Crambe: opção para o cultivo de inverno

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Reprodução Internet

Luana de Carvalho Catelan
luana.catelan@unesp.com


Alana Emanoele Pereira
ae.pereira@unesp.br


Engenheiras agrônomas e doutorandas em Agronomia/Proteção de Plantas – UNESP


Adriana Zanin Kronka
Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Fitopatologia e professora – UNESP
adriana.kronka@unesp.br

O crambe é uma oleaginosa pertencente à família das crucíferas, que se adapta a diferentes condições climáticas, sendo tolerante a secas e geadas em diferentes fases do seu desenvolvimento.
Apresenta a vantagem de ter um ciclo curto de produção (85-90 dias), o que possibilita sua implantação como safrinha, e boa produtividade. Além disso, é uma cultura totalmente mecanizada do plantio à colheita, o que facilita seu manejo, utilizando-se os mesmos implementos agrícolas das demais culturas de inverno.
Apresenta boa tolerância a pragas e doenças, principalmente quando cultivado no inverno, o que reduz seu custo de produção. Dessa forma, o crambe se torna uma excelente cultura alternativa para o cultivo de inverno.
O cultivo do crambe é considerado de baixo risco e uma ótima alternativa a ser utilizada na rotação de culturas, com soja e milho, entre outros grãos, aumentando a produtividade dessas lavouras. Além disso, seu cultivo oferece outros benefícios, como cobertura do solo, reciclagem de nutrientes e redução de nematoides.

Agro Novas Energias

Recentemente, a Agro Novas Energias começou a estimular o plantio de crambe no Brasil, por meio do fornecimento de sementes, assistência técnica e garantia de compra de toda a produção por R$ 750 a tonelada.
Além disso, a Agro Novas Energias se responsabiliza pelo frete de toda a produção beneficiada que irá seguir para a exportação. A expectativa é chegar aos 30 mil hectares em cinco anos. Diante de todas as facilidades de manejo e benefícios do crambe, esta vem sendo uma boa oportunidade aos agricultores de adquirir lucro com pouco investimento.

Manejo da cultura

A preparação do solo para a semeadura ocorre por meio de aração e posterior trabalho com grade e compactador. O nivelamento e a compactação do solo são essenciais para assegurar uma profundidade uniforme de semeadura.
Em solos que contenham palha de soja, recomenda-se passar a grade niveladora para o plantio. Já em áreas com palhada de trigo, esta deve ser removida ou picada, podendo ser preparado utilizando grade de discos.
Pelo fato de ser tolerante ao frio, o crambe é considerado uma cultura de inverno e pode ser semeado entre abril e maio. São obtidas produtividades aceitáveis utilizando espaçamentos de plantio entre 15 e 70 cm, entretanto, o recomendado para que haja maior produtividade são espaçamentos entre 15 e 30 cm.
Quando utilizados espaçamentos maiores que 80 cm a cultura apresenta acamamento, o que dificulta o processo de colheita. A profundidade de plantio e a quantidade de sementes recomendadas são de 0,6 cm em regiões úmidas e até 2,5 cm em regiões secas, de 11 a 22 kg/ha, respectivamente.

Raízes

O sistema radicular do crambe é profundo, tornando sua implantação preferencialmente em solos profundos, férteis ou corrigidos corretamente e com teor de argila superior a 20%. A cultura é sensível à acidez do solo, sendo necessário que a camada do solo de 20 a 40 cm contenha baixa saturação de Al3+. Dessa forma, é importante que se faça uma análise do solo para a correção adequada.
A correção do solo deve ser realizada para elevar o pH até 5,8 a 6,2, considerada como faixa ótima para a cultura. Com o solo corrigido corretamente, sabe-se que o crambe retira quantidades expressivas de nutrientes, sendo necessárias suas reposições.
Os nutrientes nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) são essenciais para o desenvolvimento inicial da cultura, assim como cálcio (Ca) e magnésio (Mg) durante o ciclo, e a adubação pode ser realizada por meio de adubos químicos ou dejetos de outras cadeias agroindustriais, como dejetos de suínos e vinhaça.
Além disso, devido à agressividade do sistema radicular, profundo e pivotante, ocorre o aproveitamento e a reciclagem dos nutrientes do solo, sendo possível aproveitar as adubações residuais das culturas anteriores.

