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quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Desafio de máxima produtividade

A Fórmula 1 da soja

Nas áreas de Desafio do CESB, os top 10 saltaram de uma produtividade média de 88,1 sc/ha para 115,65 sc/há. Na edição 2020/21 contou com seis mil inscritos e o campeão Karl Milla alcançou a produtividade de 129,16 sc/ha

Leonardo Sologuren Presidente do CESB

Dr. João Pascoalino / Me. Veranice Borges Coordenadores Técnicos do CESB

Soja – Crédito: Shutterstock

Nos últimos dez anos, a produtividade média do Brasil apresentou um crescimento de 13,3%, saltando de 51,9 sc/ha registrado na campanha agrícola 2010/11 para 58,8 sc/ha registrado na safra 2020/21. Apesar desse bom salto da produtividade, a média ainda está longe do potencial genético da soja.

Quando comparamos a média da produtividade brasileira com a média dos 10 mais bem colocados no Desafio de Máxima Produtividade do CESB, é possível ver o quanto ainda podemos evoluir. Nas áreas de Desafio do CESB, os top 10 saltaram de uma produtividade média de 88,1 sc/ha para 115,65 sc/ha, considerando um período de dez anos.

Alta performance

O desafio do CESB tem como objetivo entender como o produtor de alta performance consegue obter resultados acima da média nacional e como podemos fazer a transferência tecnológica desse processo.

A contribuição do CESB tem sido feita por meio da compilação de dados de milhares de produtores, realizados nesses últimos 13 anos, além de implementarmos uma rede de pesquisa de apoio que possa avaliar as técnicas de manejo utilizadas pelos campeões.

Pelo lado da transferência de tecnologia, realizamos inúmeros fóruns (um nacional e diversos regionais) e palestras junto aos produtores rurais, analisando os cases das áreas mais produtivas, com o intuito de poder contribuir direta e indiretamente com o aumento médio da produtividade nacional.

Inovações produtivas

Com o passar dos anos, nota-se no Desafio CESB um crescente aumento do uso de tecnologias e práticas conservacionistas no sistema produtivo. A rotação de culturas com plantas de diferentes sistemas radiculares e o sistema de plantio direto ou semidireto são as mais recorrentes entre os campeões de produtividade.

Outras práticas frequentes e que têm um papel efetivo são: escolha assertiva do material genético e aquisição de sementes de alta qualidade com elevados níveis de vigor e germinação, normalmente acima de 90 e 94%, respectivamente.

A análise do solo é frequente e a correção é realizada considerando todo o sistema produtivo, fazendo uso do calcário e, na maioria das vezes, associado ao gesso agrícola. O solo é livre de impedimentos físicos e químicos, caracterizado por baixa resistência à penetração e ideal disponibilidade de fosforo (P), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e boro (B), bem como ausência de alumínio (Al).

A fertilidade do solo em todas as áreas, sem exceção, apresenta níveis ideais para a soja, ou, em raros casos, níveis aceitáveis, que não caracterizam limitações para o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Vale destacar também o suprimento complementar de micronutrientes via foliar, especialmente B, cobalto (Co), molibdênio (Mo) e manganês (Mn) e, somado a isso, a utilização de bioestimulantes, aminoácidos e reguladores de crescimento durante a condução da lavoura tem se tornado cada vez mais frequente.

É comum entre os campeões a prática de ‘adubação de sistema’, que visa fornecer os nutrientes pensando em todo o sistema produtivo, reduzindo assim operações com adubação. Quanto à fitossanidade da lavoura, é feito o manejo integrado de pragas e doenças, com destaque para o monitoramento frequente, aplicações preventivas e o uso de produtos biológicos associados aos químicos.

Teto de produção

De forma geral, os manejos e tecnologias adotadas pelos campeões têm contribuído de forma referencial para a obtenção de altos patamares produtivos, e os dados de eficiência agrícola mostram isso.

O valor almejado gira em torno de 70% e a maioria dos campeões supera esse valor, chegando, em alguns casos, a 90%, o que demonstra uma alta eficiência no uso dos recursos disponíveis. O ambiente de produção das áreas campeãs de produtividade é construído de forma gradativa, respeitando as limitações do próprio ambiente, sempre com base em conhecimentos técnicos e científicos, tendo o consultor um papel ímpar dentro deste processo, principalmente na escolha do manejo correto e da melhor tecnologia a ser usada em cada caso.

