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quinta-feira, julho 7, 2022
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Consórcio soja + cana + crotalárias = maior produtividade

Créditos Ana Maria Diniz

Anderson Santos Caldas

Técnico agrícola e engenheiro agrônomo – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)

andersoncaldas.facu13@gmail.com 

Thiago Feliph Silva Fernandes

Engenheiro agrônomo (UFRA)

thiagofeliphh@gmail.com

O consórcio entre gramíneas e leguminosas pode trazer diversas vantagens para a produção agrícola, como melhorias à qualidade do solo e otimização de resultados nas lavouras. Tal prática proporciona o aumento do nitrogênio no solo devido à capacidade das leguminosas armazenarem N no solo por meio da fixação biológica de nitrogênio (FBN), o que reduz o custo com adubação nitrogenada.

Além disso, a consorciação desses dois grupos traz melhorias à cobertura do solo, evitando erosões e garantindo aumento de matéria orgânica no perfil, o que, consequentemente, eleva os teores de carbono do solo e a retenção de água, proporciona uma melhor interação da biodiversidade animal e da microbiota dentro da área de produção, diminuindo a ação de pragas e doenças que poderiam atingir essas culturas.

Ainda, contribui para o manejo de plantas não desejadas no sistema, o que, consequentemente, leva ao aumento da produtividade das culturas implantada. Vale destacar também que algumas leguminosas como, é o caso da crotalária, pode ajudar no manejo de nematoides e outros patógenos presentes no do solo, contribuindo com a recuperação e desenvolvimento das lavouras.

Esse consócio também pode apresentar algumas desvantagens, como: maior dificuldade no estabelecimento da área de produção, baixa disponibilidade de sementes no mercado, uma vez que, mesmo com uma grande oferta de leguminosas, a oferta de sementes ainda é baixa, e a necessidade de um maior cuidado no manejo, devendo-se levar em consideração as peculiaridades e características das espécies que serão implantas, o que faz do manejo um dos principais obstáculos desse consócio.

Por que investir no consórcio

A junção desses dois grupos de plantas tende a apresentar bons resultados, uma vez que uma supre a necessidade da outra, criando um sistema autossustentável. A persistência e o crescimento das gramíneas tropicais são modulados e frequentemente limitados pela deficiência de N no solo.

Para resolver esse problema existem duas formas práticas de se aumentar o suprimento de N no solo objetivando a melhoria da produtividade das gramíneas. Uma delas consiste na aplicação de fertilizantes nitrogenados e a outra, na incorporação do N fixado pela simbiose realizada por leguminosas.

Sendo assim, o consórcio entre leguminosas e gramíneas tem muito a contribuir quando queremos reduzir o custo com adubação nitrogenada e elevar o teor de N no solo, uma vez que as leguminosas apresentam a capacidade de fornecer esse nutriente ao solo através da fixação biológica de nitrogênio.

Assim, a gramínea pode usufruir desse nutriente e o produtor não precisará pagar por esse produto e serviço. Além disso, os benefícios da utilização de plantas leguminosas na redução do processo de degradação são evidentes, contribuindo efetivamente na manutenção dos sistemas de produção, trazendo características mais sustentáveis e melhores resultados ao sistema de produção.

Manejo adequado

Para a adoção do consórcio entre gramíneas e leguminosas, se faz necessário avaliar alguns pontos críticos do processo, como as diferenças morfológicas entre os grupos de plantas, em que as gramíneas são mais eficientes na utilização de água, de alguns nutrientes minerais e apresentam maior eficiência fotossintética, que resulta na taxa de crescimento e potencial de produção de forragem superior à das leguminosas.

Deve-se levar em consideração também suas formas de crescimento e propagação diferenciada, sendo a gramínea mais agressiva e competitiva, pela presença de perfilhos e ramificações, enquanto a leguminosa apresenta grande dependência da planta-mãe, com pouco vigor e eficiência própria.

Assim, antes de implantar o seu sistema de produção o produtor deve conhecer as características das espécies que serão implantadas, evitando problemas com espaçamento, baixa resposta à adubação ou até mesmo baixa produtividade.

