Correto manejo nutricional do pimentão

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Ripe and unripe bell peppers with water drops growing on bushes in the garden. Bulgarian or sweet pepper plant.

Mirela Maria Maganha
Graduanda em Engenharia Agronômica – Faculdade Gran Tietê
mirelamaganha@gmail.com
Bruno Novaes Menezes Martins
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia/Horticultura e professor das Faculdades Gran Tietê e Galileu
brunonovaes17@hotmail.com

O pimentão (Capsicum annuum L.) está entre as hortaliças mais procuradas no mercado, podendo ser consumido de diferentes formas, apresentando grande valor em volume comercializado.
A cultura do pimentão responde bem à calagem, bem como às adubações orgânica e mineral. Para obtenção e manutenção de altas produtividades, um dos fatores fundamentais é o manejo correto da adubação, podendo aperfeiçoar os métodos de utilização da adubação orgânica e mineral, com o objetivo de maximizar o potencial produtivo da cultura.
A maioria dos solos brasileiros não apresenta condições adequadas para sustentar o correto desenvolvimento das culturas. Para sanar esse problema, diversos recursos são utilizados para a avaliação da fertilidade do solo, destacando-se a análise do solo, ferramenta essencial para estabelecer quantidades de corretivos e fertilizantes a serem aplicados na área agrícola.
A técnica objetiva não somente elevar ou manter os teores dos elementos no solo em faixas ideais, mas também diagnosticar problemas de toxidez de alguns elementos, de forma que possa gerar retorno econômico o mais favorável possível.

Exigências

A exigência nutricional do pimentão varia ao longo do ciclo, intensificando-se a partir dos 75 dias após o transplante. De acordo com Santos (2005), de maneira geral observou-se que os elementos mais absorvidos pelos frutos foram o potássio e o nitrogênio, seguidos de fósforo, enxofre, cálcio e magnésio. Destaca-se também que o nitrogênio, o fósforo e o potássio acumularam-se na parte vegetativa e nos frutos, enquanto somente 6% do cálcio total absorvido pela planta e 17% do magnésio encontravam-se nos frutos, ficando a maior parte desses elementos nas folhas.
Segundo Silva (1998), a exportação total de nutrientes pela planta se apresenta na seguinte ordem decrescente: K>N>Ca>Mg>S>P. Entretanto, os valores de acúmulo de nutrientes em plantas de pimentão são bastante variados, podendo ser influenciados pela característica da cultivar, tempo de condução da cultura no campo e também referente às condições ambientais do local.

Calagem

A reação do solo é o primeiro fator que precisa ser conhecido em uma gleba a ser cultivada. Sendo desfavorável, devem ser tomadas medidas corretivas com antecedência aos cultivos.
Quando o solo está ácido (pH baixo), ocorre menor disponibilidade de determinados nutrientes, como o fósforo e o molibdênio, aumento da toxidez de alumínio e prejuízos à atividade microbiana, com reflexos negativos na nutrição da planta. Sabe-se que os nutrientes têm sua disponibilidade determinada por vários fatores, dentre as quais está o valor de pH.
O pH é uma das mais importantes determinações em solos, servindo como referência e indicador direto da acidez do solo, o qual consiste na concentração de íons hidrogênio na solução do solo.
Tais problemas de acidez e disponibilidade de nutrientes podem ser amenizados com a elevação do pH, com a adição de calcário (carbonato de cálcio e de magnésio), que além de neutralizar o alumínio tóxico, resulta em ganhos de produção.
Portanto, os solos deverão ser corrigidos aplicando-se calcário dolomítico para elevar a saturação por bases a 80% e o teor de magnésio a um mínimo de 9,0 mmolc/dm3, processo que ocorre durante a gradagem em um período que antecede em 60 dias do transplantio.
O calcário deve ser distribuído e incorporado ao solo, com metade da dosagem aplicada por ocasião da aração e a outra metade na gradagem. O pH desejado para a cultura fica entre 5,8 a 6,3.
Ressalta-se que a reação do calcário no solo ocorre na presença de umidade. Quanto menor seu poder relativo de neutralização total (PRNT), mais lento o processo de neutralização da acidez.