Do talhão para a fazenda

As tecnologias e manejos utilizados nos talhões inscritos e auditados pelo CESB podem e já estão sendo reproduzidos em área total da fazenda. A ideia do desafio é justamente essa, fazer com que as produtividades alcançadas em glebas específicas sejam futuramente alcançadas em toda a área da fazenda.

É importante destacar que, para participar do Desafio, alguns produtores escolhem novos manejos ou técnicas e apostam no resultado, e quando expandem para toda a fazenda, esse é o principal objetivo. Por outro lado, alguns produtores optam por manejos já adotados em área total da fazenda, visto que esse já entrega excelentes resultados, mas sempre está buscando melhorarias.

O CESB apoia e dissemina a filosofia adotada por cada um deles. Vale ressaltar que todas as técnicas e manejos adotados nas áreas participantes do Desafio devem ser pautados nos princípios de sustentabilidade, boas práticas agronômicas, respeito ao meio ambiente, as questões sociais e devem ser economicamente viáveis, caso contrário, não poderá ser reconhecido como campeão.

Ademais, as práticas usadas devem ser possíveis de serem aplicadas em áreas maiores. Atualmente, é possível evidenciar esse fato e acreditamos que a médio e longo prazoS esses resultados serão reproduzidos em toda a área comercial e refletirão de forma positiva na média Brasil, sendo esse um dos principais pilares do CESB.

Sem limites

A expressão ‘teto produtivo’ passa uma ideia de existência de um limite de produtividade, mas os limites estabelecidos vêm sendo superados a cada ano. As pesquisas e tecnologias desenvolvidas têm tornado as produtividades obtidas no Desafio Nacional de Máxima Produtividade cada vez mais passíveis de serem atingidas em áreas comerciais.

Os dados do CESB mostram um aumento exponencial do número de áreas inscritas com produtividade superior a 90 sacas por hectare, e a maioria dos produtores campeões estão com médias em grandes talhões superiores a esse número. Essa produtividade, que há pouco tempo era difícil de ser atingida, hoje está cada vez mais comum.

A discussão sobre o potencial produtivo da soja é muito ampla, entretanto, a maior parte das pesquisas têm nos mostrado que em ambientes de produção com fatores produtivos bem controlados, o potencial da soja pode ultrapassar 8 mil kg ha-¹, que realmente vem sendo atingido nos desafios.

Quando analisamos dados de produtividades médias de municípios, notamos que alguns obtêm altos níveis de produtividade, o que evidencia que altas produtividades podem, sim, ser alcançadas em áreas maiores.

É difícil estimar em quanto tempo chegaremos lá, mas altos níveis de produtividade em nível de campo serão cada vez mais frequentes e necessários para mantermos a sojicultura do Brasil sustentável e competitiva no mercado.

Ferramentas disponíveis

Para atingir altas produtividades é fundamental que o produtor tenha um bom conhecimento das particularidades da sua área, considerando a sua variabilidade espacial. Vale lembrar que, para obter altas produtividades, nem sempre é necessário aumentar os investimentos, muitas vezes está mais relacionado à economia de recursos, e os pontos determinantes são: uma boa gestão dos fatores ‘controláveis’ do sistema produtivo, sejam relacionados ao solo, considerando os atributos químicos, físicos e biológicos; à planta, com destaque para escolha da cultivar adequada ao ambiente produtivo, proteção da lavoura com os produtos certos na hora certa, e o semeio na época recomendada.

O manejo deve incluir práticas conservacionistas, escolha e regulagem correta dos equipamentos agrícolas, considerando as particularidades do solo (tipo, condição e topografia), etc. Hoje, uma das principais alternativas que vêm sendo utilizadas para a gestão da produção agrícola é a agricultura de precisão: mapeamento da fertilidade do solo, aplicação de fertilizantes, corretivos e herbicidas em taxa variável, mapas de colheita, entre outras que possibilitam controlar as irregularidades das áreas e melhorar a eficiência de todo o sistema produtivo.

