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terça-feira, junho 28, 2022
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Controle eficiente do mosaico dourado do feijoeiro

Josias Correa de Faria

Eliane Dias Quintela

Pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão

 

Créditos Josias Correia de Faria
Créditos Josias Correia de Faria

As plantas de feijão atacadas pelo mosaico dourado ficam anãs, amareladas, como que anêmicas, e as folhas encarquilhadas. As vagens e os grãos ficam deformados e muitas flores são abortadas. O agricultor que vê o problema no campo sabe o futuro: se tiver sorte, irá lidar com perdas em torno de 40% da lavoura, mas corre o risco de perder tudo.

A descoberta

Em 1961, quando a doença foi descoberta, não se acreditava que teria nenhuma importância econômica, porque eram poucas plantas doentes, embora os sintomas fossem bastante severos ou fortes. Por volta de 1965, com o aumento das áreas com lavouras de soja, foram relatados grandes surtos de mosca-branca no Paraná, e aumento de mosaico dourado em São Paulo e no Paraná, e logo depois no Triângulo Mineiro.

Neste período verificou-se que a doença era causada por um vírus, e que havia um inseto responsável pela sua transmissão ” a mosca-branca Bemisia tabaci. Os sintomas são extremamente característicos, e quando alguém, mesmo novato, é exposto ao mosaico dourado, nunca mais se esquece.

Carlavirus- mosaico angular em feijoeiro Jalo - Créditos Josias Correia de Faria
Carlavirus- mosaico angular em feijoeiro Jalo – Créditos Josias Correia de Faria

Sintomas

Para aparecer o mosaico dourado é preciso haver mosca-branca, e se o feijão for recém-germinado (6-7 dias do semeio) e houver o ataque da mosca, em cerca de 10 dias aparecem os primeiros sintomas, quando houver folhas verdadeiras ou trifoliadas. Logo, não se vê sintomas nas folhas cotiledonares ou primárias.

Neste primeiro trifólio (14 a 16 dias do semeio) os sintomas começam com o surgimento de clareamento das nervuras, clorose dos espaços internervais, seguido de amarelecimento característico, bem intenso, com manchas douradas inequívocas seguindo as áreas entre as nervuras.

Os folíolos frequentemente aparecem curvados para baixo ou encarquilhados, ocorrendo clareamento e/ou clorose das nervuras. Àmedida que a planta se desenvolve, o sintoma pode cobrir toda a folha, com intensidade variável de acordo com a cultivar, desenvolvendo o sintoma de mosaico.

Pode haver deformações foliares variadas, encarquilhamento, nanismo, superbrotamento e retardamento de senescência. Cultivares andinos podem mostrar folhas esbranquiçadas, em idade mais avançada.

Durante a floração, as plantas doentes precocemente têm alta proporção de abortamento floral, e se houver umidade do solo, tendem a continuar a vegetar por mais tempo que alguma planta sadia, ou tardiamente infectada, se existir.

As vagens (se houver) são muito deformadas, com grãos pequenos ou ausentes, descoloridos, com redução em massa, tamanho e qualidade. Ao nível celular, observado com aumento de 1.000 vezes, há aumento do nucléolo que se condensa em regiões granulares ou fibrilares, na forma de anéis, de tamanho e número variável (é um sintoma intracelular presente em todos os geminivírus).

Sintomas do mosaico dourado no feijoeiro - Créditos Josias Correia de Faria
Sintomas do mosaico dourado no feijoeiro – Créditos Josias Correia de Faria

Condições para o ataque

O mosaico dourado não passa pelas sementes, mesmo que estas possam ter sido colhidas de uma lavoura infectada. Ele depende da mosca-branca (Bemisia tabaci) para sua transmissão, e, portanto, as condições propícias para o ataque são as mesmas para criar a mosca-branca, que chamamos de vetor.

Em analogia à dengue, cujo vetor é o Aedes aegypti, que precisa de criatórios (água estagnada), aqui, a mosca-branca também precisa, que são plantas de mais de 500 diferentes espécies, mas que incluem lavouras importantes, como a soja, algodão, muitas hortaliças, além do feijoeiro.

Embora muitos hospedeiros da mosca-branca sejam plantas silvestres, se pensarmos no tamanho da área cultivada apenas com soja, estimada em 33,02 milhões de hectares para a safra 2015/16 (segundo dados da Celeres), torna-se difícil pensar em outro hospedeiro mais importante.

Além de ser hospedeira da mosca-branca, a soja hospeda o vírus do mosaico dourado em alguma proporção, não devidamente conhecida. Diante destes fatos, a proximidade de soja pode significar a condição mais propícia que existe para a mosca-branca se multiplicar.

Temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento do inseto, que completa um ciclo em menos de 30 dias. Cada mosca põe cerca de 300 ovos em sua vida. Além de transmitir o vírus, a mosca-branca causa danos diretos às plantas pela sucção da seiva, e deixa excreções açucaradas, onde podem crescer fungos saprofíticos, deixando o aspecto de fuligem, e interferindo na fotossíntese.

Lavoura de feijão atacada pelo mosaico - Créditos Josias Correia de Faria
Lavoura de feijão atacada pelo mosaico – Créditos Josias Correia de Faria

Prejuízos

Os prejuízos são de dois tipos: sobre a qualidade dos grãos colhidos, e causando a redução da produtividade da lavoura. Em casos de severo ataque de mosaico dourado, até cerca de 30-35 dias da germinação, a perda pode ser total, não compensando conduzir a lavoura até o final do ciclo.

Anualmente, acredita-se em perdas em torno de 20-40% da produção por mosaico dourado, em média. Nos casos de incidência moderada até ao início da floração, as perdas de produtividade serão menores, mas proporcionais à percentagem de plantas com mosaico até os 35-45 dias após a germinação. As plantas que aparecerem com sintomas após o final da floração terão perdas menos expressivas pela doença.

Essa matéria completa você encontra na edição de dezembro 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

 

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