fogo (Alternanthera tenella), e capim-colchão (Digitaria horizontalis). Além destas espécies, tem crescido de importância o sorgo-selvagem (Sorghum arundinaceum), a vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata), e o caruru (Amaranthus hibridus). Tanto a vassourinha quanto o caruru tornam-se importantes, principalmente, pela agressividade e dificuldade de controle.

Importância econômica

Devido ao contínuo uso do mesmo mecanismo de ação, o número de plantas daninhas resistentes a herbicidas tem aumentado no mundo e no Brasil. A nível mundial já são conhecidas 262 espécies, infestando 93 culturas em 70 países. No Brasil são 29.

A introdução de cultivares de soja, milho e algodão tolerantes a glyphosate tem contribuído para o aumento no número de espécies resistentes a este herbicida. No Brasil, a tolerância do milho ao herbicida está em 73% no verão e 66% na segunda safra. Em soja, acima de 90%.

A primeira planta daninha resistente ao glyphosate no Brasil, em milho, foi descrita em 2005, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. A partir de então mais cinco espécies, inclusive com resistências múltiplas, já foram adicionadas. 

O Centro-Oeste brasileiro se destaca como a principal região produtora de milho no País, sendo realizada majoritariamente durante a safrinha. Este fato indica que o manejo de plantas daninhas na cultura é realizado, em maior escala, em locais com regimes hídricos mais restritos e temperaturas mais altas.

Estas condições diferem das condições do plantio de verão, quando a precipitação e temperatura são mais elevadas e o ambiente mais úmido. Desta forma, a presença de plantas daninhas no inverno seco tende a ser menor e apresentar menor diversidade do que no verão. A cultura do milho segunda safra no Centro-Oeste é iniciada no final do verão e se estende para o inverno.

Condições para as daninhas

A baixa precipitação associada a altas temperaturas pode ser um aliado na redução de infestação de plantas daninhas. O controle químico é o método mais utilizado pelos agricultores. Porém, muitas vezes a aplicação é realizada em condições não favoráveis.

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