Dados os conhecimentos e tecnologias disponíveis hoje, é possível afirmar que podemos aumentar muito as produtividades das áreas comerciais, pois já existem tecnologias e genética para isso, e essas serão melhoradas a cada dia.

O futuro

Estamos vivendo uma nova era tecnológica para a soja brasileira, com novas fronteiras agrícolas, consequentemente novos desafios, e a pesquisa está avançando rapidamente para atender as novas demandas.

A cada ano surgem novos eventos biotecnológicos, maquinários, produtos e manejos. Pensando nos fatores ambientais que influenciam a cultura, já estão sendo iniciados estudos genéticos com foco em tolerância à seca, eficiência no uso da água e responsividade no uso de nutrientes, etc.

Uma outra vertente é a descoberta de novos organismos biológicos benéficos e o desenvolvimento de produtos indutores de resistência e reguladores de crescimento. Além disso, destacam-se as tendências tecnológicas: digitalização do meio rural, agricultura de precisão, uso de softwares e inteligência artificial na agricultura.

Somado a essas possibilidades tecnológicas, vale destacar o desafio de acompanhar toda esta frente tecnológica, principalmente no que tange a aplicabilidade no dia a dia do produtor, consultor e afins. Por fim, a busca por um sistema produtivo cada dia mais eficiente e sustentável será cada vez maior nos próximos anos.

Custo envolvido

Para que o produtor possa ser campeão do Desafio de Máxima Produtividade, não adianta apenas ser campeão de produtividade. É necessário que o aumento de sacas produzidas por hectare venha acompanhado de rentabilidade positiva.

Em todos os cases apresentados pelo CESB, detalhamos qual foi o ROI (Retorno sobre o investimento) dos campeões. Na média, a cada R$ 1,00 investido por esses produtores de alta performance, eles têm obtido um retorno acima de 2,5 vezes. Desta forma, para ser um campeão, não basta produzir, é preciso ser sustentável e rentável!

O CESB foi criado com o objetivo de oferecer um ambiente regional e nacional que estimule sojicultores e consultores técnicos a desafiar seus conhecimentos, incentivando o desenvolvimento de práticas de cultivo inovadoras. O comitê é composto por 22 membros e 32 entidades patrocinadoras: Basf, Bayer, Syngenta, UPL, FMC, Jacto, Mosaic, Superbac, Corteva, Instituto Phytus, Eurochem, Compass Minerals, ATTO Adriana Sementes, Stoller, Timac Agro, Brasmax, Stara, Datafarm, Viter, Somar Serviços Agro, Ubyfol, Fortgreen, KWS, Yara, Sumitomo Chemical, Adama, Agrivalle, HO Genética, FT sementes, Biotrop, Koppert e IBRA.

O que fazer para colher 129,16 sacas de soja por hectare

O sojicultor Karl Milla, de Pinhão (PR) é o campeão Nacional

Com mais de seis mil inscritos, na edição 2020/21 o produtor Karl Milla, do Condomínio Milla, se superou, com produtividade de 129,16 sc/ha de soja na propriedade Fundo Grande, de Pinhão (PR), tornando-se o campeão Sul & Nacional na categoria sequeiro.

A média produtiva da fazenda foi de 90 sc/ha, sendo que o total cultivado com soja é de 496 hectares, mas 82 hectares dedicados ao desafio. O sistema de plantio direto com rotação de culturas já faz parte do manejo há mais de sete anos, o que tanto o produtor quanto seu consultor consideram um diferencial.

