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quarta-feira, agosto 10, 2022
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Cupins subterrâneos – O perigo bem debaixo dos seus pés

 

Simone de Souza Prado

Pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente

simone.prado@embrapa.br

 

Crédito Adilson Santos
Crédito Adilson Santos

Os cupins são insetos da ordem Isoptera, também conhecidos por térmitas, siriris ou aleluias e se caracterizam por serem espécies sociais, formando assim castas de indivíduos ápteros ou alados. Há mais de 2.000 espécies de cupins descritas no mundo, sendo a maioria encontrada em regiões tropicais e subtropicais. Os cupins vivem em colônias populosas e constroem seus ninhos, chamados cupinzeiros ou termiteiros, para proteção da colônia, armazenamento de alimento e manutenção de condições ótimas para o desenvolvimento dos indivíduos.

Segundo Constantino (1999) há relatos que no Brasil ocorra pelo menos cerca de 290 espécies de cupins, sendo considerada uma das termitofaunas mais diversas do mundo, apesar de ser pouco conhecida. As principais espécies pertencem às famílias Kalotermitidae, Rhinotermitidae, Serritermitidae e Termitidae, sendo que 85% dos exemplares coletados e registrados no Brasil pertencem a esta última família.

Importância econômica

Em altas infestações, os cupins são conhecidos por sua importância econômica como pragas de madeira e de outros materiais celulósicos, sendo responsáveis por danos econômicos em áreas urbanas e rurais. Mas, por outro lado, os cupins são importantes componentes da fauna de solo de regiões tropicais, exercendo papel essencial nos processos de decomposição e de ciclagem de nutrientes, interferindo de modo benéfico no ambiente em que habitam.

Os cupins, além de auxiliarem na formação de matéria orgânica no solo, também ajudam a melhorar a sua qualidade física, devido aos inúmeros túneis construídos por eles. Além de serem conhecidos como pragas, somente perto de 10% podem causar dano econômico. De acordo com a localização do ninho, são divididos em cupim de madeira seca, subterrâneo, de montículo e arbícola.

Cupins subterrâneos

Os cupins subterrâneos ou de solo são assim denominados por construírem seus ninhos no solo e estarem na primeira posição quando o assunto é causar danos e prejuízos. Apesar do nome, não se restringem ao solo, podendo construir seu ninho em árvores, vãos de construções, lajes, paredes duplas ou qualquer outro espaço confinado que exista em uma estrutura, seja uma residência, fazenda, indústria ou comércio.

Uma importante característica é que os operários dos cupins subterrâneos podem se utilizar de outros meios além da madeira, facilitando assim a sua sobrevivência, principalmente devido à fartura de elementos à base de celulose que se encontram na natureza ou nas proximidades do ninho. Um ninho maduro do cupim subterrâneo pode causar severos danos a uma estrutura em cerca de três meses.

É aqui que mora o problema

Uma vez estabelecido o cupinzeiro, o cupim sai em busca de alimentos, transitando por meio dos túneis construídos pelos próprios operários nos solos, paredes, pisos, conduítes, entre outros. Em alguns casos, esses túneis podem chegar a até 50 metros.

Qualquer sinal de ataque deste tipo de cupim deve ser combatido imediatamente ou o prejuízo pode ser em proporções absurdas. Estima-se que o prejuízo anual mundial com cupins subterrâneos ultrapasse os US$ 10 bilhões.

Além dos cupins subterrâneos serem problema em construções, também podem se destacar como praga de culturas florestais. Em florestas naturais, as árvores nativas são geralmente tolerantes a esse ataque. Já em áreas de reflorestamento e de plantios de eucaliptos, as árvores podem ser atacadas, desde a época do plantio até a colheita, por diversas espécies de cupins.

Alerta geral

Os cupins subterrâneos também são relatados como sendo uma importante praga da cultura canavieira, ocorrendo em todos os países onde esta cultura está implantada. O problema com cupins subterrâneos tornou-se ainda mais importante após a proibição do uso de produtos clorados.

Em cana-de-açúcar há dois tipos diferentes de cupim atacando as plantas, sendo os subterrâneos os mais importantes. As espécies mais frequentes – Heterotermes tenuis e H. longiceps, ambos pertencentes à família Rhinotermitidae, distribuem-se em galerias difusas no solo, no interior de raízes, troncos e, quando eventualmente deslocam-se em locais expostos, constroem túneis com detritos vegetais, solo e fezes. Já em pastagens, as espécies de cupins mais encontradas no Brasil são Cornitermes cumulans e Syntermes sp., sendo a primeira os cupins chamados de “Cupins de montículo” que formam ninhos de barro que ultrapassam a superfície do solo.

Os cupins subterrâneos alimentam-se de material lenhoso em várias fases de decomposição, sendo comum atingirem partes vitais das plantas, como toletes de cana recém-plantados, sistema radicular e entrenós basais de cana em formação, adulta ou soqueira.

Vale ressaltar que protozoários e bactérias presentes no interior do tubo digestivo dos insetos são os que realizam a digestão da celulose em uma relação simbiótica. Em algumas lavouras, os cupins subterrâneos dos gêneros Heterotermes sp. e Procornitermes atacam as sementes e a parte subterrânea de plantas.

Algumas espécies consomem folhas, à semelhança das formigas cortadeiras. Os danos causados podem ser diretos, por meio do consumo de sementes e plantas, ou indiretos, pelos montes nas lavouras, que dificultam a semeadura e a colheita, provocam a quebra de equipamentos e hospedam animais peçonhentos.

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