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Cultivo de beterraba orgânica

Autores

Leticia Rodrigues de Oliveiraleticiaoliveira.agro@gmail.com

Yanco Luan Lopes Ribeiroyanco_luan@hotmail.com

Graduandos em Agronomia – Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (UNIFIO)

Adilson Pimentel JuniorEngenheiro agrônomo, mestre em Agronomia e professor – UNIFIOadilson_pimentel@outlook.com

Aline Mendes de Sousa GouveiaEngenheira agrônoma, doutora e professora – UNIFIO)aline_mendes@fio.edu.br

Beterrabas – Crédito: Shutterstock

A beterraba (Beta vulgaris L.) é uma hortaliça anual herbácea, pertencente à família Chenopodiaceae, de origem provável do Mediterrâneo. É mais cultivada em países com clima temperado, e no Brasil sua produção orgânica se concentra na região sul, seguida das regiões sudeste e nordeste.

As raízes de beterraba são de grande importância econômica, decorrente ao seu alto valor nutricional, destacando-se os nutrientes ferro, cálcio, sódio, potássio e vitaminas A, B e C. A população tem buscado melhora na qualidade de vida, preferindo alimentos mais saudáveis e frescos. Por isso, a agricultura orgânica vem ganhando mercado, já que preserva a qualidade nutricional dos alimentos e proporciona grande segurança alimentar.

O cultivo proporciona bom retorno econômico ao produtor rural, uma vez que é de fácil condução e baixo custo de implantação. O custo total para cultivar um hectare de beterraba orgânica, incluindo insumos adquiridos e mão de obra, é em média R$ 16.000,00.

Importância econômica

Em 2017 o volume mundial de vendas de produtos orgânicos no varejo atingiu € 92,1 bilhões, representando um acréscimo anual de 11% desde 2000. Desse volume, os EUA movimentaram € 40,0 bilhões. Frutas e vegetais compõem a maior categoria de alimentos orgânicos nos EUA, representado 14,1% de todas as vendas de vegetais e frutas no País, o que rendeu € 16,5 bilhões.

Além do cenário externo favorável, existe tendência positiva no mercado consumidor brasileiro. Produtos orgânicos in natura, como verduras, legumes e frutas, são os mais consumidos no Brasil.

Em 2016, as vendas no varejo renderam € 778 milhões e as exportações alcançaram € 126 milhões. Em 2018 o faturamento do setor de alimentos orgânicos no País foi de R$ 4 bilhões, com crescimento de 25% ao ano.

Mercado interno e externo

Tanto no Brasil quanto no exterior, é crescente a busca por alimentos orgânicos. A crescente demanda tem atraído mais produtores e investidores ao setor. Além disso, embora o maior volume de venda seja feito por meio de compra direta em hipermercados, supermercados e lojas, também tem crescido a demanda por restaurantes que querem servir produtos orgânicos aos seus clientes.

A aproximação de consumidores e produtores de orgânicos tem possibilitado a oferta de alimentos de alta qualidade, mais frescos e a preços mais acessíveis; em contrapartida, maiores ganhos aos produtores, já que esses estabelecem o valor de seus produtos.

Manejo

A beterraba é típica de clima temperado, exigindo, dessa forma, temperaturas mais amenas e frias para alcançar boa produção – sua faixa de temperatura ideal é de 10 a 20°C, porém, tolera geadas leves.

Temperaturas altas depreciam o produto, uma vez que induzem a formação de anéis claros nas raízes. Além disso, favorece o aparecimento de doenças fúngicas na parte aérea. Por isso, recomenda-se realizar o plantio de mudas ou semeadura direta no outono, inverno e primavera.

Para iniciar o cultivo, primeiramente deve-se fazer a escolha correta da área, evitando terrenos sombreados e úmidos. A beterraba produz bem em solos leves e soltos, profundos, bem drenados e ricos em matéria orgânica. É sensível à acidez e exigente em nitrogênio e potássio.

Cultivo

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Existem dois sistemas de cultivo, via semeadura direta ou plantio por mudas. Por se adaptar bem ao transplante e plantio por mudas, é o mais empregado no Brasil.

Na semeadura direta deve-se depositar dois glomérulos (“sementes”) em sulcos em profundidade de 1,5 a 2,5 cm a cada 5,0 cm. Fazer a imersão dos glomérulos em água por 12 horas, que melhora a emergência das plântulas. Realizar o desbaste quando as plantas apresentarem de cinco a seis folhas, deixando as plantas espaçadas de 10 a 15 cm. Necessita-se em torno de 10 kg de semente comercial por hectare.

No sistema de plantio por mudas, pode-se fazer em canteiros ou em bandejas de isopor. No sistema em canteiros faz-se o transplantio das mudas de 20 a 30 dias após a semeadura ou quando as plantas apresentarem cinco a seis folhas e 15 cm de altura.

Já para as mudas formadas em bandejas, o transplante pode ser feito 20 dias após a semeadura. No transplante das mudas, deixa-las espaçadas de 10 a 15 cm umas das outras. É necessário de 1,0 a 2,0 kg de mudas por hectare no sistema de bandeja e na formação das mudas em canteiros, 4,0 kg por hectare.

Solo equilibrado

Realizar análise de solo para correção e adubação de plantio e de cobertura. A beterraba produz melhor em pH entre 6,0 e 6,5. Caso o solo esteja ácido, pode-se fazer a correção com o uso de calcário de 30 a 90 dias antes do plantio.