Detalhes do plantio:

  • Data de plantio: 02/10/2020 → Ciclo: 143 dias (5.5)
  • Arranjo espacial de plantas: linha
  • População almejada: 310.000 plantas/ha
  • População obtida: 284.000 plantas/ha
  • Número de plantas/metro: 14,2
  • Espaçamento entrelinhas: 50 cm
  • Tamanho de semente: 6-6,9 mm
  • Profundidade da semeadura: 3-3,9 cm
  • Profundidade de aplicação de fertilizantes: a lanço

Para o produtor Milla, a interação que as raízes e a rizosfera têm com o solo é complexa, e sendo específica, é preciso interagir visando sempre a microbiota do solo, especialmente para combater fungos e bactérias nocivos e atrair os microrganismos benéficos. “Queremos tirar o máximo da terra, mas sempre com sustentabilidade, para conseguirmos realmente transformar o planeta em um lugar mais justo e equilibrado para todos”, diz, e complementa: “A biotecnologia tem sido uma ferramenta essencial para conseguir melhorar a produtividade com o uso eficiente de defensivos. Esse uso mais eficiente torna a agricultura muito mais sustentável do ponto de vista econômico, mas principalmente do ponto de vista ambiental”.

Luiz Gabriel de Moraes Jr., consultor agronômico do Condomínio Milla, explica como aconteceu essa vitória: “Basicamente, trabalhamos o solo como um todo, descompactando-o, para evitar o fusarium e nematoides, rotação de cultura com aveia preta, empregando técnicas assertivas quanto à correção do solo, biológicos e químicos, tudo na dose e tempo corretos. Equilíbrio é a palavra de ordem, pois o objetivo é deixar o solo rico em matéria orgânica, para que a soja possa realmente expressar seu potencial produtivo”.

Para o professor e membro fundador do CESB, Ricardo Balardin, o que faz os produtores campeões é a insatisfação de nunca chegar ao limite, mas sempre querer mais. “A vida no solo transfere para a planta todas as condições que ela precisa para ir adiante. Entretanto, é preciso ajudar a planta, complementando a sanidade da raiz e da parte aérea, visando o controle mais imediato, mas sempre mantendo o solo vivo. Acredito que em breve chegaremos às 160 sc/ha, uma comemoração que não deve demorar”, diz.


Os campeões do Desafio de Máxima Produtividade

Desde 2020, o Brasil conquistou o 1º lugar como maior produtor e exportador de soja no mundo com 126 milhões de toneladas produzidas e 84 milhões exportadas. Atualmente, o país participa com 50% do comércio mundial de soja. Esse é o resultado de um longo trabalho diário dos pesquisadores e de todos os agricultores brasileiros.

Lista dos campeões do Desafio de Máxima Produtividade 2020/21:

1. Campeão Sul Nacional Sequeiro – Condomínio Milla, de Pinhão (PR), alcançou produtividade de 129,16 sacas por hectare.

2. Campeão Nacional Irrigado – Silvio Langleberto Maluta, de Itapeva (SP), registrou produtividade de 121,29 sacas por hectare.

3. Campeão Sudeste – Marcus Felippe Reis Veiga, de São João Del Rei (MG), atingiu produtividade de 113,99 sacas por hectare.

4. Campeão Centro-Oeste – Gustavo Lunardi, da SLC Agrícola, de Cristalina (GO), atingiu produtividade de 100,33 sacas por hectare.

5. Campeão Norte/Nordeste Sequeiro – João Gorgen, Grupo Gorgen, do município de Formosa do Rio Preto (BA), obteve uma produtividade de 113,26 sacas por hectare.


Edições passadas

Na edição passada, o agricultor Laércio Dalla Vecchia, de Mangueirinha (PR), foi o campeão do Desafio CESB. Ao todo, ele colheu 118,8 sacas de soja por hectare, em uma área de sequeiro. Laércio faz questão de ressaltar que não concluiu uma faculdade na área que ama. “Sou apenas agricultor. E todo o conhecimento que possuo hoje é empírico. Tenho pelo menos três grandes grupos técnicos de debate de agricultura no whatsapp. É muita informação, muita troca de experiências e conhecimentos. O que funciona para um pode não dar certo com o outro, mas testamos para aprender e entender o que é melhor para nossa área”, completa.

Desafio CESB

Há cinco anos, o agricultor já participa do Desafio de Máxima Produtividade do CESB e estava bastante radiante antes mesmo de saber que havia ganhado, pois conseguir colher mais de 90 sacas por hectare na média era um sonho antigo.

