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Controle de pragas e doenças em folhosas

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Uma inovação da pesquisa atual é a utilização de antagonistas microbianos.

As armadilhas com feromônios são outra tática inovadora que está sendo empregada nos cultivos modernos

Kethelin Cristine Laurindo de OliveiraEngenheira agrônoma, professora de Fitopatologia e mestra em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)kethelin.oliveira@unemat.br

Fernanda Lourenço DippleEngenheira agrônoma, professora de Entomologia e mestra em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – UNEMAT fernanda.dipple@gmail.com

Rayene Camila Cardoso Pereira Graduanda em Agronomia – UNEMAT rayenecardosoo@gmail.com

Marla Sílvia DiamanteDoutora em Agronomia/Horticultura – UNESPmarlasdiamante@gmail.com

Santino Seabra JuniorProfessor de Olericultura e dos Mestrados: Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola e Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos da UNEMATsantinoseabra@hotmail.com

Folhosas – Créditos: shurtterstock

O cultivo de folhosas é realizado em sistemas intensivos de produção, podendo ser produzido no solo, recipientes ou sobre hidroponia. De modo geral, é realizado em pequenas áreas localizadas próximas aos centros consumidores, nos locais chamados “cinturões verdes”, ou até mesmo na agricultura urbana, regiões que margeiam a cidade e facilitam a distribuição destas espécies que são tão perecíveis e necessitam que as colheitas sejam diárias.

Esta limitação de espaço faz com que o agricultor intensifique seu sistema de cultivo, se especialize em algumas culturas e com isso, seja mais eficiente no emprego de táticas de manejo que reduzam a alta pressão de pragas e patógenos, agentes causadores de danos e muitas vezes inviabilizando o produto para comercialização.

Dessa forma, os produtores acabam aumentando o uso de agrotóxicos, para possibilitar o cultivo, mas isso pode causar desequilíbrio no sistema de produção, contaminação dos alimentos e resíduos no meio ambiente. Este modelo de cultivo acarreta a simplificação das cadeias tróficas, provocando o desequilíbrio nos agroecossistemas, reduzindo os inimigos naturais, responsáveis pelo controle biológico de pragas, necessitando maior aporte de defensivos agrícolas.

Principais pragas e doenças em folhosas

Devemos informar que muitos insetos estão presentes nos sistemas de produção de hortaliças folhosas, porém, nem todos podem ser considerados pragas, pois alguns desses insetos podem ser benéficos (predadores, parasitas e polinizadores), e outros que se alimentam das hortaliças, mas devido à sua baixa infestação não ocasionam dano econômico, suas populações são baixas, estão em equilíbrio e não causam prejuízo ao agricultor.

No caso das doenças, podemos classificar em dois tipos, as de causa abiótica que são distúrbios fisiológicos causados por deficiência nutricional, ou ocasionado por algum fenômeno climático, porém, não são transmitidos entre as plantas. Já as doenças de causa biótica, causada por vírus, bactérias, fungos ou nematoides, podem ser disseminadas entre as plantas, sementes, mudas e ferramentas contaminadas, e até pelo homem.

Para ocorrer uma doença na planta, é necessário a interação entre três fatores: primeiro a presença de um hospedeiro suscetível, como por exemplo, uma cultivar de alface suscetível àquele organismo patogênico, o segundo fator é a presença do microrganismo causador da doença (patógeno virulento) no sistema de cultivo, e o terceiro fator é que esse ambiente (temperatura e umidade) deve estar favorável para que o organismo consiga sobreviver, multiplicar e hospedar na planta.

Dessa forma, ocorre a infecção do patógeno na planta. Dependendo da interação dos fatores, a doença pode ser mais severa, ocasionando maiores danos às plantas e, consequentemente, maiores prejuízos ao agricultor.

Podemos citar como exemplo a presença da Xanthomonas campestris pv. Campestris, patógeno responsável pela doença podridão-negra (Tabela 1), que ocorre em couve e outras brássicas. Em condições de alta umidade e temperatura, podem ocasionar danos severos numa lavoura de repolho, promovendo danos de até 100% na produção, quando a cultivar utilizada é suscetível à doença.

Condicionamento para pragas e doenças

Muitos fatores ambientais, como alta temperatura, alta incidência de chuvas, molhamento foliar, encharcamento do solo e períodos de baixa precipitação são diferentes condições que podem contribuir para o aumento da pressão de pragas e doenças em hortaliças folhosas, ou seja, cada organismo causador de danos tem condições ambientais favoráveis à sua multiplicação e desequilíbrio, podendo provocar danos aos cultivos.

Como exemplo, no verão, quando prevalecem períodos com altas temperaturas, umidade e encharcamento do solo, podem ocorrer podridões causadas por Fusarium oxysporum f. sp. Lactucae na maioria das cultivares de alface comerciais e outras espécies de Asteráceas.

Já no inverno, uma das principais doenças da cultura é o míldio (Bremia lactucae), em condições de temperatura variando de 12 a 20ºC, alta umidade e presença de filme d’água na folha (Tabela 1).

Tabela 1. Principais doenças que prejudicam a produção de folhosas no Brasil, destacando as culturas afetadas, o agente causal, qual o ambiente favorável e os sintomas da doença.

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