Cultivo em túnel garante um morango sem doenças?

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Autor

Mário Calvino Palombini
Engenheiro agrônomo e proprietário da Vermelho Natural
vermelhonatural@hotmail.com
Crédito José Mauro Balbino 

Nas condições climáticas de média a alta precipitação pluviométrica a plasticultura se torna imprescindível para o cultivo do morango. A redução do molhamento foliar reduz a incidência de várias doenças que necessitam da água livre ou altos teores de umidade para se devolver, a exemplo do mofo cinzento (Botrytis cinerea), fitóftora (Phytophora cactorum), antracnose (Colletotrichum acutatum), micosferela (Mycospherella fragarie), xanthomonas (Xanthomonas sp), (Diplocarpon ealiana) e oídio (Sphaerotheca macularis).

No caso do mofo cinzento, esta é a principal doença do morango, ocorrendo com temperaturas entre 15 a 25°C. A partir de umidade relativa do ar acima de 90% por períodos longos, não necessita obrigatoriamente de água livre para promover a infecção.

A cobertura plástica não evita o aparecimento das doenças, mas tem forte influência em sua redução, permitindo o controle com produtos fitossanitários menos agressivos.

Uma a uma

A fitóftora se caracteriza pelo apodrecimento de cor escura, perdendo rapidamente água e adquirindo consistência dura. Externamente ocorre apodrecimento de cor escura (couro), com formação de micélio branco. Esta é uma doença com significativa redução de infecção quando adotada a proteção com cobertura plástica.

A antracnose é uma doença oportunista, ocorrendo nos momentos em que a planta está debilitada. Após o plantio pode causar lesões nas hastes de coloração escuro-preto, alongadas, que tendem a afetar toda a circunferência e causar uma espécie de estrangulamento.

As lesões causam a morte do corpo afetado. No fruto, seu surgimento está diretamente relacionado ao estresse nutricional ou molhamento prolongado do fruto. Em ambientes protegidos geralmente não ocorre o aparecimento grave da doença, mas pode acontecer nas extremidades dos túneis, onde o fruto fica exposto a intempéries. Os sintomas são lesões de coloração vermelho escuro, aprofundadas, arredondadas e firmes.

A micosferela inicia com manchas muito pequenas de cor vermelho escuro, posteriormente se transformando em uma mancha maior, de cor branca circundada por um halo avermelhado. Esta doença necessita do impacto da gota da chuva ou dos jatos de pulverização para se propagar. A cobertura plástica passa a ser imprescindível para evitar a sua propagação.

A xanthomonas é uma bacteriose e seus sintomas começam na face inferior das folhas, onde surgem pequenas lesões com aspecto encharcado, oleoso, delimitadas pelas nervuras que, quando observadas contra a luz, são transparentes, podendo surgir um exsudato bacteriano com aspecto leitoso, que na parte superior da folha possui coloração verde-clara a amarelo.

Ocorre em temperaturas de 15 a 20°C e necessitam do impacto da gota da chuva para se disseminar. Dificilmente surgirá em ambientes com cobertura plástica.

O Diplocarpon ealiana, uma doença em que começa com manchas pequenas vermelho escuro, após se desenvolve e cresce. Quando a doença evolui, possui cor central branco acinzentado, circundado por um halo avermelhado, que se desenvolve por toda a folha. Esta doença não se desenvolve com a cobertura plástica.

Sem limites

O oídio é a única doença que se desenvolve com a cobertura plástica, pois sua dispersão ocorre com baixa umidade relativa. Os sintomas na folha surgem com o aparecimento de micélios brancos superficiais na parte inferior da folha.

Com o tempo, a massa de micélio toma conta da folha, que tende a curvar as bordas para cima. Com o decorrer do tempo surge necrose de coloração vermelho escuro nos pontos onde o oídio se desenvolveu. Sua disseminação é rápida – em pouco tempo infesta a lavoura, causando forte redução de produtividade. No fruto, os micélios rompem a epiderme dos frutos, quando maduros, deixando-os com aspecto esbranquiçado.

Nos sistemas protegidos com plasticultura esta doença necessita de atenção especial. É recomendado iniciar os tratamentos nos primeiros sinais da doença e em área total. Sua erradicação após um processo de infecção grave é difícil e lenta, com redução gradual do nível de infecção com tratamentos químicos ou biológicos utilizando dosagens altas e o tempo entre tratamentos reduzidos para quatro a cinco dias.

Neste período ocorre forte redução de produtividade, tanto pela redução do metabolismo da planta como pelos danos diretos no fruto.