“Claro que é o sonho de qualquer produtor colher bem, é uma premissa básica, está sempre nos pensamentos de qualquer um. E, desde sempre, eu tinha como referência as produtividades apresentadas no CESB. Sempre falava para mim mesmo, ‘Nossa, se eles conseguem passar das 100 sacas por hectare, por que eu não consigo? O que preciso para superar essa marca?’ Me fiz essa pergunta muitas vezes”, comenta Laércio.

Mudança de paradigmas

As primeiras tentativas de produzir mais sacas por hectare não deram muito certo. E Laércio sabe bem onde errou. Na verdade, o erro dele ainda é a falha de muitos agricultores no País.

“Sempre tentei mudar algo no manejo para conseguir esse algo a mais. Em um determinado momento, eu coloquei na cabeça que, para colher mais, eu deveria gastar mais. Cheguei a separar talhões pequenos e neles mantinha um manejo muito diferente do resto da área. Era um manejo muito mais caro, algo que seria inviável fazer em toda a área. Mas queria tentar chegar aos números do CESB”, relembra.

Laércio foi bastante honesto em relembrar que os resultados não vieram após gastar mais. Isso, aliás, é algo muito ressaltado pelo CESB. Após se perguntar diversas vezes o que estava faltando, Laércio relembrou da “agricultura raiz”, herdada de seus avós, vindos da Itália para tentar a vida no Brasil.

“Foi aí que me debrucei em todo o processo e percebi que estava faltando o básico. Eu me preocupei com detalhes e produtos, mas não me atentei ao básico na agricultura. Ou seja, não estava dando atenção às premissas do plantio direto: menor revolvimento possível do solo, maior cobertura de plantas, com pelo menos 8,0 toneladas de palhada sobre o solo por hectare, rotação correta de culturas, cuidado com a nutrição do solo. Todas essas coisas estavam de lado”, ressalta.

Pois foi isso que ele fez, mudou tudo, apostou no básico da agricultura e o resultado foi o de vencedor nacional do desafio CESB. “Hoje, toda a área que planto usa o mesmo manejo, como se toda ela fosse para participar do CESB. Com um monitoramento intensivo de pragas e doenças, fazendo aplicações no momento certo e na quantidade necessária. E o melhor, com custos mais baixos”, ressalta Laércio.

Ao todo a fazenda possui 190 hectares de lavouras e o CESB poderia pegar qualquer talhão que o resultado seria parecido. “O talhão vencedor do CESB não teve nenhuma aplicação de inseticida. Isso é motivo de orgulho pra mim, pois não só economizei dinheiro, como obtive um resultado incrível, isso só com monitoramento”, comemora.

Mais com menos

Sabe aquele sonho de superar os 100 sacos em uma pequena área? Pois é, ele realizou e gastando menos. “Todo ano é uma história diferente, com mais ou menos pressão de doenças, clima adverso, etc. Não existe uma receita de bolo na agricultura. Mas, uma coisa a gente pode fazer para se dar bem. Esteja presente na lavoura, monitore, faça uma agricultura adequada. Afinal, os agroquímicos não aumentam a produção, eles servem para manter a produção estável. Se quer ampliar sua produção, invista no solo, na rotação de culturas e no monitoramento”, destaca.


Característica da lavoura

  • Data de plantio: 14/10/2019 → Ciclo: 130 dias
  • Arranjo espacial de plantas: linha
  • População almejada: 300.000 sementes/ha
  • População obtida: 292.000 plantas/ha
  • Número de plantas/metro: 14,6
  • Espaçamento entrelinhas: 50 cm
  • Tamanho de semente:7 mm
  • Profundidade da semeadura: 3 a 3,5 cm
  • Profundidade de aplicação de fertilizantes: 7 a 10 cm
Variáveis Informações
Distribuição sementes Vácuo (pneumático)
Abertura suco plantio Disco
Velocidade operacional 5 km/h
Plantas normais 83%
Plantas duplas 10%
Falhas 7%

Fonte: CESB/Canal Rural

Sumitomo e CESB

Parceria de sucesso

A Sumitomo iniciou agora sua parceria com o CESB que, por meio do Concurso Nacional de Máxima Produtividade da Soja, performa um trabalho colossal para a agricultura brasileira.

