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Como o reflorestamento pode conter a desertificação no Brasil

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Crédito Aperam

15 de abril foi o Dia Nacional da Conservação do Solo, data oficializada em 1989 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A discussão sobre o tema é de grande relevância, considerando que a degradação dos solos brasileiros avança em ritmo acelerado. O Brasil tem hoje 1,3 milhão de km2 de áreas suscetíveis a se tornarem desertos, o que representa 16% do território nacional, segundo dados atuais do Ministério do Meio Ambiente. Os números estão relacionados à perda da qualidade dos solos nas últimas décadas, principalmente em função do desmatamento, das queimadas, da lixiviação e dos manejos inadequados de atividades agrícolas. Nesse contexto, as empresas têm sido convocadas, seja pelo mercado ou pelos consumidores, a atuarem para mudar esse panorama, dentro de sua agenda de sustentabilidade. E a silvicultura, ciência que estuda o manejo de florestas e utiliza técnicas para sua preservação e para a produção extrativista e cultivada sustentável, tem desempenhado um papel fundamental.

Na Aperam BioEnergia, por exemplo, o plano de sustentabilidade passa essencialmente pelo reflorestamento, a partir do cultivo de eucalipto, e pela preservação das matas nativas. A área de influência direta das atividades da empresa, no norte de Minas Gerais, se estende pelos municípios de Capelinha, Carbonita, Itamarandiba, Minas Novas, Turmalina e Veredinha, no Vale do Jequitinhonha (MG). Nas florestas cultivadas pela BioEnergia, em uma área de 76 mil hectares, novos plantios são feitos sistematicamente, com o objetivo de recuperar o solo, sendo aproveitados resíduos orgânicos como cascas de madeira provenientes do processo de produção do carvão vegetal. A companhia também preserva cerca de 40 mil hectares de matas nativas, evitando o desmatamento.

O diretor de Operações da Aperam BioEnergia, Edimar de Melo Cardoso, explica que o Plano de Manejo Florestal da empresa prevê técnicas de plantio voltadas para a menor intervenção possível no solo. Segundo ele, o modelo de distribuição das florestas intercala os plantios comerciais com faixas de florestas nativas. “Após o plantio, há uma série de intervenções na floresta objetivando manter as condições ideais para o bom crescimento das árvores”. Já a recuperação de áreas degradadas é feita com a proteção do solo e ações para facilitar a regeneração de áreas de cascalheiras desativadas. “Sabemos que as florestas são essenciais para a subsistência e empregos, habitats para animais, conservação do solo e da água e captura e armazenamento de carbono”, afirma o diretor. 

O carvão vegetal produzido pela Aperam BioEnergia abastece os alto-fornos da Aperam South America, em Timóteo (MG), produtora integrada de aços inoxidáveis, elétricos e carbono especial. A empresa do grupo europeu Aperam e é a única do mundo no segmento de aços planos especiais a utilizar exclusivamente carvão vegetal como combustível e redutor em seu processo produtivo, dando origem ao Aço Verde Aperam. A partir das florestas, a BioEnergia também produz híbridos dos gêneros Eucalyptus e Corymbia e fornece há décadas mudas para o mercado florestal, subsidiando a produção de papel, celulose, lenha, carvão, móveis, chapas, aglomerados, serraria, mel, óleos essenciais para a indústria farmacêutica, entre outros produtos. A empresa é referência em melhoramento genético florestal, dando origem a espécies de eucaliptos cada vez mais produtivas e com maior eficiência no uso da água e nutrientes, reduzindo o impacto no solo.

Desmistificando o eucalipto

Uma pesquisa da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) calcula que o país tem 9 milhões de hectares de florestas cultivadas, sendo 5,7 milhões de hectares de eucalipto, principalmente em Minas Gerais (24%), São Paulo (17%) e Mato Grosso do Sul (16%). O setor de florestas plantadas, liderado pela eucaliptocultura, representa 1,3% do PIB bruto nacional e 6,9% do PIB industrial, gerando mais de 513 mil empregos diretos e cerca de 3,8 milhões indiretos. 

De acordo com o estudo da Embrapa publicado em março deste ano no Research, Society and Development Journal  – Expansão e impactos socioambientais da cultura de Eucalyptus spp. (Myrtaceae) no Brasil: um panorama da literatura – o eucalipto plantado em áreas degradadas pode contribuir para a recuperação do solo e reduzir o desmatamento das áreas nativas. Essa cultura, manejada adequadamente, em sua concepção e implementação, pode promover o desenvolvimento sustentável, propiciando um equilíbrio entre crescimento econômico, melhor distribuição da renda e da riqueza e qualidade adequada do meio ambiente – desde que respeitadas as diretrizes do equilíbrio ecológico, afirmam os pesquisadores. A publicação considera que a produção de eucalipto em larga escala tem como um dos pontos positivos a preservação de florestas nativas para a obtenção de produtos de base florestal. “A cultura também contribui de forma positiva com o processo de recuperação de solos exauridos e com a absorção de CO2 da atmosfera, diminuindo a poluição e o calor”, destacam. 

Mesmo assim, a cultura do eucalipto ainda é cercada de mitos e ceticismo. O principal deles é ligado à ideia de que o eucalipto empobrece o solo, o que não é verdade. “Após a colheita, cascas, folhas e galhos que possuem a maior parte dos nutrientes da árvore, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica, o que aumenta a permeabilidade do solo, melhorando também sua fertilidade e estrutura, além de ampliar a micro e macro fauna”, pontua Lilian Reis, Pesquisadora e Melhorista da Aperam BioEnergia. Além disso, no período chuvoso, as raízes absorvem e retém a água que cai no solo, evitando possíveis erosões na localidade. 

Segundo estudos realizados pela Indústria Brasileira de Árvores (IBA), a floresta, seja ela natural ou plantada, funciona como um amortecedor para o solo. Parte da chuva é interceptada pelas copas e troncos, chegando ao solo com menos impacto e infiltrando maior volume de água. Isso ocorre devido a estrutura do solo e das raízes que permitem que a água abasteça o lençol freático, ao invés de escoar diretamente para os rios ou ser perdida por evaporação superficial. Com os lençóis freáticos abastecidos, o nível dos rios se mantém mais estáveis durante a estação de seca. Assim, as florestas de eucalipto funcionam como reguladoras do fluxo hídrico e não secam o solo.

As florestas renováveis de eucalipto da Aperam BioEnergia também são fonte de energia limpa, oxigênio, geração de emprego e oportunidades, além de garantir a preservação de 40 mil hectares de matas nativas, evitando o desmatamento. A empresa possui a certificação FSC®, selo internacionalmente reconhecido que certifica o manejo das florestas renováveis de eucalipto como sustentáveis para o meio ambiente e para comunidade.

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