Controle da maturação do caqui

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Auri Brackmann

Doutor em Ciências Agrárias e professor adjunto da Universidade Federal de Santa Maria

auribrackman@gmail.com

 Créditos Pixabay
Créditos Pixabay

A produção brasileira de caqui (Diospyrus kaki L.) tem crescido na última década, tendo em vista os elevados rendimentos que a cultura proporciona, com a área plantada superior a 8.000 hectares (IBGE, 2012).

Uma das principais cultivares de caquizeiro é a Fuyu, que apresenta características como frutos sem sementes, polpa branco-amarelada, sabor adocicado, sem adstringência, com baixa acidez e epiderme amarelo-avermelhada.

Apesar dos aumentos tanto na oferta quanto na demanda de caquis no mercado nos últimos anos, uma maior expansão na produção não tem ocorrido devido aos problemas ocasionados por falta de tecnologias capazes de manter a oferta do produto por um longo período.

A concentração da colheita em um curto período de tempo, associada ao uso de poucas cultivares, a incidência de distúrbios fisiológicos e rápido amadurecimento dos frutos são alguns dos principais entraves à expansão desta cultura.

 A firmeza de polpa dos caquis varia muito em função da condição de maturação em que os frutos se encontram - Créditos Pixabay
A firmeza de polpa dos caquis varia muito em função da condição de maturação em que os frutos se encontram – Créditos Pixabay

Conservação

O uso do armazenamento, principalmente em atmosfera controlada e em temperaturas próximas a 0°C, tem apresentado resultados promissores na conservação de caquis por um longo período. O uso do 1-MCP também apresenta bons resultados, mas é uma técnica que deve ser utilizada de forma complementar à atmosfera controlada.

Fruto climáterico

Frutos climatéricos são aqueles que continuam seu processo de amadurecimento após serem destacados da planta-mãe. Além disso, a exposição desse tipo de fruto, após colhido, ao hormônio etileno causa um aumento irreversível em sua atividade respiratória, o que acelera sua perda de qualidade após a colheita.

Já os frutos não climatéricos são aqueles que não continuam seu processo de amadurecimento após serem colhidos. A principal implicação disso é que eles deverão ser colhidos no ponto ideal de consumo e possuem pouca resposta aos métodos tradicionais de armazenamento, principalmente em atmosfera controlada.

O caqui tem uma baixa taxa de produção de etileno - Créditos Pixabay
O caqui tem uma baixa taxa de produção de etileno – Créditos Pixabay

O etileno

O caqui tem uma baixa taxa de produção de etileno, mas também apresenta alta sensibilidade a este hormônio, o que quer dizer que o pouco etileno produzido pelo fruto é o suficiente para acelerar sua maturação.

Importância do AVG e 1-MCP na maturação

O AVG é um composto que inibe a atividade de uma enzima responsável por formar o etileno, o hormônio responsável pelo amadurecimento, nas células dos frutos. Com a menor formação de etileno pelo fruto há uma diminuição na velocidade do processo de amadurecimento, possibilitando o retardamento da colheita e, em alguns casos, o favorecimento do armazenamento.

Já o 1-MCP liga-se ao receptor onde normalmente ocorre a ligação do etileno, impedindo assim que esse hormônio exerça sua função, ou seja, o 1-MCP retarda o processo de amadurecimento.

Firmeza do fruto

 

A firmeza de polpa dos caquis comercializados varia muito em função da condição de maturação em que os frutos se encontram. Frutos recém-colhidos possuem uma firmeza de polpa geralmente maior que 60 a 70 N, enquanto que, com o passar dos dias na prateleira, essa firmeza vai reduzindo até chegar a valores muito baixos, em torno de 10 N, quando os caquis encontram-se totalmente moles.

A maioria dos consumidores prefere frutos firmes, mas muitos gostam de frutos com polpa fundente.

Não se iluda

Muitos produtores recomendam, para o uso doméstico, colocar vinagre para acelerar a maturação. O vinagre contém ácido acético que, absorvido pelo fruto, poderá ser transformado em etanol e aldeído acético, que é um composto que destaniza o caqui e ao mesmo tempo acelera sua maturação.

Como normalmente só se deseja destanizar o caqui e manter a firmeza da sua polpa, é melhor usar um tratamento de 24 horas com gás carbônico numa concentração de 70%.

Atenção

O AVG é muito usado em maçãs, mas em caqui ainda está em fase de teste e, por isso, ainda não tem registro no Brasil. Na aplicação de qualquer produto químico, no pomar ou pós-colheita, é sempre importante que o fruticultor siga as recomendações, como período de carência e dose recomendada pelo fabricante e regulamentada pelos Ministérios da Agricultura e da Saúde, para que não haja nenhum tipo de contaminação e o resíduo do produto esteja dentro do limite tolerável.

Já o 1-MCP é um composto gasoso liberado para aplicação em diversas frutas, inclusive o caqui, na câmara de armazenagem e considerado de baixa toxicidade. Além disso, se ele for aplicado antes do armazenamento será totalmente metabolizado pelo fruto até que ele chegue ao consumidor.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2015  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.