O manejo deve ser direcionado para favorecer as leguminosas, porém, sem comprometer a produtividade das gramíneas, escolhendo uma associação compatível entre a gramínea e a leguminosa, em que as condições climáticas não sejam limitantes, garantindo um suprimento adequado de nutrientes para otimizar o crescimento da leguminosa forrageira.

A crotalária

O plantio da crotalária deve ser realizado entre os meses de outubro a novembro. Em cultivos realizados nesses meses, o arranjo recomendado é de sulcos, com espaçamento de 30 cm e densidade de 30 plantas por metro linear ou 12 kg/ha em linha e 15 kg/ha a lanço.

Já quando a época de plantio ideal for de fevereiro/março/abril, recomenda-se a densidade de 40 plantas por metro linear e espaçamento de 30 cm entre sulcos de plantio ou 18 kg/ha em linha e 20 kg/ha a lanço.

O plantio da semente pode ser em linha, feito com a máquina, ou a lanço, quando for feito a lanço. É necessário que haja incorporação da semente de forma leve e superficial. O preparo de solo é o mesmo realizado para receber os toletes de cana.

Quando necessário o plantio tardio, recomendam-se os menores espaçamentos, pois é necessário uma população maior para compensar o menor crescimento. Na densidade informada esses arranjos proporcionarão elevada quantidade de nitrogênio, menor incidência de ervas e grande produção de biomassa e de sementes, em que a maior produtividade de biomassa será na primavera-verão e de sementes no outono.

Soja + cana

Alguns estudos mostram que o consórcio entre soja e cana-de-açúcar pode reduzir a produtividade desta última. Outros apontam a dificuldade do manejo desse consócio, uma vez que há muitos herbicidas utilizados na produção de soja que não podem ser utilizados na produção de cana, dificultando assim o manejo de plantas indesejadas. 

No entanto, a soja é uma boa opção para rotação de cultura (cana-soja), sendo comum na reforma de canaviais. Por ser uma leguminosa, a soja consegue fixar uma grande quantidade de nitrogênio ao solo, que é utilizado pela cana posteriormente, servindo como cobertura verde, diminuindo a população de plantas daninha na área de produção, erosão do solo, aumentando a matéria orgânica e agregando melhores características físicas e químicas ao perfil.

Além disso, apresenta-se como um subproduto ao produtor, gerando assim um lucro no período de entressafra da cana-de-açúcar.

Meiosi

Outra forma de trabalhar com soja e cana na mesma área é por meio de um sistema de Meiosi (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente), intercalando lavouras de interesse econômico e agronômico (amendoim e soja) com o canavial.

Mas, para isso, é preciso planejar bem a rotação de culturas para saber quais herbicidas podem ser utilizados na cana-de-açúcar que não afetarão a soja.

Quando trabalhamos com mais de uma cultura dentro de uma área produção, estas estão sujeitas à interação uma com as outras, o que pode prejudicar, de alguma forma, o desenvolvimento de alguma delas, quando mal escolhidas ou mal manejadas.

Para que haja sucesso na sua utilização, deve-se ter cuidado com a utilização de espécies e cultivares compatíveis, investir no arranjo de plantas adequado e escolha de época apropriada para introdução das espécies.

Sendo assim, podemos seguir algumas regras:

  • Combinar espécies de alto e amplo crescimento;
  • Combinar as plantas com raízes superficiais com as de raízes profundas;
  • Selecionar espécies com necessidades de água semelhantes (por exemplo, repolho que exige irrigação abundante não deve crescer junto com companheiros que requerem abastecimento de água escasso);
  • Combinar plantas que não competem pela luz solar (uma deve ser capaz de se desenvolver na sombra da outra);
  • Escolher culturas de crescimento lento e rápido. Nesse caso, quando os últimos forem colhidos, os primeiros terão espaço suficiente para se desenvolver.
  • Considerar as propriedades alelopáticas, que estão entre as principais desvantagens da consorciação de culturas. 
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