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terça-feira, julho 5, 2022
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Cotesia contra broca-da-cana

Crédito: Valmir Costa

A broca-da-cana, Diatraea saccharalis, é considerada a principal praga da cana-de- açúcar, causando prejuízos de maneira direta e indireta. Entre os danos diretos, devido à abertura de galerias no interior do colmo da planta pela lagarta, podemos citar a redução da passagem de seiva, a quebra de colmos e perda de peso.
De forma indireta, há os danos causados pela entrada de microrganismos fitopatogênicos no interior da planta, ocasionando a podridão vermelha do colmo, que prejudica a fabricação de açúcar e álcool.

Controle sustentável

O controle biológico com parasitoides é o método mais utilizado para controle da broca, especialmente com Cotesia flavipes, e é um considerado um dos maiores programas de controle biológico a nível mundial.
Justamente por ser um exemplo de controle, contribuindo para o modelo de produção sustentável do setor sucroenergético, em 2012 a Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (BIOSUL) procurou a Embrapa Agropecuária Oeste, demonstrando preocupação com os índices de controle que estavam sendo obtidos nas usinas que utilizam a vespa parasitoide C. flavipes para controle da broca-da-cana.
Visando maximizar os resultados do controle biológico da broca-da-cana-de-açúcar e identificar pontos passíveis de melhoria, visitas a laboratórios de produção e acompanhamento nos processos de liberação foram realizados em usinas da região da Grande Dourados.

Por onde começar

Devemos estar atentos às diversas etapas que compõem o controle da praga, sendo importante destacar que ele se inicia com a produção do inimigo natural e vai até o momento da liberação do parasitoide. Entre os cuidados que devem ser observados para incrementar os índices de controle destacam-se:
 Produção do parasitoide: temos duas situações, as usinas que produzem seu próprio parasitoide e aquelas que o adquirem de laboratórios especializados. Em ambas situações, é importante estar atento à qualidade do inimigo natural produzido, verificando alguns parâmetros, tais como a capacidade do inseto em parasitar, a taxa de emergência de adultos, o número de machos e fêmeas (razão sexual) produzidos, habilidade de voo e capacidade de dispersão. Essa qualidade na produção do parasitoide é fundamental para obtenção da dose recomendada na liberação e o efetivo controle da praga.
 Compatibilidade de utilização do parasitoide: com a necessidade de uso de diferentes agrotóxicos na cultura, sempre que houver necessidade de utilização de produtos fitossanitários, recomenda-se utilizar os classificados como inócuos. Se for preciso aplicar produtos menos seletivos, a indicação é que se evite liberar Cotesia flavipes, ou que se aguarde um período para que o produto pode não prejudique a eficiência do inimigo natural no controle da broca-da-cana-de-açúcar. Alguns produtos causam mortalidade dos inimigos naturais, outros diminuem a capacidade de controlar a praga-alvo e outros repelência nos parasitoides que foram liberados na área de controle.
 Transporte do local de produção até os pontos de liberação: a temperatura é um fator que afeta a performance do parasitoide. Deve-se atentar especialmente para grandes oscilações de temperatura no transporte dos parasitoides para as áreas onde serão realizadas as liberações. O não armazenamento em condições ideais pode diminuir o potencial de controle. Ideal que os parasitoides sejam transportados em caixas de isopor ou em condições que evitem a exposição a altas temperaturas.

Liberação dos parasitoides

São duas as formas de liberação dos parasitoides nos canaviais:
 Liberação manual: caminhando no interior dos talhões, copinhos plásticos contendo os parasitoides são liberados no canavial. Usualmente são quatro pontos de liberação por hectare. Especialmente nesse tipo de aplicação, mais uma vez os cuidados em relação à temperatura devem ser foco de atenção.
Em alguns locais, o transporte dos copinhos contendo Cotesia dentro dos talhões é realizado em sacos plásticos, o que causa grande aumento de temperatura e, quando na liberação dos parasitoides, os mesmos não se apresentam mais em condições adequadas.
Além do acondicionamento inadequado, algumas regiões têm aumento significativo de temperatura ao longo do período matutino, contribuindo ainda mais para variações bruscas da temperatura.
 Liberação por drones: esse é um modelo de liberação que está em fase de expansão. Toda a liberação é realizada através do drone, que, sobrevoando as áreas destinadas ao controle, faz a liberação dos parasitoides.
Utilizando esse tipo de liberação, se eliminou uma das etapas mais críticas no processo manual, que é a exposição a fatores que contribuem para as oscilações de temperatura e, por consequência, menor efetividade no controle.
Como não há o deslocamento no interior do plantio com os copinhos, elimina-se a possibilidade de efeitos negativos de acondicionamento inadequado e exposição a altas temperaturas.
Aliado a isso, devido à capacidade operacional e rendimento, os drones conseguem fazer liberações em canaviais dentro dos horários mais recomendados e apresentam maior precisão nos pontos onde serão liberados os parasitoides, com tecnologia georreferenciável e conseguem aplicar em áreas onde o acesso caminhando é inviável.
Deve-se atentar aos aspectos legais relacionados à utilização dessa tecnologia.

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