Coco: Produção no Brasil

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Coco – Crédito: shutterstock

A atual situação da cadeia produtiva do coco no Brasil é marcada por uma crise, especialmente na Bahia, que sempre esteve na liderança da produção. O setor, que movimenta mais de um bilhão de dólares por ano, enfrenta oscilações. Enquanto o consumo de água de coco tem crescido até 20% ao ano, impulsionado pela procura por alimentos naturais e saudáveis, a produção nacional da fruta não para de despencar.

De acordo com dados do IBGE, a quantidade de coco produzida no País caiu 17,11%, entre os anos de 2007 e 2018. Os coqueirais estão ocupando um espaço também menor. Há 13 anos eram cerca de 283 mil hectares plantados. Agora a área cultivada não chega a 200 mil hectares, uma queda de 29,5%.

Ranking dos oito Estados que mais produzem coco no Brasil. Levantamento anual, com base na Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE.

  • Bahia: 344,7 milhões de frutos
  • Ceará: 254,1 milhões
  • Pará: 191,8 milhões
  • Sergipe: 174,3 milhões
  • Espírito Santo: 150,1 milhões
  • Pernambuco: 139,5 milhões de frutos
  • Alagoas: 77,44 milhões de frutos
  • Rio Grande do Norte: 70,3 milhões de frutos

Muito mais do que o reflexo de períodos de seca ou da substituição por variedades mais produtivas, a redução está sendo provocada por diversos fatores que vêm afetando gravemente os agricultores brasileiros, desde as baixas cotações do produto in natura à falta de assistência técnica para os pequenos agricultores, que correspondem a mais de 88% dos produtores do Brasil. Soma-se a isso a concorrência com os derivados do coco importados da Ásia.

Importações

As importações de coco ralado e da chamada “água de coco concentrada” nunca foram tão volumosas. Os dados do Sindicato Nacional de Produtores de Coco (Sindcoco) indicam que as importações de água de coco concentrada cresceram 35,75% no Brasil, de janeiro a outubro do ano passado. O volume atingiu mais de 2,2 milhões de quilos e movimentou cerca de US$ 6,9 milhões de dólares.

Já o desembarque de coco ralado cresceu 20% neste mesmo período, e alcançou mais de 13,4 milhões de quilos. Cerca de 91% deste volume vieram da Indonésia e das Filipinas. As negociações movimentaram mais de US$ 17,2 milhões de dólares. Nestes dois países o quilo do produto custa cerca de US$ 1 dólar, ou seja, cerca de R$ 4,20 reais. Enquanto o quilo do coco ralado brasileiro chega a custar de R$ 7,3 a R$ 11,5 reais, ou seja, até três vezes mais.

A pedido dos agricultores, há seis anos o governo brasileiro chegou a aumentar a taxação sobre o coco ralado importado de 10 para 55%. Mas, segundo os produtores rurais, a medida ainda não foi suficiente para proteger o produto nacional. O setor vem conversando com o Ministério da Agricultura para implementar novas medidas.

A Bahia não aparece entre os Estados que importaram coco ralado da Ásia, mas está na lista dos cinco estados que compraram água de coco concentrada. Em 2019, foram 11,1 mil quilos que custaram cerca de US$ 38,8 mil dólares.

Bahia

O coco é um dos símbolos mais emblemáticos da Bahia e da produção agrícola do Estado. Mas a redução na produção chegou a 40% entre 2007 e 2018. Neste período, o volume caiu de 565,8 milhões de frutos por ano para 344,7 milhões de coco anuais.

E apesar da expansão isolada do cultivo em alguns municípios, de modo geral a área plantada recuou quase pela metade em onze anos, passou de 82,2 mil hectares para 44,3 mil hectares.

A queda nos preços foi acentuada e chega a 75%. Ano passado a unidade do coco verde chegou a ser vendida por até R$ 1,20 nas fazendas do litoral norte. Atualmente, o preço médio é de R$ 0,30. Já o coco seco registro queda de até 50%, cotado atualmente a R$ 0,60 a unidade.

Os representantes do setor na Bahia também apontam a concorrência do coco importado como principal fator para a queda nas cotações. Segundo eles, as indústrias nacionais deixaram de comprar o coco in natura produzido nacionalmente e passaram a adquirir água concentrada de outros países, principalmente das Filipinas.

Isso aumentou o volume interno de coco verde e provocou a redução dos preços. Daí os produtores decidiram deixar o fruto por mais seis meses no pé e elevar a produção do coco seco. Mas, também acabou ocorrendo uma superprodução deste tipo de coco no mercado e o preço caiu ainda mais.

A Bahia possui cerca de 70 mil produtores de coco. Segundo o Sindcoco, 90% dos agricultores são pequenos produtores que cultivam até 50 hectares. Entre o campo e o supermercado, o preço do coco seco sobe de R$ 0,60 para até R$ 4,99, e os agricultores dizem que são os menos beneficiados neste trajeto comercial.

Fontes:

Correio 24 horas

Associação Nacional dos Produtores de Coco – Aprococo

Sindicato Nacional de Produtores de Coco – Sindicoco