O teor de matéria orgânica deve estar entre 2 e 3%. Para tanto, fazer a aplicação de 5,0 kg/m² de composto orgânico, 1,5 kg/m² esterco de aves ou 3,0 kg/m² de esterco de gado, todos bem curtidos, de sete a dez dias, antes do plantio. Se houver deficiência de boro, aplicar boráx.

Realizar a construção dos canteiros com dimensões de 1 m a 1,20 m de largura e 30 – 40 cm de altura. Se necessário, recomenda-se a adubação anterior ao plantio, baseada na análise de solo com o uso de cinzas de madeira (potássio) e fosfato natural (fósforo).

Deve-se realizar irrigações leves e frequentes durante todo o ciclo, sempre no período da manhã, para que a cultura não permaneça molhada durante a noite, que favorecerá o aparecimento de doenças.

Manejo fitossanitário

O controle das ervas daninhas no manejo orgânico é realizado por meio de capinas manuais ou com a utilização de pequenas enxadas. As principais pragas da cultura são as lagartas, vaquinhas e nematoides.

As lagartas atacam as folhas, causando a desfolha e diminuindo a taxa fotossintética da planta. Em infestações severas, podem atacar o caule e raiz. O controle pode ser feito utilizando pulverizações do ingrediente ativo Bacillus thuringiensis (inseticida microbiológico).

As vaquinhas (Diabrotica speciosa) também atacam a cultura. As larvas do inseto atacam as raízes, prejudicando a absorção de água e nutrientes, enquanto os adultos atacam a parte aérea da planta e podem ser vetores de viroses.

O controle do inseto pode ser feito de forma biológica, utilizando os inimigos naturais Celatoria bosqi, Centistes gasseni, e os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

Os nematoides atacam as raízes, impedindo a absorção de água e nutrientes, e inviabilizam a comercialização do vegetal. Pode-se fazer o controle por meio de medidas preventivas, como arações de 20 a 30 dias durante três meses antes do plantio, eliminação de plantas daninhas e realizar rotação de cultura, evitando o monocultivo.

Doenças em destaque

As principais doenças são: mancha de cercóspora, damping off por Fusarium spp. e mancha de alternaria. A mancha de cercóspora, causada pelo fungo Cercospora beticola, é a principal doença da cultura. Os sintomas são observados nas folhas mais velhas, por serem mais suscetíveis.

Inicialmente são pontuações que evoluem e tendem a alcançar de 4 a 5 mm, de formato mais ou menos arredondado, centro claro e bordas com perímetro de coloração vermelho-púrpura. À medida que as lesões aumentam, se tornam com tonalidade acinzentada, causando a necrose. O tecido lesionado cai e a folha torna-se perfurada.

Para o controle do patógeno recomenda-se evitar o plantio em áreas sujeitas ao encharcamento, realizar rotações de cultura e evitar plantio em áreas já cultivada com o vegetal, o uso de pulverizações de calda Viçosa é eficiente para o controle.

Damping off

O damping off é causado pelo fungo Fusarium spp., que ataca o sistema radicular. Os principais sintomas são o amarelecimento progressivo das folhas na forma ascendente, com senescência prematura.

Para o controle, deve-se evitar áreas sujeitas ao encharcamento, compactadas e com acidez elevada. É recomendado usar sementes sadias, calagem e adubações balanceadas. Pesquisas mostram que o uso de óleo essencial de Aloysia citriodora no tratamento de sementes apresenta resultados positivos no controle do fungo.

Mancha de alternaria

A mancha de alternaria é causada pelo fungo Alternaria tenuis. Os sintomas são pequenas lesões circulares de cor marrom, com aspecto aquoso, começando pelas folhas mais velhas, podendo atingir toda a parte aérea da planta.

Para o controle da doença deve-se utilizar sementes sadias, evitar o adensamento de plantas e o excesso de adubação nitrogenada.

Sem errar

Os erros cometidos na produção são o plantio em áreas sujeitas ao encharcamento, solos compactados, plantio sequencial no mesmo local e dificuldades no controle de pragas e doenças, pois não é permitido o uso de defensivos químicos.

O plantio em canteiros auxilia no escoamento da água e permite um melhor desenvolvimento das raízes tuberosas. O manejo feito com fungicidas e inseticidas microbiológicos possuem boa eficiência no controle de pragas e doenças, desde que sejam respeitadas as recomendações técnicas fornecidas pelo fabricante.

Colheita

A colheita da beterraba orgânica varia de acordo com a cultivar, porém, em geral as raízes são colhidas por volta de 80 dias após a semeadura. Já no cultivo por mudas transplantadas, de 90 a 100 dias após o plantio, sendo importante verificar se as raízes atingiram de 6,0 a 8,0 cm de diâmetro, não deixando passar do tempo, para não ficarem duras.

Em média, a produtividade fica em torno de 15 a 30 toneladas por hectare.

Comercialização

A comercialização normalmente é feita em caixas tipo K, de 20 kg, ou em maços com 12 beterrabas com peso de 3,0 a 4,0 kg. Para seu transporte, normalmente são alocadas em engradados de 20 kg.

Novidades

Os produtos que se destacam na produção orgânica são os inseticidas e fungicidas microbiológicos, que possuem boa eficiência no controle e não são prejudiciais ao meio ambiente. No manejo, as novidades partem da mecanização do plantio e colheita, que atende médios e grandes produtores devido ao alto valor de aquisição dos implementos.

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