Couve-manteiga – Do campo à mesa

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Autores

Fábio Olivieri de Nobile
Doutor e professor – Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (Unifeb)
fonobile@yahoo.com.br
Maria Gabriela Anunciação 
Graduanda em Agronomia – Unifeb
anunciacaomg@gmail.com
 

O cultivo de hortaliças é uma atividade agrícola rentável que se destaca pela diversidade de produção e segmentação de mercado. Dentro do nicho olerícola, o cultivo das brássicas é largamente aceito, devido ao retorno econômico e à composição nutricional dessa família botânica composta, por exemplo, pela couve-manteiga.

A couve-manteiga, assim com outras folhosas, teve aumento expressivo na demanda em função da crescente preocupação com alimentação saudável. Atualmente, é comum ver essa hortaliça integrando sucos verdes ou compondo o cardápio de dietas pouco calóricas.

Por se tratar de uma olerícola, cabe ressaltar que os sistemas agrícolas são muito diversificados, de forma que é possível encontrar no mercado diversas opções em função do manejo aplicado, ou seja, encontram-se desde os produtos chamados orgânicos até os convencionalmente produzidos. No entanto, de uma forma geral, a couve-manteiga é proveniente, quase que totalmente, de pequenas propriedades que trabalham com mão de obra familiar.

Características

Para quem quer complementar a renda ou apenas implantar sua própria horta caseira, vale a pena o cultivar essa olerícola, visto que é uma planta tolerante em se tratando de temperatura e, desde que suas necessidades de manejo durante o ciclo sejam atendidas, garante um bom retorno em produção.

Para isso, deve-se atentar ao preparo de solo, garantindo boa descompactação e, quando não for possível nivelar adequadamente por questões topográficas, garantir a construção de canteiros altos, uma vez que o acúmulo de água na região radicular favorece o desenvolvimento de fungos e bactérias.

Uma vez corrigidos os aspectos físicos do solo, é necessário corrigir os aspectos químicos e, para isso, é importante lançar mão da análise de solo, uma importante ferramenta que informa o que o solo tem disponível e, em função da cultura, o que precisamos acrescentar.

Nutrição

De maneira geral, a couve-manteiga é uma espécie exigente em cálcio, sendo necessário, portanto, fazer calagem, além do que, é preciso que o pH esteja em níveis adequados, normalmente entre 5,5 e 6,0, para que os nutrientes sejam eficientemente disponibilizados para as plantas e seja feita a neutralização de elementos tóxicos, como o alumínio e o manganês.

Principalmente por estar concentrado em produção familiar, é comum incorporar aos canteiros esterco curtido. Normalmente leva-se em consideração as atividades já exercidas na propriedade ou na região para escolha do tipo de adubo orgânico utilizado, por exemplo, se na propriedade ocorrem atividades pecuárias, pode-se utilizar o adubo bovino curtido, mas também é possível utilizar esterco ou cama de frango, e até mesmo húmus de minhoca.

Atenção especial deve ser dada ao esterco bovino, visto seu potencial de carregar sementes de plantas daninhas. No aspecto de fertilizantes minerais, utiliza-se NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) em proporções variadas e em função da análise de solo. Porém, no plantio é comum priorizar a quantidade de fósforo, e por conta de sua importância no desenvolvimento inicial radicular e em cobertura, dá-se prioridade ao nitrogênio.

Pragas

Durante o ciclo da cultura, é importante se atentar aos fatores que podem depreciar e causar impactos negativos na produção, sendo estes os insetos-praga, microrganismos fitopatogênicos e plantas daninhas.

De forma geral, o controle químico pode ser realizado para qualquer um dos problemas citados, desde que se respeite o registo para a cultura e o período de carência. No entanto, podem ser adotados métodos preventivos, como o já citado cuidado com a umidade excessiva no solo. Além disso, o controle de plantas daninhas também é usualmente feito de forma manual, seja por catação ou por ferramentas.

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Produção e consumo

No Brasil, a região Sudeste é uma das principais produtoras e consumidoras, sendo responsável por cerca de 60 mil das 100 mil toneladas anualmente produzidas. As cotações indicam que o preço de 1 kg de couve-manteiga flutua nos centros distribuição e varia conforme a região, mas nos mercados costuma o preço de cerca de 10 folhas se situar entre R$ 5,00 e R$ 6,00.

Produtores já consolidados na região de Suzano, segunda principal cidade produtora do Estado de São Paulo, afirmam que o maior atrativo em manter o cultivo de couve-manteiga é a estabilidade, independente da estação do ano, e também por não exigir maquinários.

Sendo assim, é possível identificar que a couve não exige um grande pacote tecnológico, entrega bons níveis de produção e tem demanda.

Custo

O custo de produção da couve é de aproximadamente R$ 6.000,00 a R$ 7.000,00 por hectare. A maior participação neste custo é representada pela mão de obra, com 27,5% do total. O custo dos insumos agrícolas representou o segundo maior valor, com 23,3% do montante total.

O preparo do solo e os tratos culturais, como a irrigação, compõem o terceiro grupo mais importante do custo de produção da couve, com 20,0% do total. Finalmente, o custo com a formação de mudas e de oportunidade complementam o total dos custos de produção, com 29,2%. O

O custo de oportunidade é o valor que o produtor poderia receber sem precisar cultivar a sua área, que pode ser o valor do arrendamento, por exemplo.

De forma geral, a couve-manteiga é um bom investimento, desde que manejada adequadamente. No contexto da produção, vem garantindo sucesso em sistemas de plantio direto, de forma a minimizar problemas com topografia, uma vez que o sistema, quando bem implantado, proporciona uma forma de controle de erosão.

Outro fator econômico é o plantio consorciado com outras culturas folhosas, já que a recomendação de espaçamento, tanto de linhas quanto de plantas, é usualmente grande e capaz de permitir o consórcio, potencializando o uso da área e a exploração de mais de uma cultura.

Além disso, é possível contextualizar também a comercialização, ao se adequar ao mercado atual, que exige uso reduzido de produtos agroquímicos, no caso de produtos orgânicos e também através da praticidade, quanto aos chamados minimamente processados.