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quarta-feira, julho 6, 2022
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Controle de pragas e doenças do tomateiro no Sul do Brasil

Mariane Gonçalves Ferreira

Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

marianegonferreira@gmail.com

Flávia Maria Alves

Engenheira agrônoma, mestre em Produção Vegetal e doutoranda em Fitotecnia pela UFV

flaviamarialves@gmail.com

Carlos Nick

Engenheiro agrônomo, doutor e professor da UFV

carlos.nick@ufv.br

 

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

O Brasil, na safra 2015, cultivou uma área que atinge 60 mil hectares, e produziu aproximadamente 3,68 milhões de toneladas de tomate. A região sul, composta pelos Estados do Paraná (PR), Santa Cataria (SC) e Rio Grande do Sul (RS) responde por 18% da produção nacional.

Os principais municípios produtores de tomate destes Estados são: Reserva (PR), Londrina (PR), Caçador (SC), Urubici (SC), Caxias do Sul (RS) e Nova Bassano (RS). A produção e a área cultivada com tomate no Rio Grande do Sul de 2011 para 2015 aumentou 117 mil toneladas e 2.157 hectares, respectivamente.

Apesar disso, o Paraná é o maior produtor da região sul (261,351 mil toneladas) e é o quarto maior do Brasil, o que representa 7% de toda produção nacional. Já o Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor (221,861 mil toneladas) na região sul, seguido de Santa Catarina, com 180,486 mil toneladas de tomate. A produtividade média do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul é 60, 68 e 49 toneladas por hectares, respectivamente.

Pragas

Na região sul as pragas que mais comprometem o ciclo da cultura são, principalmente, o microácaro (Aculopslycopersici), broca pequena do tomateiro (Neoleucinodeselegantalis), broca grande do tomateiro (Helicoverpa zea), tripes (Frankliniellaschultzei), mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B), traça do tomateiro (Tuta absoluta) e mosca minadora (Liriomyza spp.).

Já as principais doenças são a pinta-preta (Alternariasp.), septoriose (Septorialycopersici), requeima (Phytophthorainfestans), murchadeira (Ralstoniasolanacearum), talo-oco (Pectobacterium sp.), mancha bacteriana (Xanthomonasgrardneri e Xanthomonasperforans) e alguns tipos de vírus.

 O controle fitossanitário utilizado no Sul é, principalmente, o químico - Crédito Ana Maria Diniz
O controle fitossanitário utilizado no Sul é, principalmente, o químico – Crédito Ana Maria Diniz

Controle

O controle fitossanitário utilizado nessas regiões é, principalmente, o químico. Esse método é necessário devido à rápida disseminação dos patógenos na área de produção, as quais provocam rigorosas perdas.

As aplicações de fungicidas são realizadas de forma preventiva, com intervalos de dois a cinco dias. No entanto, a utilização de cultivares resistentes pode minimizar a utilização do controle químico. Vale ressaltar que a diversidade existente entre os patógenos é capaz de suplantar a resistência das variedades, tornando assim esse método pouco eficaz.

Outra prática de importância para o controle de pragas e doenças é a preventiva. O objetivo desse método de controle é a redução do inóculo inicial por meio de práticas básicas de sanidade.Dentre as práticas utilizadas estão a retirada de restos de culturas em decomposição da área de produção, controle de plantas daninhas e voluntárias, utilização de sementes e mudas de qualidade, livres de patógenos, e a rotação de cultura com espécies que não sejam suscetíveis aos mesmos patógenos.

Independente do sistema de controle adotado, nesta região o cuidado deve ser intensificado, uma vez que as condições edafoclimáticas propiciam condições favoráveis para o desenvolvimento de certos patógenos, além do ataque de insetos-praga.

Medidas alternativas

Na região, a utilização do sistema de previsão é uma alternativa para o controle de pragas e doenças. Esse sistema pode auxiliar o agricultor a decidir quando o controle deverá ser realizado, bem como os períodos com condições favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos.

Por meio desse sistema é possível reduzir a quantidade de fungicidas aplicados nas lavouras, reduzir os custos de produção, preservar os recursos naturais, reduzir a exposição dos aplicadores a defensivos, além de reduzir os resíduos nos produtos.

Na região do Vale do Peixe, onde se encontra cerca de 64% da produção do tomate do Estado de Santa Catarina, é utilizado o sistema de previsão para o controle da pinta-preta (Alternaria solani).

Lá são utilizados alertas que empregam variáveis climáticas, como temperatura e molhamento foliar para determinar o momento de realizar as pulverizações com fungicida.

O sistema de previsão, nas regiões do Sul, também é adotado para o controle da requeima (Phytophthorainfestans). O acesso para os alertas da doença na cultura do tomateiro é disponibilizado pelo Agroconnect, da Epagri-Ciram.

Essa matéria você encontra na edição de setembro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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