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quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Controle de doenças de solo

Mário Calvino PalombiniEngenheiro agrônomo e proprietário da Vermelho Natural vermelhonatural@hotmail.com

Morango – Foto: Shutterstock

O maior limitador da produção de morangos no solo são os altos índices de mortalidade de plantas, causado pelas doenças de solo. Para amenizar estes problemas, em muitos países se adota a técnica de esterilização de solo.

O principal produto utilizado para esse fim foi o brometo de metila, que hoje é proibido ou tem a sua utilização limitada a situações específicas na maioria dos países. O substituto ao brometo de metila é uma combinação de vários princípios ativos utilizados simultaneamente.

No caso do Brasil, possui somente um, o metan sódico, mas sua utilização tem eficiência apenas em esterilização de substrato. Mesmo assim, é pouco utilizado pelo seu alto custo, sua enorme dificuldade de manejo e sua alta toxidade, tanto para as plantas como humana. Resta-nos duas opções, o sistema fora de solo com substrato inerte e isento de doenças ou a produção no solo com métodos menos eficientes de controle.

Fitossanidade

As doenças de solo compreendem vários tipos de fungos patogênicos. Os principais são     Phytophthora fragariae, Phytophthora cactorum, Colletotrichum acutatum, Colletotrichum gloeosporioides, Colletotrichum fragariae, Verticillium, Fusarium spp. e Cylindrocarpon destructans. Cada gênero e espécie possuem ações e sintomas diferentes.

Muitas dessas doenças são nativos e possuem capacidade de se perpetuar nos solos indefinidamente. Também podem ser introduzidas nas áreas de produção por mudas contaminadas e dispersadas pelos equipamentos agrícolas.

Destas doenças, o gênero mais comumente encontrado no solo é a Phytophthora spp, que ocorre principalmente nos períodos mais quentes do ano. Sua forma de ação consiste em atacar o rizoma, causando necrose ampla na região mediana da corola de cor escuro-rosada.

O sintoma inicial é o abatimento da folha nos períodos mais quentes do dia. A planta é facilmente arrancada, seguido de senescência, atrofia e posteriormente a morte. Seu ataque inicial ocorre em uma planta específica, ampliando para as plantas mais próximas e, posteriormente, causando danos em reboleiras. Por este processo avança, inviabilizando economicamente a plantação. Por permanecer no solo indefinidamente, compromete as plantações futuras.

Recomendações

Para quem irá fazer o cultivo em solo, é recomentado tomar os respectivos cuidados para amenizar o problema. A primeira observação é qual o tipo de cultivo que irá adotar. Os cultivos de variedades de dias curtos, com produção de inverno e somente um ano de cultivo com a mesma planta possuem menos problemas.

No caso de cultivo de verão com variedades de dias neutros, dois anos de cultivo com a mesma planta, a incidência será maior, principalmente a partir de dezembro do segundo ano de cultivo.

A escolha da área de produção é fundamental – evite locais com excesso de umidade, pois as doenças necessitam de alta umidade para se desenvolver. Conheça o histórico de, no mínimo, os últimos cinco anos das culturas que foram cultivadas na área, e verifique se são suscetíveis às mesmas doenças de solo que a da cultura do morango.

O manejo do solo antes do plantio compreende o plantio de aveia em alta densidade e a sua incorporação ao solo no período de sua maior biomassa, no estágio que antecede o florescimento. A incorporação deve ser feita com aração, seguida de gradagem. A aveia possui substâncias tóxicas à Phytophthora spp.

Antes do plantio, quando se trata de mudas de raiz nua, deve-se mergulhar as mudas em uma solução que contenha o ingrediente ativo Metalaxil-M, para amenizar uma possível presença de doenças de solo oriundas do viveiro. No caso de mudas em tray plants ou mini tray plants (mudas em bandejas), que foram produzidas em substratos inertes e sem a presença de patógeno, este processo não é necessário.

Próxima etapa

Após o plantio, existem dois processos que podem ser adotados no tratamento de solo: químicos ou biológicos. No tratamento químico, são feitas três pulverizações quinzenais na gema, por inundação, com o ingrediente ativo Metalaxil-M. Após este tratamento, utilize mensalmente o ingrediente ativo Metalaxil-M nas fertirrigações.

No tratamento biológico, utilize na mesma forma que o tratamento químico com Trichoderma harzianum, ou a combinação de Trichoderma harzianum, T. asperellum e T. koningiopsis.

Como tratamento complementar, pode-se utilizar Fosetil-AL ou fosfito de potássio via adubação foliar. Estas medidas não garantem a eliminação total das doenças na lavoura, mas retardam o seu desenvolvimento, prolongando a sua viabilidade economicamente.

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