“O Brasil, sendo expoente máximo mundial na produção dessa riqueza chamada soja, vem numa constante evolução em produtividade e eficiência agrícola. A adoção de novas tecnologias e boas práticas têm sido fundamentais ao longo dos anos para esta evolução, o que tornou o País o maior produtor mundial de soja”, diz Lucas Martinez, gerente de marketing de Bioracionais na Sumitomo Chemical.

O Concurso, organizado desde 2008, é uma das forças motrizes deste processo, incentivando e divulgando os vencedores, sendo uma vitrine e inspiração para a melhoria contínua em busca de recordes de eficiência.

Linha de produtos Sumitomo

A Sumitomo Chemical é uma das maiores indústrias de tecnologia agrícola do mundo. Dentro da plataforma de manejo para soja, trabalha com soluções híbridas em três pilares: BioRacionais, Especialidades e Pós-patentes.

“Entendemos que a integração de manejos sustentáveis é uma demanda obrigatória para provermos soluções eficientes no controle de pragas, plantas invasoras, doenças e na melhoria de cultivos, pela fisiologia vegetal. Temos um portfólio amplo, com soluções para todas as demandas do setor: inseticidas de ponta, aliando tecnologias biológicas e convencionais garantindo MIP, como XenTari e Abaday; herbicidas líderes de mercado, como Zethamaxx, que vem se destacando amplamente; fungicidas multissítios e focados em manejos que roubam produtividade, a exemplo de Sialex em mofo-branco, e reguladores de crescimento vegetal, que agem diretamente na fisiologia da soja”, enumera Lucas Martinez.

Ainda segundo ele, para alcançar as máximas produtividades, a Sumitomo atende duas grandes necessidades: proteger o mais eficientemente possível e buscar potencializar a planta de maneira mais precisa.

Para proteger eficientemente, está em fase final de desenvolvimento um fungicida que tem demonstrado as maiores eficiências dentre todos os competidores nos últimos anos no controle da ferrugem asiática da soja, com efeito também em outras doenças.

Para potencializar de maneira exata, nos últimos anos a empresa desenvolveu um programa de reguladores de crescimento vegetal para melhorar a arquitetura de plantas (MaxCel) e melhorar o desenvolvimento reprodutivo da soja (ProGibb).

O uso destes dois reguladores resulta em uma planta com mais hastes laterais, por sua vez com mais nós reprodutivos e, portanto, com mais estruturas reprodutivas, ou seja: direto na produtividade.

Resultados de máxima produtividade

O Programa de Uso de Reguladores (MaxCel e ProGibb) foi consolidado na safra 2020/21 em mais de 400 áreas colhidas separadamente, de Norte a Sul. A consistência, de acordo com Lucas Martinez, é impressionante: “tivemos uma taxa de sucesso altíssima e uma média de ganhos de produtividade de 4,0 sc/ha. Temos, hoje, a capacidade de filtrar estes resultados em mais de 60 cultivares e todos os Estados produtores e recomendar aos sojicultures de maneira exata”.

Além desta iniciativa, a Sumitomo tem o Zethamaxx, cuja consistência o leva para a liderança do segmento, e uma pesquisa e desenvolvimento muito forte nas tecnologias híbridas mencionadas.

Entre os diferenciais e inovações da linha Sumitomo, o especialista destaca a pesquisa de novas tecnologias, desenvolvimento de soluções híbridas customizadas aos clientes e a busca pela eficiência produtiva.

Koppert é a nova parceira do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB)

O Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que tem por objetivo alavancar a produtividade da soja no Brasil e incentivar as melhores técnicas de sojicultura no País.

Formado em 2008 por renomados profissionais e pesquisadores de diversas áreas, o CESB se destaca, ano a ano, pelo seu comprometimento com práticas sustentáveis e com a excelência produtiva. A entidade congrega ainda empresas e instituições que apoiam suas iniciativas, como a Koppert do Brasil, nova parceira do Comitê.

Para o diretor comercial da Koppert do Brasil, Gustavo Herrmann, patrocinar o CESB é uma forma de mostrar que o manejo biológico na cultura da soja é uma realidade e um grande aliado na busca pela produtividade sustentável nessa cadeia. “Nossos maiores clientes são produtores de grãos de todo o País que investem no controle biológico para produzir mais e melhor”, explica.

