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quinta-feira, julho 7, 2022
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Chá de macela controla traça-das-crucíferas

Jorge Barcelos Oliveira

Supervisor do LabHidro ” Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

j.barcelos@ufsc.br

 

Crédito Vacaria News
Crédito Vacaria News

A maioria dos hidroponistas brasileiros cultiva folhosas como alface e rúcula. A rúcula hidropônica caiu nas graças do consumidor, pois é uma planta nobre, combinando uma mistura de sabores e aroma: picância, amargo, doçura, aromática, etc.

Mas, por outro lado, é uma planta sensível, muito visada por insetos, ácaros e patógenos. Com relação aos insetos, a pior praga, que faz um grande estrago nas folhas, é a Plutella (Plutellaxyslotella), também conhecida como traça-das-crucíferas.

Como o próprio nome indica, este inseto ataca todas as crucíferas, ou melhor, as brássicas (as crucíferas agora passaram a ser denominadas de brássicas): rúcula, couve, couve-flor, couve-de-bruxelas, brócolis, repolho e outras.

Danos causados pela traça-das-crucíferas

O sintoma apresentado pela traça-das-crucíferas é o aparecimento de perfurações nas folhas. São buracos quase arredondados, muito fáceis de identificar, assemelhando-se a um tiro com arma tipo “espalha chumbo“.

Um dos problemas desta praga é que o produtor não percebe facilmente quando há um ataque. Quando ele se dá conta, as folhas já estão relativamente danificadas.Tudo acontece porque a fase adulta desta traça é uma mariposa, portanto, tem hábitos noturnos. Se fosse borboleta teria hábitos diurnos, e então o produtor teria facilidade de perceber sua presença. Além disso, ela é pequena e muito afinada, de coloração acinzentada e com voos rasos. Ou seja, só discrição.

A mariposa coloca ovos praticamente imperceptíveis na parte inferior da folha. Para piorar, a lagarta oriunda dos ovos é verde como a folha. Não bastasse isso, tal lagarta permanece muito discreta, porém ativa, na parte inferior da folha. Ela vai comendo de modo que surgem as famosas aberturas no meio das folhas, inviabilizando para o comércio.

Outro problema: o produtor sem experiência não consegue descobri-la, pois ao examinar a planta, a lagarta se atira imediatamente, ficando discretamente dependurada por uma “baba“, tipo teia de aranha.

Traça-das-crucíferas em folhas de rúcula - Crédito Jorge Barcelos
Traça-das-crucíferas em folhas de rúcula – Crédito Jorge Barcelos

O chá de macela (Achyroclinesatureoides)

A macela (ou marcela) é o chá mais popular do Rio Grande do Sul. É um chá digestivo, bebido após um churrasco ou colocado no chimarrão.

Em 2001, a horta hidropônica do Laboratório de Hidroponia da UFSC, em Florianópolis, passava por uma infestação de pragas. Na época, a pouca experiência na área e a falta de materiais adequados contribuíam para que tudo desse errado. Por outro lado, foi uma época propícia para testar a eficácia de produtos alternativos, com auxílio de dois livros recheados de receitas caseiras.

Após meses de tentativas, com dezenas ou centenas de produtos, um dos produtos apresentou resultado surpreendente: o chá de macela, pulverizado sobre as folhas de rúcula, espantou completamente as mariposas da traça-das-crucíferas (bem como a minadora-da-folha Liriomyza).

Como a estufa da horta era aberta nas laterais, as mariposas tinham facilidade para “bater em debandada“. Assim, o efeito repelência, juntamente com a possibilidade de fuga, tornou o método eficiente para o caso em questão.

Essa metodologia foi utilizada com sucesso no LabHidro até o ano de 2013, quando, então, optou-se por fechar toda a lateral da estufa com tela. Desta forma, a mariposa não dispunha de uma rota de fuga, e acabava permanecendo no interior da estufa. Portanto, nessas condições a metodologia de controle da Plutella com pulverização de chá de macela perde efeito.

Traça-das-crucíferas em folhas de rúcula - Crédito Jorge Barcelos
Traça-das-crucíferas em folhas de rúcula – Crédito Jorge Barcelos

Restrição de uso

A macela é mais encontrada e reconhecida na região do extremo sul (RS e SC). Ocorre também em alguns outros Estados, mas geralmente ninguém conhece e, portanto, não a identificam.

Em 1990, num passeio de campo na região de Viçosa (MG), encontrei um pomar de laranja com o chão dourado de tanta macela. Como sulista, eu gritava admirado e de alegria, mas por mais que eu tentasse explicar todos saíram dali sem me entender.

Continuando, além de não ser efetiva quando a estufa é fechada, produtores de outros Estados têm dificuldade de encontrar o chá, pois não há tradição em bebê-lo. E quando encontram com vendedores ambulantes, já estão descoloridos, indicando que a validade está ultrapassada. Se aplicado, não tem efeito.

Outra restrição, creio, deve ser seu uso a campo. O sereno ou as chuvas devem reduzir o efeito do chá. Isso precisa ser testado para comprovar, mas, pela lógica, o efeito seria menor.

Dose recomendada

Embora não tenha sido feito uma pesquisa do tipo clássica, com tratamento estatístico, a dose que apresentou melhor resultado foi um punhado por litro, ou seja, 5g de inflorescência de macela por litro de água a ser pulverizada. Lembrando que qualquer pulverização foliar deve ser feita na entrada da noite.

As inflorescências foram submetidas à extração por infusão em água a 60ºC. Após esfriamento, a infusão foi filtrada em tecido e acondicionada em pulverizadores para sua imediata utilização. O chá não deve ser armazenado, pois perde seu efeito significativamente.

Portanto, o chá é preparado da mesma forma e dose que é feito tradicionalmente para beber.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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