Inicio Revistas Grãos Consorciação – Qual a ideal para a palhada?

Consorciação – Qual a ideal para a palhada?

0
196

Autor

Amarildo Francisquini Junior
Engenheiro agrônomo e consultor da empresa Suporte Agro
consultoria@suporteagro.com

Consorciação é a utilização de duas ou mais culturas de valor econômico ou não na lavoura. As plantas, após a colheita ou quando estão no seu máximo potencial vegetativo, sofrem a dessecação, para que possam servir de palhada para a cultura subsequente. Essa técnica funciona principalmente para regiões que possuem má distribuição de chuvas.

A principal opção no mercado é a consorciação de milho safrinha com Urochloa Ruziziensis, pois após a colheita do milho é possível dessecar, formando uma palhada uniforme para o próximo plantio.

Outra opção que pode ser utilizada é a consorciação entre uma gramínea forrageira e uma leguminosa. Essa técnica pode servir de alimento na entressafra para os bovinos e na safra serve como material de cobertura, com uma maior diversidade para a cultura subsequente.

Culturas beneficiadas

As culturas mais beneficiadas pela consorciação são as culturas graníferas, como soja e milho, porém, devido às altas temperaturas nos últimos anos, várias culturas estão adotando a técnica de plantio direto na palha.

A implantação dessa técnica pode ser realizada de várias formas. O que será determinante é a aptidão agrícola de cada região. Mas, de maneira geral, a técnica de consorciação é utilizada na entressafra, sendo a gramínea a base da consorciação devido à sua maior produção de biomassa e à degradação da sua palha ser mais lenta que a leguminosa, assim possibilitando uma cobertura de solo por mais tempo durante o desenvolvimento da cultura de interesse econômico.

A produtividade dos consórcios será dependente do tempo para ser estabelecida. Mas, as gramíneas, de maneira geral, produzem até três vezes mais que as leguminosas.

Resultados práticos em campo

A região do oeste paulista possui dois sistemas de produção com o intuito de consorciação de uma gramínea e uma leguminosa para alimentação dos animais na entressafra e produção de palhada na safra de soja.

O primeiro consórcio é o Panicum Maximum cv. Mombaça (gramínea) e Macrotyloma axillare cv. Java (leguminosa). O consórcio dois é o Panicum Maximum cv. Mombaça (gramínea) e Cajanus cajan feijão guanú anão (leguminosa). Este trabalho tem proporcionado uma melhora na dieta dos animais, além de uma melhora na fertilidade do solo e uma palhada de melhor qualidade, com reflexos na maior produtividade da soja.

Quanto às vantagens, são muitas e justificam a utilização do consócio para a produção de palhada, como redução da temperatura do solo, manter o solo com umidade por mais tempo, liberação de nutrientes gradativamente devido à decomposição da palhada, além de servir como uma excelente alternativa na rotação de culturas.

Ainda, promove o aumento da matéria orgânica, ciclagem de nutrientes, fixação de nitrogênio atmosférico quando uma dessas plantas é leguminosa, aumento dos microrganismo do solo e também redução de patógenos de solo. Essas plantas também descompactam e agregam o solo.

SEM COMENTÁRIO