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Citros absorvem melhor os fertilizantes de liberação lenta

Daniel Lucas Magalhães Machado

danielmagalhaes_agro@yahoo.com.br

Fernando Simoni Bacilieri

ferbacilieri@zipmail.com.br

Engenheiros agrônomos e doutorandos em Produção Vegetal – ICIAG-UFU

José G. Mageste

Engenheiro florestal, Ph.D. e professor – ICIAG-UFU

jgmageste@ufu.br

Ernane Miranda Lemes

Engenheiro agrônomo, fitopatologista e doutor em Produção Vegetal

ernanelemes@yahoo.com.br

 

 Crédito Citrus Killer
Crédito Citrus Killer

Uma vez que os fertilizantes representam de 25 a 40% do custo variável dos principais sistemas de produção agrícola do País, a utilização de fertilizantes de liberação lenta ou controlada é uma alternativa promissora, uma vez que eles reduzem as perdas de nutrientes, principalmente de nitrogênio por volatilização, lixiviação e desnitrificação.

Têm ainda a grande vantagem da praticidade de sua utilização, o que resulta em ganho operacional para o produtor. Na maioria das vezes, existe a possibilidade de reduzir o número de operações de adubação, bem como o risco de salinização do solo.

Os fertilizantes de liberação lenta ou controlada podem conter em sua formulação macro e micronutrientes, sendo que o tempo de liberação destes depende da espessura do polímero, variando de três até seis meses. Atualmente, há no mercado fertilizantes de liberação lenta já testados e aprovados em diferentes culturas, produtos com diferentes formulações e desenvolvimento de tecnologias, como por exemplo, os fertilizantes estabilizados, que incorporam a tecnologia NET (Nitrogen Efficient Technology). Esta se baseia na inibição da conversão amônio em nitrato e consequentemente melhora a eficiência da adubação nitrogenada e diminui suas diversas perdas.

Nesse sentido, aumentam as possibilidades de se colocar em prática o manejo correto da fertilização nas mais variadas culturas, principalmente as perenes que são muito exigentes do ponto de vista nutricional, contrariando os costumes populares. Uma recomendação para se obter melhores resultados na adubação convencional (liberação total imediata) é o parcelamento em doses menores. Isto exige-se acertar a dose e o momento de aplicação dessas parcelas. Isto é resolvido com o uso dos fertilizantes de liberação lenta ou controlada, evitando-se estes erros e melhorando o aproveitamento dos nutrientes.

A citricultura

No caso específico dos citros, a adubação de liberação lenta constitui-se uma das mais modernas técnicas de produção de mudas, que permanecem bom tempo no viveiro. A muda assume papéis mais importantes na formação de um pomar de boa qualidade. Por outro lado, trata-se também de uma cultura perene, necessitando do fornecimento constante de nutrientes com o aumento da idade e maturação das plantas no campo.

A produção de mudas de citros em recipientes é uma tecnologia em aperfeiçoamento, sendo que o vigor inicial do porta-enxerto define a qualidade da muda, podendo mesmo antecipar a produção de porta-enxertos. Além da dose adequada de fertilizante, o parcelamento da adubação é importante, uma vez que pode ocorrer lixiviação de nutrientes no recipiente de volume reduzido. Isto é importante principalmente para o N e K, que são sais altamente solúveis e nesta condição, sob irrigações frequentes.

Estudos

Os fertilizantes de liberação lenta beneficiam o vigor das plantas - Crédito Shutterstock
Os fertilizantes de liberação lenta beneficiam o vigor das plantas – Crédito Shutterstock

Pesquisas relativas à avaliação do efeito da adubação sobre o crescimento de porta-enxertos de citros revelam que o nitrogênio, por ser exigido em quantidade elevada e influenciar os principais processos metabólicos da planta, constitui-se em elemento crítico ao processo. Em razão de sua suscetibilidade a perdas, deve ser disponibilizado às plantas de forma gradual, parcelando-se as aplicações de fontes solúveis.

Uma alternativa bastante promissora e prática é a utilização de fertilizantes que permitam a liberação lenta ao longo do tempo de formação da muda, bem como o uso de fertilizantes orgânicos à base de ácidos fúlvicos e húmicos, uma vez que reduzem as perdas por lixiviação, volatilização, evitando toxidez e/ou salinidade às plantas.

Possibilitam, ainda, a distribuição mais homogênea dos nutrientes no substrato e favorecem a sincronização entre o fornecimento destes e a demanda fisiológica da planta, visto que a taxa de liberação de nutrientes é diretamente proporcional à temperatura, com valor ideal próximo a 21ºC, condição em que a planta se encontra em plena atividade metabólica, além de reduzir a necessidade de adubações adicionais no decorrer do período de formação das mudas.

Como principal desvantagem, os fertilizantes de liberação lenta apresentam custo superior às fontes prontamente solúveis. Isto conduz a uma cuidadosa recomendação nos diferentes sistemas de produção para otimizar o uso do insumo e garantir a economia de produção de porta-enxertos.

Informações na literatura ainda são escassas quanto à melhor dosagem e modo mais adequado de aplicação a ser utilizado para os diferentes tipos de fertilizantes de liberação lenta ou controlada. Mas, bons viveiristas conhecem em profundidade as qualidades dos seus substratos que, somado ao acompanhamento do desenvolvimento dos porta-enxertos, certamente desenvolverá seu sistema de fertilização.

No entanto, seu uso tem aumentando cerca de 2,5% ao ano na citricultura, principalmente na formação dos novos pomares (quatro primeiros anos da cultura no campo) ou como opção para adubação de replantios, uma vez que seu alto custo pode inviabilizar seu uso durante a fase produtiva da cultura. Mas seu principal uso está na produção de mudas, visto que pode proporcionar uma maior estabilidade no estado nutricional de N em porta-enxertos.

O aumento na disponibilidade de nitrogênio normalmente traz como consequências efeitos positivos sobre a taxa de assimilação de carbono, já que esse nutriente faz parte dos principais componentes do sistema fotossintético e consequente aumento no acúmulo de massa seca total.

O teor de nitrogênio pode influenciar também a relação raízes/parte aérea. Quando há baixa disponibilidade do nutriente, há menor crescimento da parte aérea e as raízes são longas e sem ramificações, o que resulta em menor produção de frutos. Em níveis adequados, o desenvolvimento e ramificação do sistema radicular são normais. No caso de excesso do nutriente, observa-se excessiva ramificação de raízes, porém, o sistema radicular é reduzido e há estímulo para o desenvolvimento da parte aérea.

Essa matéria completa você encontra na edição de junho 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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