Colheita: Muito além do corte das árvores

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Autores

Daniel da Silva Souza
Engenheiro florestal, geógrafo e assessor ambiental
geocentrosul@gmail.com
Rhavenna Erady Nany de Freitas
Estagiária e graduanda em Engenharia Florestal – Universidade Federal de Goiás (UFG)
rhavennaerady@gmail.com
Créditos Shutterstock

A colheita florestal está muito além do corte e da supressão de unidades florestais de um povoamento. Ela precisa ser pensada e previamente analisada. Antes mesmo do estabelecimento dos talhões florestais, é preciso pensar na colheita. É necessário considerar o adensamento do plantio, a espécie a ser cultivada, a finalidade da madeira, o tipo de solo, o relevo do terreno, o ciclo de corte e até mesmo o retorno econômico estimado, uma vez que as atividades de colheita juntamente com o transporte representam o maior custo operacional das atividades silviculturais.

Com a forte tendência de redução de força de trabalho jovem nos países latino-americanos e com a latente ampliação da tecnologia em todos os setores, nada mais natural do que esperar um forte crescimento das atividades de colheita mecanizada em nosso país.

Além de contar com máquinas modernas e eficientes, capazes de substituir dezenas de operadores de motosserra, é preciso ter um sistema de treinamentos efetivo. O treinamento é importante para que seja extraído o máximo de rendimento dos equipamentos, os quais chegam a custar, com facilidade, mais de R$ 1 milhão. 

Prevenção

A manutenção das máquinas deve ser preventiva e sempre programada para que não ocorra a interrupção inesperada durante o serviço. Um dos erros comuns é não programar as paradas para manutenção preventiva e acabar ficando com a máquina parada em função da necessidade de realizar uma manutenção corretiva.

Em alguns casos, o equipamento e o operador ficam parados por dias à espera de peças de reposição. Essa situação pode comprometer toda a cadeia produtiva do empreendimento e gerar atrasos na entrega e até mesmo quebra de contrato de fornecimento.

Dicas importantes

Outro importante componente que precisa ser pensado é a programação de abastecimento e consumo de combustível. Máquinas mais leves, modernas e econômicas chegam a consumir algo próximo a 10 litros/hora. Máquinas mais pesadas e antigas podem consumir muito além dos 20 litros/hora.

Para otimizar o custo de aquisição das máquinas, muitas organizações chegam a operar 24 horas por dia e sete dias por semana com os Harversters ou Fellers. As jornadas e as escalas de trabalho são diferenciadas, mas têm apresentado bons resultados.

Novidades

O mundo das máquinas florestais tem se mostrado muito dinâmico e novidades tem surgido a todo instante. Lançamentos e atualizações estão cada vez mais ousados e antenados à necessidade dos produtores florestais. Se por muito tempo os terrenos acidentados, aqueles com declividade superior a 30%, eram os maiores vilões da colheita mecanizada, agora eles assustam cada vez menos.

Maquinários modernos estão com o centro de gravidade cada vez mais baixo, o que permite ganho de estabilidade e poder de enfrentar terrenos que até então eram temidos.

Hora de escolher certo

Outra característica importante a ser considerada na hora de adquirir um equipamento para corte florestal é a largura dele. Para áreas que sofrerão desbastes iniciais, especialmente o primeiro ou o segundo, recomendam-se máquinas mais estreitas. Desta forma a operação será mais efetiva, rápida e econômica.

A visibilidade que o equipamento oferece ao operador também deve ser levada em consideração no momento de escolher o modelo de máquina. Com horizontes de visão maiores, o operador consegue ampliar sua produtividade e reduzir os riscos de incidentes.

Os serviços de pós-venda também são fundamentais e devem ser avaliados antes de fechar negócio com a revenda de maquinários florestais. Peças de reposição, assistência técnica, distância e tempo de respostas devem ser considerados.

Em diversos casos, os empreendimentos adquirem apenas cabeçotes para serem utilizados em maquinários agrícolas. Em situações como esta, é preciso examinar a ficha técnica e a descrição do cabeçote almejado. Sempre que possível, dê preferência para máquinas com esteiras, pois são mais estáveis e geram menor compactação do solo.

Caso a caso

Além de pensar no equipamento, é preciso também considerar a qualidade dos talhões. As características do povoamento podem impactar diretamente na produtividade da colheita. Quanto mais uniforme for a floresta, mais facilidade o operador terá e, por outro lado, quanto mais heterogênea ou má formada for a floresta, menos produtiva será a colheita.

O corte dos indivíduos florestais jamais será uma atividade isolada. É preciso concatená-la às atividades de baldeio e de carregamento, para que haja maior eficiência de toda a cadeia produtiva. Dessa forma, deve ser estratégica a escolha dos locais em que as pilhas ficarão até perder umidade desejada. A escolha do local e o volume de pilhas deve considerar o risco e o perigo de ocorrerem eventuais incêndios e acidentes, especialmente relacionados ao tráfego de veículos.

Aquisição ou terceirização

A quantidade de aquisições de Harvesters e Fellers por empresas florestais tem crescido bastante, mas a terceirização das atividades de colheita tem ganhado muito espaço não só entre os pequenos e médios produtores, grandes demandantes de povoamentos florestais também estão optando pelos contratos de outsourcing.

Para os pequenos e médios produtores, a terceirização permite que seu povoamento seja colhido e processado com o uso de equipamentos modernos e sofisticados, garantindo ainda mais celeridade, qualidade e ganho comercial. Os custos da terceirização não ultrapassam o gasto com equipe de operadores de motosserra e por esta razão são cada vez mais comuns.

Para as grandes empresas, a terceirização das atividades de colheita envolve comumente não apenas o corte e o processamento da madeira em campo, mas também o transporte até o destino pretendido. Desta forma, a empresa terceira recebe a floresta em pé e realiza todas as etapas necessárias para a colheita e o transporte da madeira conforme exigido pelo cliente.

Para saber se a terceirização ou a aquisição são mais indicadas para uma empresa, é preciso calcular os custos fixos e variáveis do equipamento. Quanto mais contínuo for o uso, menor será o custo fixo por hora trabalhada e, consequentemente, menor o custo total por hora.

Normalmente, empresas que fazem o uso dos equipamentos por mais de 1.500 horas por ano tendem a adquirir seus próprios equipamentos, apesar da tendência de terceirização ser cada vez maior. Há, ainda, empresas que utilizam 500 horas por ano ou menos, mas preferem comprar o equipamento, pois estão em regiões onde ainda não há oferta de empresas terceiras de colheita florestal. Essas empresas podem fazer a locação de seu maquinário para outros empreendimentos em momentos em que as máquinas estariam ociosas.

Recomendações

A colheita mecanizada com uso de Harvester ou Feller Buncher apenas não é indicada em casos em que haja mais de um fuste por cepa, situação que ocorre quando a rebrota não é conduzida adequadamente.

O uso de máquinas de colheita florestal contribui significativamente para assegurar que os aspectos de saúde e segurança ocupacionais sejam respeitados. Isto ocorre porque a ergonomia é considerada no desenvolvimento das máquinas, tendo como objetivo a garantia da segurança e do bem-estar dos trabalhadores.

A colheita manual ou semi-mecanizada é a fase do processo produtivo florestal em que o trabalho físico é extremamente pesado. Os operários ficam expostos às condições adversas vindas do meio ambiente e das motosserras. Ao longo da jornada, o aumento da fadiga dos colaboradores resulta na diminuição da atenção com a tarefa a ser executada, gerando menor produtividade e aumentando a probabilidade de erros que podem gerar acidentes.