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domingo, junho 26, 2022
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Controle biológico de ácaros em morangueiro

Mário Eidi Sato

mesato@biologico.sp.gov.br

André Luis Matioli

almatioli@biologico.sp.gov.br

Pesquisadores do Instituto Biológico/APTA

 

Crédito José Salazar Júnior
Crédito José Salazar Júnior

O ácaro-rajado Tetranychus urticae (Acari: Tetranychidae) é uma das principais pragas da cultura do morango no Brasil. Seu ataque nas folhas, frutos e ramos pode causar perdas de até 80% à produção desta fruta.

Este ácaro, de coloração esverdeada, com manchas escuras na região mediana do corpo, de tamanho bem reduzido, com cerca de 0,35 mm de comprimento, apresenta elevada capacidade de dispersão, podendo ser transportado pelo vento e, principalmente, pelo homem. Produz grande quantidade de teia, quando em altas densidades populacionais.

Riscos

Seu controle ainda vem sendo realizado com o uso de acaricidas químicos, cujo impacto ambiental pode ser bastante significativo. Um dos problemas associados ao uso de agrotóxicos em morangueiro é o risco da presença desses produtos químicos em frutos, em níveis acima dos limites permitidos.

Um aspecto que deve ser lembrado é que o uso de acaricidas na cultura é problemático pelo fato de que colheitas de morango são realizadas diariamente e os frutos são consumidos in natura. O período de frutificação coincide com a fase de maior infestação da praga.

Mesmo quando aplicações regulares de acaricidas são realizadas, existem muitos casos em que o controle do ácaro-rajado se mostra ineficiente. Uma das razões desta ineficiência está associada ao desenvolvimento de resistência do ácaro-praga aos acaricidas.

Controle biológico

Pesquisas realizadas pelo Instituto Biológico indicam a presença de populações de ácaro-rajado, com mais de 70% de ácaros resistentes aos principais acaricidas utilizados em morangueiro, em diversos municípios paulistas, como Atibaia, Jarinu, Monte Alegre do Sul, Socorro, entre outros.

Nesse contexto, o uso de técnicas alternativas ao controle químico mostra-se necessário para viabilizar o controle do ácaro-praga em morangueiro. Uma das estratégias mais promissoras é o uso de ácaros predadores da família Phytoseiidae para o controle biológico da praga. As principais espécies utilizadas para o seu controle em morangueiro têm sido Neoseiulus californicus e Phytoseiulus macropilis.

Os ácaros predadores devem ser liberados em condições de baixa infestação do ácaro-praga, para minimizar os prejuízos. Estudos realizados pelo Instituto Biológico indicam que as liberações de predadores devem ser iniciadas quando a população da praga atinge níveis entre um e cinco ácaros-rajados por folíolo de morangueiro em pelo menos 50% dos folíolos amostrados.

Predador Neoseiulus californicus - Crédito Promip
Predador Neoseiulus californicus – Crédito Promip

Monitoramento

As avaliações podem ser realizadas semanalmente, com o auxílio de uma lupa de bolso com aumento de 20 vezes. No caso de infestações mais elevadas (ex.: acima de 10 ácaros-rajados por folíolo), com presença de teia, deve-se dar preferência ao predador da espécie Phytoseiulus macropilis, devido à sua maior capacidade de predação e de dispersão na cultura.

Em um estudo realizado na região de Atibaia (SP), em uma área de produção integrada de morango (PIMo), foram realizadas liberações de ácaros predadores (Neoseiulus californicus) em baixas densidades populacionais da praga (um a cinco ácaros-rajados por folíolo) e aplicações de acaricidas seletivos (ex.: propargite) somente quando a população da praga atingia níveis acima de 10 ácaros-praga por folíolo.

Com esse método foi possível uma redução de seis vezes no número de aplicações de acaricidas, em relação a um cultivo comercial de morango, onde foram realizadas aplicações semanais de acaricidas visando ao controle do ácaro-rajado.

Apesar do número menor de aplicações na área de PIMo, a infestação da praga foi mais baixa e as plantas de morango mostravam-se mais vigorosas que a da área de produção convencional.

Severidade

Em caso de altas infestações da praga, em períodos mais quentes e secos do ano, podem ser realizadas aplicações de neem (Azadirachta indica) para a redução populacional da praga.

Extratos de algumas plantas (ex.: alho) também podem ser úteis no controle do ácaro-praga. Um das vantagens associadas ao uso de neem é a sua compatibilidade com os ácaros predadores, não causando mortalidade significativa nesses organismos benéficos.

Em períodos mais úmidos do ano, também podem ser utilizados fungos entomopatogênicos, como os das espécies Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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