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Combate à vespa-da-madeira: uma das principais pragas de pinus

No Brasil, a vespa encontrou condições favoráveis para estabelecimento e dispersão. Além disso, possui grande capacidade de se multiplicar, com ciclo de vida anual. Embora prefira árvores estressadas, em grandes infestações pode atacar árvores sadias, podendo leva-las à morte.

Crédito Depositphotos

Pedro Guilherme Lemes
Professor de Entomologia Florestal – UFMG
pedroglemes@ufmg.br
Susete do Rocio Chiarello Penteado
Pesquisadora da Embrapa Florestas
susete.penteado@embrapa.br  

A madeira atacada perde valor comercial, sendo necessário o corte precoce em surtos populacionais. O controle de pragas exóticas é desafiador e envolve altos custos dos governos e silvicultores para lidar com os impactos negativos.

No caso da vespa-da-madeira, o controle químico é pouco efetivo, por ela viver dentro da madeira, demandando técnicas silviculturais e controle biológico. A vespa-da-madeira é um exemplo clássico do impacto que pragas exóticas podem causar à economia de um país.

Impactos ao pinus

A vespa-da-madeira passa por metamorfose completa, com fase de ovo, larva, pupa e adulto. Seu ovipositor, uma espécie de ferrão protegido por uma bainha, é usado para perfurar e depositar ovos no tronco da árvore.

Junto aos ovos, introduz esporos de um fungo simbionte, que alimentará as larvas, e uma secreção mucosa tóxica, que provoca mudanças fisiológicas na árvore. O macho adulto é similar, porém, com abdômen e pernas medianas alaranjadas.

As larvas cilíndricas e brancas constroem longos túneis na madeira, obstruídos por serragem compactada. Não se alimentam diretamente da madeira, mas sim dos nutrientes extraídos do fungo simbionte que apodrece a madeira.

As pupas pálidas já apresentam traços da vespa adulta. Os adultos emergem pela casca entre novembro e dezembro no sul do Brasil. O ciclo de vida completo tem a duração aproximada de um ano. 

A vespa ataca principalmente pinus, sendo atraída por árvores estressadas. Os principais danos provocados são: galerias na madeira feitas pelas larvas e perfurações pelos adultos, apodrecimento da madeira devido ao fungo simbionte e intoxicação pela secreção mucosa.

Além disso, pode debilitar as árvores, tornando-as vulneráveis ao ataque de pragas e doenças oportunistas. Plantios com mais de 12 anos sob estresse são os mais vulneráveis. Por exemplo, árvores de P. taeda  apresentam maior incremento a partir desta idade.

Se forem atacadas pela vespa e submetidas a um corte raso forçado, deixarão de produzir quase 60% da madeira, sem contar o alto custo da madeira colhida.

Estratégias de controle

Prevenção é a palavra-chave no manejo integrado da vespa-da-madeira. Por ser uma praga secundária oportunista, atraída por plantios estressados, a melhor forma de evitar perdas é a prevenção. Esta pode ser obtida por meio do bom manejo florestal, monitoramento da praga, práticas silviculturais e controle biológico.

Após sua primeira detecção no Brasil, houve uma grande mobilização de órgãos públicos e empresas florestais para desenvolver estratégias de manejo e controle. Em resposta, o Ministério da Agricultura instituiu o “Programa Nacional de Controle à Vespa-da-Madeira (PNCVM)” em 1989.

A chegada da vespa-da-madeira provocou grandes mudanças no cultivo de pinus no Brasil. Medidas preventivas, monitoramento e controle passaram a integrar o planejamento das empresas.

O PNCVM é um exemplo de sucesso de parceria entre empresas privadas e setor público, e as tecnologias criadas são amplamente usadas pela maioria dos produtores de pinus no sul e sudeste.

O monitoramento da dispersão e definição da área atacada, utilizando árvores-armadilha estressadas por herbicidas, é essencial. Permite detectar a praga mesmo em níveis populacionais baixos e definir pontos de liberação de inimigos naturais, como o nematoide.

É tão importante que a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) criou uma portaria (Portaria 280), que estabelece métodos obrigatórios de monitoramento para plantios de pinus no estado, garantindo a adoção dessa medida preventiva.

Manejos extras

Algumas práticas silviculturais, como desbastes, são essenciais para evitar o surgimento de árvores estressadas. Desbastes seletivos devem ser feitos para remover árvores bifurcadas, doentes, danificadas e mortas, atrativas à praga. Deve-se evitar poda e desbaste próximo e durante o período de revoada.

Prevenção de incêndios florestais também são importantes para evitar o estresse as árvores. A cooperação de todas as partes é crucial nesse processo, por isso, é necessário educar os trabalhadores florestais para reconhecer a praga nos estágios iniciais de infestação.

Controle biológico

O controle biológico com o nematoide Deladenus siricidicola, que torna as fêmeas inférteis, é uma das formas mais eficientes para reduzir a população desta praga. A Embrapa Florestas produz e distribui os nematoides aos produtores em regiões com a presença da praga.

Recomenda-se inocular 20% das árvores atacadas (aquelas com copa amarelada, respingos de resina no tronco e ausência de orifícios de emergência de adultos). Essas árvores são derrubadas, desgalhadas e perfuradas para aplicação do nematoide.

Algumas vespas parasitoides importadas também auxiliam no manejo da vespa e se encontram estabelecidas em algumas regiões do Sul do Brasil. 

Fique de olho!

Os principais sintomas externos da presença da praga são: progressivo amarelecimento e posterior avermelhamento e queda das acículas, podendo levar à morte das árvores; respingos de resina escorrendo na casca devido às perfurações para postura; orifícios de emergência de adultos e vespas mortas nesses orifícios.

Na madeira, observam-se manchas marrons ao longo da casca interna, causadas pelo fungo simbionte, e túneis das larvas, afetando a qualidade da madeira e favorecendo o aparecimento de fungos oportunistas.

Severidade

O impacto econômico da vespa-da-madeira pode ser severo quando seu manejo é negligenciado. Em plantações não manejadas, a porcentagem de árvores atacadas pode subir de 10 para 60% em apenas dois anos.

Estimativas recentes apontam perdas anuais de US$53 milhões, considerando custos de colheita, ou US$ 25 milhões, considerando a madeira em pé.

Estados afetados, como o Paraná e Santa Catarina, tiveram que alocar muitos recursos para lidar com a ameaça. Porém, programas colaborativos de manejo integrado, com monitoramento, práticas silviculturais e controle biológico, têm possibilitado conviver com a praga.

Esse deve ser o caminho para produtores paulistas e mineiros. O manejo integrado, embora exija investimentos, é essencial para mitigar o impacto econômico da vespa-da-madeira, viabilizando as plantações de pinus. A experiência dos estados do sul serve de exemplo para adoção dessas medidas preventivas.

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