De acordo com Leonardo Sologuren, presidente do CESB, as parcerias são fundamentais para o fortalecimento do CESB. “Damos as boas-vindas à Koppert e a toda sua equipe. É ótimo termos o apoio de empresas que queiram contribuir para a propagação do conhecimento, das tecnologias e das práticas inovadoras de cultivo, promovendo a integração de toda a cadeia produtiva da cultura da soja”.

Iniciativa

A principal iniciativa do CESB é o Desafio de Máxima Produtividade, que tem como objetivo incentivar sojicultores a intensificar a produtividade, por meio da utilização das melhores técnicas de cultivo. A edição atual teve um recorde de seis mil inscritos, um aumento de quase 15% no número de participantes, em comparação com o ano passado.

De acordo com o presidente do CESB, o Desafio se firmou como uma real oportunidade para o agronegócio brasileiro utilizar ainda mais práticas sustentáveis de excelência no cultivo de soja, além de incentivar o compartilhamento de informações entre os agentes de todo o sistema produtivo.

“Essa empreitada ajuda os produtores a encontrarem maneiras de obter crescimento da produção de forma vertical, ou seja, visando o aumento da produtividade de forma sólida, sustentável e rentável”, pontua.

Além do tradicional Desafio Nacional de Máxima Produtividade da Soja, o CESB realiza uma série de outras ações que visam o incremento da produtividade média da sojicultura. Uma destas iniciativas é o Máster em Tecnologia Agrícola (MTA Soja), primeiro curso de pós-graduação em soja. Organizado pelo CESB, em parceria com a Elevagro, o curso terá conteúdo abrangente, contemplando boas práticas e altas produtividades.

Produtor poderia colher até 130 sacas de soja por hectare

Paulo Cesar Sentelhas Doutor e professor titular da área de Agrometeorologia da ESALQ/USP, CTO da Agrymet, membro efetivo do CESB e pesquisador do CNPq.pcsentel.esalq@usp.br

As mudanças climáticas podem, a longo prazo, afetar o padrão da agricultura brasileira. No caso da soja, que tem uma janela de plantio estreita e um ciclo cada vez mais curto, o alerta vai para a necessidade do melhoramento genético.

A diferença do produtor bom para o médio é o yield gap, que mede a quebra de produtividade em relação ao potencial das lavouras. Com o aumento da eficiência em 20%, a média da produtividade brasileira saltaria de 55 para 80 sacas por hectare. Com uma condição ótima de manejo, e considerando os efeitos do clima, o produtor poderia colher 130 sacas por hectare.

Variabilidade

A soja é uma cultura cultivada em todas as regiões do país e, portanto, está sujeita a diferentes condições de clima e solo. Nesse sentido, o manejo da cultura se torna fundamental para a obtenção de boa produtividades, o que inclui a escolha da janela ideal de semeadura, o uso de cultivares mais adaptadas à região, a formação de perfil de solo para que as raízes tenham uma maior disponibilidade hídrica e o uso de estratégias de nutrição e defesa vegetal que levem as lavouras a tolerar melhor as possíveis condições climáticas adversas.

Nessas condições, a produção de soja no País se mantém de certa forma estável, já que quando uma parte do Brasil é abatida por falta de chuvas ou altas temperaturas, outras produzem muito bem. No entanto, isso também faz com que a média nacional de produtividade venha se mantendo estável pelo menos na última década, com valores entre 50 e 55 sacas por hectare.

Tetos produtivos nacionais de soja

O teto produtivo de uma cultura depende de uma série de fatores, mas, basicamente, da interação entre o genótipo (cultivar), o ambiente (clima e solo) e as condições de manejo. De modo geral, expressamos o potencial produtivo de uma cultura numa dada região pela produtividade atingível, a qual expressa o quanto poderia ser produzido por um genótipo bem adaptado ao ambiente, em condições de sequeiro e sem restrições relativas ao manejo.

Nessa condição, as produtividades poderiam atingir valores entre 100 e 150 sacas por hectare. No entanto, devido ao fato das condições de manejo não serem perfeitas, sempre há alguma redução de produtividade decorrente do ataque de pragas e doenças ou, ainda,  problemas de outra natureza que fazem com que as produtividades sejam menores do que esses patamares, sendo essas as produtividades reais obtidas no campo.

