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quarta-feira, julho 6, 2022
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Depois das lagartas, lá vêm os percevejos

 

José Fernando Jurca Grigolli

MSc., doutorando em Agronomia, pesquisador da Fundação MS e membro do Núcleo de Estudos em Manejo Integrado de Pragas de Cultivos Amazônicos ” NEEMIP

João Rafael De Conte Carvalho de Alencar

MSc., doutorando em Entomologia, professor do Instituto Taquaritinguense de Ensino Superior (ITES – SP) e membro do NEEMIP

Anderson Gonçalves da Silva

Doutor e professor do NEEMIP, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Câmpus de Paragominas (PA)

agroanderson.silva@yahoo.com.br

 

Crédito Jovenil da Silva
Crédito Jovenil da Silva

Com tristeza, o Brasil já ofereceu o troféu de praga mais notória para a lagarta Helicoverpa armigera (Hübner) (Lepidoptera: Noctuidae), que desde 2012 tem provocado prejuízos milionários para os agricultores em diversas regiões do país, acarretando, também, vultosos investimentos em pesquisas a fim de melhorar o seu manejo na lavoura.

Na próxima safra, no entanto, as previsões indicam que esse cenário mudará e os percevejos devem roubar a cena. No Brasil, há três espécies de percevejos considerados pragas de grande importância para a soja: o percevejo verde pequeno, o verde e o marrom, dentre outros.

Os percevejos

Quanto aos percevejos (Hemíptera: Heteroptera) que atacam a cultura da soja, são várias as espécies, que variam em importância principalmente de acordo com a região de cultivo. No sul do Brasil e no Paraná, existem duas espécies de grande importância: o percevejo verde (Nezara viridula) e o percevejo marrom (Euschistus heros), com maior ocorrência do percevejo marrom da soja.

Nas outras regiões de cultivo, como o centro-oeste, o percevejo marrom é o destaque, e com ataque maior em função das condições climáticas. Além destas espécies, ainda ocorrem percevejo pequeno verde (Piezodorus guildini), percevejo edessa (Edessa meditabunda), percevejo acrosterno (Chinavia sp.) o formigão da soja (Neomegalotomus parvus), percevejo pardo (Thyanta perditor) e os percevejos de barriga verde (Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus), que ocorrem concomitantemente, entretanto, com menor expressão.

Para a região Norte, especialmente o estado do Pará, o percevejo verde pequeno, o verde e o marrom são os principais problemas para a cultura da soja.

Prejuízos

Ovos de percevejo marrom na soja  - Crédito Fernando Fávero
Ovos de percevejo marrom na soja – Crédito Fernando Fávero

Os danos causados pelos percevejos na soja podem ser divididos em três. O seu ataque pode causar redução direta na produtividade, fato observado na maioria dos casos quando não há controle efetivo.

Neste caso, as perdas podem chegar a até 40%, com redução do número de vagens por planta, da massa de mil grãos e do número de grãos por vagem. Outro aspecto é a redução da qualidade dos grãos, pois estes acabam ficando menores, murchos e “defeituosos“, sendo muitas vezes acometidos por fungos saprófagos que atacam os grãos, o que implica na redução do valor do produto final.

O terceiro dano que pode ser observado em função de seu ataque é a retenção foliar das plantas, conhecido como “soja louca“, e como consequência disso, há dificuldade na colheita, embuchamento de colheitadeiras, aumentando as perdas e os custos com herbicidas para dessecação.

Quando contra-atacar

O manejo fitossanitário provavelmente ocorrerá entre os estádios fisiológicos R2/R3, quando os percevejos migram dos abrigos naturais e plantas hospedeiras para as lavouras, onde encontram alimento e iniciam a reprodução. Essa geração de percevejos que chega à lavoura, comumente chamada de “vovôs“, deve ser controlada, pois são esses indivíduos que começarão a oviposição e a infestação da área.

O seu controle deve ser baseado em produtos à base de piretroides ou com a mistura piretroide e neonicotinoide. Há vários produtos comerciais no mercado (MAPA), mas em ensaios conduzidos na última safra, os maiores destaques foram com cinco produtos específicos.

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