18.1 C
São Paulo
quinta-feira, agosto 11, 2022
-Publicidade-
Inicio Revistas Grãos Densidade dos cafezais e produtividade

Densidade dos cafezais e produtividade

 

José Braz Matiello

Engenheiro agrônomo do MAPA/Procafé

jb.matiello@gmail.com.br

 

Crédito Cristiano Soares de Oliveira
Crédito Cristiano Soares de Oliveira

O espaçamento convencional do cafeeiro, no passado, era de 4 x 2 m, com duas plantas por cova, o que resultava em um estande de plantas muito baixo por área (cerca de 1.250 pl/ha).

Na sua evolução, visando abrir na rua e fechar na linha, associando um bom estande de plantas com a facilidade na mecanização, nos tratos e na colheita, o espaçamento normal, hoje, passou para 3,5 a 4,0 m x 0,5 – 0,7 m.

Para o plantio com adensamento, visando atender às regiões sem mecanização, em áreas montanhosas e produtores pequenos, ou que possuem áreas restritas na propriedade, são usados espaçamentos de 1,7 a 2,0 m na rua e cerca de 0,5 m nas linhas, resultando em 5.000 a 10.000 plantas por hectare.

Espaçamento x produtividade

Até certo limite a produtividade se eleva quase que proporcionalmente com o aumento do número de plantas por hectare, ou seja, com o uso de espaçamentos menores. No entanto deve-se associar produtividade com facilidade nos tratos. Por isso está sendo usado, atualmente, mesmo para áreas inclinadas, ou mesmo para produtores com mecanização, mas que desejam conduzir a lavoura com safra zero, ou seja, esqueletadas cada dois anos, o sistema de espaçamento semiadensado, com cerca de 2,70-3,20 m x 0,5m.

O maior espaçamento entrelinhas, ou seja, nas ruas, facilita a mecanização dos tratos, especialmente se for associado a um menor espaçamento das plantas dentro da linha. Entretanto, sua maior vantagem está em reduzir o estresse das plantas no pós-colheita, pois cada planta pode produzir pouco sem afetar a produtividade por área cultivada.

São vantagens principais do adensamento dos cafezais:

ØAumenta a produtividade e reduzem o custo de produção;

ØProtege o solo e reduzem a área utilizada;

ØFacilita o manejo do mato e reduzem o uso de mão de obra nas áreas não mecanizáveis;

ØFacilita a competitividade da cafeicultura das montanhas em relação àquela das zonas mecanizáveis.

Evolução do espaçamento

Atualmente, é quase inconcebível plantar menos de 5.000 plantas de café por hectare. Mas, para se chegar a esse ponto custou muito. Foram 40-50 anos de evolução.Antes da década de 70 as maiores áreas de cafezais, concentradas nos estados do Paraná e São Paulo, utilizavam espaçamento do tipo quadrado, na base de 3- 4 x 3- 4 m, com plantio de 3-4 mudas por cova.

Naquela época, a manutenção de muita área de terreno livre tinha a ver com o uso de cultivos intercalares. Nesses espaçamentos se usavam menos de 800 covas por hectare.

Com o plano de renovação de cafezais, a partir de 1970, com a ocorrência da ferrugem, os espaçamentos que passaram a ser indicados, à época, procuravam ser no formato mais retangular, mantendo a rua aberta, para facilitar a operação do maquinário de controle da doença e fechando um pouco na linha, ficando os espaçamentos mais comuns na base de 4x 1,5-2,5m, ainda, na maioria, com duas mudas por cova. O mais comum eram 1.600 pl/ha.

A partir da década de 1980 muitos ensaios de espaçamentos foram conduzidos e resultaram na redução do espaçamento entre plantas para 1m e uma só muda por cova, tendo sido observado, na época, que duas mudas (plantas) espaçadas de 1 m produziam mais cerca de 30% do que as duas juntas nas covas a cada 2 m. Isto resultou num estande básico de cerca de 2.500 pl/ha.

Menos ainda

A evolução nas décadas de 1990 a 2000 mostrou que ainda se poderia reduzir mais a distância entre plantas na linha, para 0,5 a 0,7 m, com aumentos significativos de produtividade, especialmente nas safras iniciais. Também, nessa época, foram demonstrados muito produtivos espaçamentos adensados, com 1,7-2,0 x 0,5m, muito importante para zonas montanhosas.

Assim, chegou-se, até recentemente, a dois sistemas básicos de espaçamentos mais usados na nossa atual cafeicultura, sendo o primeiro em renque aberto, com 3,5 – 4,0 m x 0,5m e o renque fechado ou plantio adensado, com 1,75- 2,0 m x 0,5 m.

O primeiro para zonas de mecanização plena e o segunda para áreas sem mecanização, sendo que o adensamento, sendo submúltiplo do renque aberto, pode ser transformado naquele, pela eliminação de uma linha a cada duas. Estes dois sistemas compreendem estandes de 5.000 a 10.000 pl/ha.

Como toda tecnologia cafeeira, nos últimos anos a questão do espaçamento ainda vem evoluindo, com ajustes nestes dois sistemas básicos, partindo-se para um sistema intermediário, que resulta em um maior estande de plantas por hectare e, mesmo assim, permita um bom manejo e facilidade nos tratos e na colheita.

Deste modo, surgiu uma terceira via, que é o plantio semiadensado, com espaçamentos na faixa de 2,5- 3,2 x 0,5m, combinado com o uso mais frequente de podas, principalmente do tipo esqueletamento. Este sistema compreende estande variável de 6.300 a 8.000 pl/ha.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

Inicio Revistas Grãos Densidade dos cafezais e produtividade