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quarta-feira, julho 6, 2022
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Desbaste pelo alto – Alternativa para o Pinus taeda

Daniel da Silva Souza

Geógrafo, graduando em Engenharia Florestal e consultor ambiental

geocentrosul@gmail.com

 

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

As florestas plantadas apresentam um desenvolvimento superior quando intervenções silviculturais são conduzidas no povoamento durante a rotação da floresta. Até mesmo em florestas nativas, intervenções são propulsoras de ganhos consideráveis no regime de manejo. As intervenções silviculturais se dividem em cortes intermediários, desramas (podas) e desbastes.

Os cortes intermediários têm como objetivo melhorar a estabilidade, a estrutura e o estado sanitário da floresta. Assim, retiram-se árvores mortas ou danificadas por insetos, fungos, ou simplesmente eliminam-se indivíduos indesejáveis que naturalmente ocorrem no interior dos talhões.

A desrama, popularmente chamada de poda, é o corte dos galhos que compõem a porção inferior das copas das árvores, as quais serão utilizadas para usos sólidos, como serraria e laminação. O objetivo das desramas é obter madeiras livres de nós, com maior resistência mecânica e qualidade tecnológica, maior homogeneidade e melhor aspecto.

A desrama deve ser feita ainda com os ramos vivos e preferencialmente verdes, para não se ter nós mortos na madeira, o que prejudicaria muito seu uso. A melhor época para a desrama é na estação de repouso vegetativo, normalmente nos meses de menor precipitação e incidência solar. Nesse período, as podas causam menores estresses para as plantas.

Os galhos devem ser cortados o mais rente possível ao tronco, gerando maior qualidade de madeira e ainda permitindo rapidez na cicatrização. Feridas nas cascas dos troncos devem ser evitadas, e os cortes dos galhos devem ser lisos, sem rebarbas e dobras. Para tanto, ferramentas apropriadas e devidamente afiadas são imprescindíveis.

Atenção redobrada

Apesar dos inúmeros benefícios, as desramas significam retirada de grande parte das folhas, o que implica numa momentânea redução da área fotossintética, que logo é recuperada se for realizada de forma correta. Um erro comum é conduzir a desrama acima do limite que a planta precisa para se recuperar. Pelo menos 30% da copa deve ser mantida.

Outra dificuldade é saber quando executar a poda. No início do plantio, as árvores precisam de muita área verde para impulsionar o crescimento e, por assim ser, não é recomendável realizar desramas nos primeiros meses.

O melhor momento é quando começa a haver competição entre as copas, presença de galhos secos e redução de luz no sub-bosque. Em algumas espécies, principalmente de Eucaliptus, ocorre a desrama natural, ficando dispensada a desrama artificial. Para fins energéticos, por exemplo, a desrama também é desaconselhável, pois o custo com a poda não proporcionará retorno financeiro.

O desbaste

A última categoria de intervenção silvicultural contempla os desbastes, que consiste no corte e retirada de uma porcentagem de indivíduos do povoamento florestal visando favorecer o crescimento das árvores que permanecerão no talhão por mais tempo.

Os desbastes podem ser classificados em três tipos: seletivos, sistemáticos e mistos. No método seletivo, as árvores são cortadas conforme um critério de seleção elegido. Já nos desbastes sistemáticos, as árvores de uma linha inteira são cortadas, enquanto todas as árvores de linhas vizinhas são mantidas. No desbaste misto há a combinação dos dois métodos.

No método seletivo, comumente se tem observado no Brasil o predomínio da seleção por baixo. Isto é, as árvores menores e mais fracas são selecionadas e retiradas. Após o desbaste, algumas áreas permanecem concentradas e outras apresentam densidade bastante reduzida.

Nas áreas em que a densidade permanece alta, o crescimento das remanescentes exibe baixos ganhos, pois a competição e a disputa por nutrientes, água e luz permanecem acentuadas. Já nos pontos com menor densidade, o solo pode ficar desprotegido, propenso a erosões e suscetível às infestações de ervas daninhas.

Seleção pelo alto

Muito pouco difundido no Brasil, mas utilizado há décadas na Europa, o método seletivo pelo alto traz uma grande gama de vantagens em relação ao seletivo por baixo. Neste método, primeiramente é necessário classificar as árvores em uma das seguintes classes:

  • Dominantes: são as árvores maiores, com copas que recebem iluminação direta na parte apical e em boa quantidade na porção lateral;
  • Codominantes: são as árvores um pouco menores que as dominantes, em que uma porção da parte apical recebe luz direta, mas a parte lateral recebe predominantemente luz indireta;
  • Subdominantes: apresentam dimensões ainda mais reduzidas e a iluminação direta ocorre apenas em algumas extremidades da copa; e
  • Dominadas: essas árvores são as menores do povoamento e não recebem luz direta.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro/fevereiro 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

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