Adubação de plantio

De acordo com a Embrapa, a quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo e nos boletins de recomendação de cada região. Em solos de fertilidade mediana ou baixa, na falta de dados regionais de pesquisa, sugerem-se as seguintes doses de macronutrientes (kg/ha): 40; 300-550 e 120 – 180 kg ha¹ de N, P2O5 e K2O, respectivamente. Os fertilizantes devem ser aplicados 10 dias antes do transplante das mudas, no sulco de plantio.
Outro ponto importante seria a adubação orgânica, tendo em vista que a mesma desempenha um papel fundamental na manutenção das funções do solo, dada a sua influência na estrutura e estabilidade do solo, retenção de água, biodiversidade e como fonte de nutrientes para as plantas.
Recomenda-se a aplicação de 10 – 20 t.ha¹ de esterco de curral curtido, ou 1/4 dessas quantidades de esterco de galinha curtido. O adubo orgânico aplicado deve ter sofrido todo o processo de compostagem para que no momento que seja incorporado ao canteiro não continue o processo de fermentação e cause danos às raízes devido às altas temperaturas.
A cultura também é bastante exigente em boro, razão pela qual, quando o nível de B no solo for baixo, sugere-se aplicar 1,0 kg ha¹ de B na forma de bórax (12% de B) (Trani et al. 1997).

Adubação de cobertura

Quanto à adubação em cobertura, deve ser feita com 80 – 120 kg ha¹ de N e 80 – 120 kg ha¹ de K2O, parcelando-se essas doses totais entre quatro a seis aplicações, em intervalos de 30 – 45 dias.
Destaque para o nitrogênio que, devido à sua alta mobilidade no solo, a quantidade total adicionada de fertilizantes nitrogenados deve ser aplicada de forma fracionada, de modo que as plantas os recebam nos períodos em que o N possa ser prontamente absorvido.
Ao contrário do potássio, que apresenta pouca mobilidade, deve-se aplicar a quantidade adicionada com os fertilizantes próximo às plantas.

Dicas de manejo

O modo mais tradicional da aplicação da adubação é via solo, utilizando adubos sólidos ou via fertirrigação, uma técnica em que os nutrientes são distribuídos pela fita de gotejamento na base da planta por meio da diluição dos fertilizantes em água.
Este é um sistema que permite economizar tempo, mão de obra, água e quantidade de fertilizantes. A técnica garante maior eficiência, sendo uma forma mais precisa no que diz respeito à localização e profundidade de aplicação.
Para trabalhar com a fertirrigação, deve-se levar em consideração questões como fonte, solubilidade, compatibilidade, salinidade e corrosão dos fertilizantes, a faixa adequada de condutividade elétrica para o pimentão (1,0 mS/cm) e a qualidade da água disponível.

Erros fatais

  1. Aplicação de doses erradas de fertilizantes: provavelmente este erro é um dos mais periódicos e costuma ocorrer tanto no excesso quanto na falta, que certamente causarão problemas no desenvolvimento da cultura.
  2. Aplicar fertilizantes sem se preocupar com a fase da cultura: em muitos sistemas de produção são aplicadas as mesmas fórmulas de fertilizantes nos diferentes estádios de desenvolvimento da cultura, sem nenhuma preocupação com as necessidades específicas da planta. A exigência nutricional da cultura varia ao longo do ciclo, intensificando-se no florescimento, seguida pela formação e crescimento dos frutos. O conhecimento da marcha de absorção de nutrientes pelas culturas pode fornecer subsídios para uma aplicação racional de fertilizantes, implicando na redução dos custos de produção e melhor aproveitamento dos fertilizantes pela planta, podendo gerar também aumento de produtividade. Além disso, com o uso da marcha de absorção evita-se uma possível deficiência ou consumo de luxo de algum nutriente pela cultura.