A relação entre a produtividade real e a atingível resulta no que chamamos de eficiência agrícola, que mede o grau de eficiência do produtor em obter o máximo de produtividade na sua região. Como a eficiência agrícola média dos produtores brasileiros se encontra por volta dos 40 – 50%, as produtividades reais vêm oscilando entre 40 e 75 sacas por hectare.

No entanto, caso a eficiência agrícola pudesse ser elevada para 60 – 70%, as produtividades a nível nacional poderiam variar entre 60 e 105 sacas por hectare. Num cenário de eficiência agrícola ainda mais otimista, assim como os obtidos pelos campeões do CESB, ou seja, em torno de 90%, as produtividades poderiam oscilar entre 90 e 135 sacas por hectare, o que ainda está longe de ser obtido pela maioria dos produtores.

Desafios atuais

Os desafios para a obtenção de altas produtividades está basicamente no contexto do manejo agrícola. Muitas vezes as condições operacionais acabam por limitar a condução das lavouras de soja em condições ideais. Isso se dá especialmente nas grandes áreas produtoras onde as operações de campo, especialmente aquelas relacionadas ao controle de pragas, como lagartas, percevejos e nematoides, e doenças, como a ferrugem e o mofo-branco, não conseguem ser executadas de forma ideal.

Assim, otimizar as operações de campo é o principal desafio, já que isso leva aos yield gaps (perdas de produtividade) por manejo.  


Como alcançar 130 sc/ha de soja

Alcançar 130 sc/ha de soja depende de uma série de ações, ou seja, escolha da janela ideal de semeadura, uso da melhor cultivar para a região, adoção da população de plantas mais adequada para o clima e solo da região, controle eficiente de pragas e doenças, boa nutrição da cultura e, especialmente, a construção de um ambiente de produção (perfil de solo) que possibilite à cultura da soja enfrentar condições climáticas adversas, especialmente os veranicos, hoje o maior problema para a cultura em muitas regiões produtoras.

Essa ação é de longo prazo e depende da conscientização dos produtores para que adotem rotação de culturas, usem adubação verde, melhorem a microbiota do solo e manejem seus solos para que as raízes tenham condições de se aprofundar.

Isso garantirá que os déficits hídricos deixem de ser o maior dos problemas dos produtores, garantindo assim maior resiliência ao sistema produtivo.


Estratégias

No mercado existem diversas estratégias para se buscar altas produtividades. No entanto, nem sempre a combinação de todas elas repercute em altíssimas produtividades. Creio que as altas produtividades da soja dependam, em grande parte, da construção de um ambiente de produção equilibrado, pois somente a partir daí as demais estratégias de manejo irão mostrar o seu valor.

Diversas inovações tecnológicas têm sido desenvolvidas e disponibilizadas ao setor agrícola, porém, na maioria dos casos a produtividade da soja não tem se beneficiado demasiadamente disso.

O fato de a produtividade nacional estar praticamente estável no País ao longo dos últimos anos mostra isso. Há necessidade de equacionarmos melhor onde está o gargalo da produtividade da soja no Brasil, e uma forma de fazermos isso é por meio da análise dos campeões do CESB.

O que efetivamente esses produtores estão fazendo para alcançar valores tão elevados de produtividade? A resposta não é simples, mas devemos prossegui-la de modo a buscar as possíveis soluções para as limitações que vêm sendo impostas para as lavouras de soja no Brasil.

Perspectivas

As perspectivas para a cultura da soja no Brasil são promissoras. As ações dos diversos segmentos vêm trazendo cada vez mais tecnologias que possibilitem maiores produtividades. No entanto, para que isso se efetive, os agricultores, associação de produtores e os consultores terão que se postar de forma a garantir a sustentabilidade de seus sistemas produtivos, especialmente no que se refere ao manejo racional das doenças.

Manter o vazio sanitário é de suma importância para isso, já que, além dos problemas climáticos, atualmente o controle fitossanitário se posta como um dos principais desafios para a obtenção das altas produtividades.

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