Peculiaridades

A cultura é precoce, floresce aos 35 dias, apresenta grãos maduros entre 90 e 100 dias e alta produtividade, podendo atingir 2.000 kg/ha de sementes. Ao chegar ao fim do ciclo da cultura, as folhas tendem a secar e cair.
Dias depois, as vagens e pequenos ramos começam a amarelar e, a partir disso, atinge-se o ponto de colheita. A colheita é mecanizada, podendo-se utilizar colhedora automotriz comum com alguns ajustes em sua peneira. Posteriormente, os grãos são submetidos aos processos de limpeza e secagem.
Em relação ao controle de pragas, o crambe apresenta glucosinolatos em seus tecidos, que resulta na produção de substâncias tóxicas que agem como barreira natural ao ataque de pragas. Há registro de ataques isolados de pragas ao crambe no Brasil, entretanto, não houve danos expressivos à cultura.

Fitossanidade

As doenças ocorrem somente quando as condições climáticas estiverem favoráveis ao patógeno e desfavoráveis à cultura. A doença mais crítica para o crambe é causada pelo fungo Alternaria brassicicola, responsável pelo escurecimento das sementes e caules, e redução da germinação.
O crambe também é suscetível ao vírus do mosaico do nabo (TuMV). Dessa forma, o uso de sementes de alta qualidade e o tratamento de sementes com fungicidas é a melhor forma de minimizar os problemas na implantação da cultura.
Para realização do manejo de plantas invasoras ainda não há herbicidas registrados na cultura do crambe. Sendo assim, as melhores estratégias de controle são: uso de espaçamento menor entre linhas; escolha de uma área com menor histórico de problemas com plantas daninhas; e a realização de dessecação das plantas invasoras antes da semeadura do crambe.
O maquinário utilizado durante todo o manejo da cultura é similar ao usado para outros grãos finos, sendo assim, produtores de grãos menores não necessitam adquirir maquinário adicional para a produção de cambre.

Perspectivas de mercado

A cultura do crambe tem movimentado milhões de dólares no mercado exterior, sendo muito requisitado como matéria-prima. Devido à alta procura, institutos estrangeiros estão realizando altos investimentos no melhoramento genético dessa cultura, com a finalidade de otimizar seu desempenho agronômico.

Área cultivada e produtividade

Atualmente, no Brasil há cerca de 20 mil hectares plantados de crambe, sendo o cultivo distribuído entre os estados de Goiás, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A produtividade varia de 1.000 a 1.500 kg/ha, podendo atingir até 2.500 kg/ha, se a cultura for favorecida por condições ideais e manejada corretamente.

Investimento e rendimento

O investimento inicial na cultura do crambe consiste apenas em mão de obra, maquinário (para aqueles que não possuem nenhum implemento agrícola) e correção do solo. A cultura apresenta baixo custo de produção e menor risco de frustração de safra, estando o custo em torno de R$ 350 a R$ 450 por hectare, compreendendo semente, dessecação, plantio, colheita e transporte.
Empresas estrangeiras têm buscado por produtores que queiram cultivar o crambe, garantindo assim sua comercialização. Devido a estes incentivos e o baixo custo de produção, a cultura vem despertando o interesse dos produtores, podendo chegar a ser comercializada por R$ 700 a R$ 800 a tonelada. Além disso, algumas empresas disponibilizam uma bonificação ao produtor que conduzir o plantio de forma sustentável, o que aumenta sua rentabilidade.