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quarta-feira, julho 17, 2024
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Cobalto ajuda na nodulação da soja

Marcos José Bernardo
110744@faesb.edu.br
Lidce do Rosário da Silva Cutrim
111481@faesb.edu.br
Graduandos em Engenharia Agronômica – Faculdade de Ensino Superior Santa Bárbara (FAESB)
Ana Paula Preczenhak
Doutora em Fisiologia e Bioquímica Plantas, pós-doutoranda – ESALQ-USP e professora – FAESB
prof.anapaula@faesb.edu.br

Foto: Arquivo

Segundo dados da CONAB (2022), a produção brasileira de soja na safra 2020/21 foi de 138 mi/t, colocando o Brasil como líder na produção mundial do grão. O fechamento da safra 2021/22 mostra expectativa de uma produção aproximada de 124 mi/t. Esta redução é proveniente das condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras, a região sul e o Mato Grosso do Sul.

A soja é uma cultura nutricionalmente exigente e, para manter altas produtividades, é necessário um bom manejo de quantidade e equilíbrio dos nutrientes do solo. Um dos principais minerais para o crescimento e desenvolvimento das plantas é o nitrogênio (N).

FBN

Sabe-se que a soja é muito exigente em N: para produzir 1.000 kg de grãos, estima-se que há necessidade de 80 kg de N. Dessa forma, para alta produtividade, tanto a fixação biológica de N quanto sua absorção da solução do solo precisam ser maximizadas.

Uma das principais estratégias utilizadas é a inoculação ou coinoculação das bactérias Rhizobium e Azospirillum. A fixação biológica de nitrogênio (FBN), que é a simbiose planta-bactéria, é favorecida por um solo com níveis adequados de micronutrientes.

Para relembrar: a fixação de N atmosférico (N2) é realizada pela bactéria e não pela planta. Portanto, quando pensamos em adequada fertilidade do solo na sojicultura, levamos em consideração a dinâmica solo-planta-microrganismo para alcançar altas produtividades.

Realidade brasileira

É comum que solos brasileiros utilizados para plantio de soja apresentem baixa disponibilidade de micronutrientes. Isto devido ao manejo inadequado, como a retirada dos micronutrientes sem a reposição posterior, má correção da acidez e, consequente, redução da matéria orgânica.

Quando falamos em retirada de nutrientes, estamos nos referindo à colheita e com ela a exportação dos nutrientes que a planta absorveu durante seu desenvolvimento; ou seja, nem tudo que ela absorveu do solo retorna para lá.

Estes fatores não afetam apenas a planta, mas também os microrganismos do solo, mesmo após inoculação. Um ambiente não propício para o desenvolvimento das bactérias irá reduzir sua multiplicação e associação com a planta.

Entre outros micronutrientes, essencialmente as bactérias fixadoras de N necessitam de cobalto (Co) e molibdênio (Mo) para estabelecer a simbiose e realizar a conversão do N2 (gasoso) para a forma de nitrogênio assimilável pelas plantas (NH4+). Devido a isso, produtos comerciais utilizados no tratamento de sementes com Co e/ou Mo estão disponíveis no mercado e são recomendados na sojicultura.

O processo de simbiose inicia já no estádio V1, com a presença dos primeiros nódulos facilmente visíveis em V2. Espera-se que em V3 haja média de 10 nódulos por planta. Nódulos viáveis são os que apresentam seu interior avermelhado.

A cor vermelha é o pigmento leg-hemoglobia, que funciona de forma análoga à hemoglobina do nosso sangue, regulando o transporte de O2 para as células fixadoras de N nos nódulos onde estão as bactérias, mantendo essas concentrações de O2 a níveis que não prejudiquem o processo.

Ação e reação

Foto: Shutterstock

Altos níveis de oxigênio livre afetam irreversivelmente o funcionamento da nitrogenase, que é a enzima que realiza o processo de transformação do N2 da atmosfera para amônio (NH4+), N inorgânico que é transferido para a planta.

Mesmo com a instalação da associação planta-bactéria, apenas após o complexo da enzima nitrogenase e a leg-hemoglobina serem sintetizados é que o processo de FBN se inicia. O Co está diretamente envolvido na síntese da leg-hemoglobina, por fazer parte da estrutura da molécula em um complexo chamado cobalamina.

Sem a leg-hemoglobina, o processo de FBN é totalmente prejudicado, o que torna este elemento essencial para a produtividade da soja.

Assim, mesmo que a planta apresente nódulos, se estes não estiverem avermelhados, indica que não são funcionais e que a FBN não está ocorrendo neles. A deficiência em Co pode ocasionar o aparecimento excedente de nódulos esbranquiçados, o que não é interessante para a produtividade.

Em estudo

Pesquisas mostram que a FBN ocasiona incremento de 28% na taxa fotossintética, a qual está diretamente ligada ao incremento de carbono, ou seja, aumento de massa na planta.

Outros estudos relacionados à aplicação de Co verificam sua eficácia na promoção de crescimento e desenvolvimento dos nódulos radiculares, assim como na tolerância a estresses abióticos (reduzido regime de chuva), oxidação e deficiência de nutrientes.

Em condições controladas, com aplicações via solo ou em aplicações via foliar, houve crescimento da raiz, aumento da biomassa, da assimilação de N, bem como mobilização eficiente dos macro (N, P e K) e micronutrientes (Cu, Zn e Mn).

Em solos pobres em N, a deficiência de Co tem estrita relação com o desenvolvimento da planta, a concentração de N e a severidade dos sintomas de deficiência de N que podem ocorrer nas plantas.

Em situações em que mesmo após aplicação de Co nas sementes ocorra baixa nodulação, é recomendado e há estudos no Brasil e no exterior que mostram que a aplicação foliar de produtos contendo Co pode ser eficaz no aumento da nodulação, geralmente no máximo 15 dias após a semeadura (Embrapa). Ao que tudo indica, parece que parte do Co é retranslocado, via floema, das folhas para as raízes.

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Recomendações

Cuidados durante a aplicação de produtos com Co no tratamento de sementes: evitar misturas salinas e pH muito baixo, pois isso pode inviabilizar as bactérias. Bactérias não sobrevivem bem em pHs muito baixos, menores que 3,0, ou muito altos, acima de 8,0.

Porém, vale ressaltar que a expressão do potencial total de qualquer genótipo ocorre apenas em condições ideais, o que no campo não temos como controlar. Mas, temos que ponderar também que um solo com graves problemas de equilíbrio nutricional é normalmente difícil prever a resposta da cultura.

Por isso, é recomendado conhecer o solo e indicado realizar periodicamente a análise da área de cultivo.

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