27.7 C
São Paulo
terça-feira, maio 17, 2022
- Publicidade -
- Publicidade -
Inicio Revistas Hortifrúti Correto manejo de adubação da abóbora tetsukabuto

Correto manejo de adubação da abóbora tetsukabuto

Crédito Ana Maria Diniz

Antônio Spiassi Silva Pereira Mendes
Engenheiro agrônomo − Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (Unifio)
antoniospiassimendes@gmail.com

A abóbora tetsukabuto apresenta características mercadológicas e produtivas atrativas aos olericultores, principalmente do Estado de Minas Gerais, polo produtor da cultura no Brasil, como a rusticidade, precocidade, valor agregado compensatório, elevado potencial produtivo (8 a 15 ton ha-1, a depender da cultivar), uniformidade dos frutos, resistência ao manuseio e tempo de prateleira extenso.
Todavia, esses atributos só são inteiramente expressos mediante o emprego correto de técnicas de manejo, como uma adubação consciente, estipulada por meio de avaliações fundamentadas em conceitos agronômicos validados, tais como os que se seguem.

Calagem

O calcário, preferencialmente dolomítico (28% de CaO e 16% de MgO, em média), deve ser aplicado em área total de maneira parcelada, metade antes da aração e metade antes da gradagem, 90 dias antes do plantio, e tem por objetivo a elevação da saturação por bases a 80% e a manutenção do teor de magnésio no mínimo em 9,0 mmolc/dm3.
O pH ideal para a cultura oscila entre 5,5 e 6,5, sendo definido pelo tipo de solo e teor de matéria orgânica presente. A aração e a gradagem requerem execução à profundidade de 20 cm, intercaladas pela deposição do calcário, empenhando-se para que seja alcançado o menor intervalo de tempo possível entre as operações, a fim de incorporar o corretivo dentro do cronograma pré-estabelecido e viabilizar tempo suficiente para sua reação com o solo.
A reação demanda umidade para ocorrer, tornando indispensável a irrigação periódica em situações em que não chova satisfatoriamente.

Adubação verde

Durante o período da reação corretiva e neutralizadora do alumínio tóxico, iniciado a partir da incorporação do calcário, o solo ficará exposto com o revolvimento das operações de preparo, o que faz da semeadura de um mix de plantas de cobertura não só vantajosa, pelo ponto de vista da melhora na estrutura e injeção de carbono, mas também fundamental no combate à erosão e lavagem da camada superficial.
A intervenção com rolo-faca antes da floração dessas culturas produz um tapete de palha sobre a cultura, tardando a emergência de plantas daninhas indesejadas na área e diminuindo os custos com seu manejo.
Esse consórcio pode abranger representantes das leguminosas que, em associação com bactérias do gênero Rhizobium, produzem nódulos radiculares capazes de fixar o nitrogênio atmosférico, assimilado pela planta em seguida e incorporado ao solo na ocasião do acamamento da palhada.
Podem ser utilizadas as espécies Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis, mucuna preta, mucuna anã, mucuna cinza, lab-lab, feijão de porco e feijão guandu. As gramíneas, com seu rápido desenvolvimento e alta produção de matéria seca em curto espaço de tempo, são interessantes para a associação, tendo como representantes o milho, milheto, sorgo e espécies do gênero Brachiaria.
Como principal representante da família das crucíferas na adubação verde, o nabo forrageiro apresenta elevada capacidade de ciclagem de nitrogênio e fósforo mesmo em seu curto intervalo de estabelecimento.
Já o trigo mourisco, poligonácea rústica e precoce, cicla e solubiliza o fósforo indisponível e estimula a atividade das micorrizas, fungos que ajudam na absorção e distribuição de nutrientes entre as plantas e aumenta suas tolerâncias a patógenos. Ambos devem ser cogitados como integrantes obrigatórios em coberturas.

Adubação orgânica

A incorporação de adubo orgânico no solo pode ser realizada, visando a otimização do emprego da mão de obra e simplificação das operações, em conjunto com a adubação mineral de plantio, pelo menos 15 a 20 dias antes da semeadura ou transplante das mudas para o campo.
A dosagem a ser aplicada dependerá do teor de matéria orgânica presente no solo, das condições físico-químicas em que ele se encontra, que podem ser melhores ou piores, dependendo do manejo realizado anteriormente na propriedade.
Em geral, recomenda-se a distribuição diretamente nas covas ou sulcos de 10 a 20 ton ha-1 de esterco bovino curtido ou composto orgânico. Caso não haja disponibilidade desse insumo ou seu custo seja elevado com relação a outras fontes de adubação orgânica, ele pode ser substituído por ¼ da dose em esterco de aves (cama de frango) ou 1/10 da dose em torta de mamona fermentada.
Para calcular a porção que deve ser aplicada em cada cova, divide-se a quantidade total de fertilizante recomendada por ha-1 pelo número de plantas, definidas pelo espaçamento de plantio. No espaçamento largamente utilizado de 3 x 2 m, por exemplo, o número de plantas por hectare será de 1.667 plantas, culminando na distribuição de 6,0 a 12 kg de esterco bovino por cova.
O cálculo do montante a ser aplicado por metro linear de sulco é feito dividindo-se a quantidade total de fertilizante recomendada por hectare pelo número de sulcos e, posteriormente, pelo comprimento do sulco. Pautando-se no mesmo espaçamento do exemplo anterior, cada metro linear de sulco deve receber de 3,0 a 6,0 kg de esterco de curral curtido.

Adensamento

Plantios mais adensados (maior número de plantas/ha-1), resultantes da adoção de menor espaçamento entre plantas e entrelinhas, demandam o aporte de maiores quantidades de fertilizante orgânico, uma vez que a produtividade esperada em um sistema como esse é maior e o suprimento de mais nutrientes torna-se essencial para a confirmação desse potencial produtivo.
A competição por nutrientes e espaço para desenvolvimento do sistema radicular também será intensificada com a aproximação entre uma planta e outra, motivo pelo qual uma adubação em área total com o dobro das doses anteriormente descritas apresenta-se como uma alternativa viável.
Vantagens associadas a essa opção são a facilidade e precisão com que esse adubo será igualitariamente dividido entre as plantas, a economia de tempo em sua distribuição e a eliminação de sítios do solo deficitárias em nutrientes para onde as raízes possam se expandir. Quanto a esse último ponto, fornecer nutrientes além dos limites do berçário (na entrelinha) incentiva o espalhamento das raízes.

Inicio Revistas Hortifrúti Correto manejo de adubação da abóbora tetsukabuto