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domingo, julho 3, 2022
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Detalhes que fazem a diferença no plantio do café

Marcelo Linhares

Engenheiro agrônomo, especialista em Proteção de Plantas e consultor Sagra Insumos Agrop. Ltda

marcelo.de.linhares@terra.com.br

 Plantio do café - Crédito Luize Hess
Plantio do café – Crédito Luize Hess

O plantio do café é um momento de grande importância, pois, por ser uma cultura perene, ficará instalada por vários anos no local escolhido. Antes de iniciar o preparo, é aconselhável providenciar a análise do solo, para que as correções e adubações sejam realizadas visando um bom desenvolvimento das plantas. Posteriormente ocorrerá a etapa de preparo do solo e realização do sulco de plantio.

Os plantios de café se iniciam no mês de setembro e outubro para o manejo de café irrigado, e em novembro e dezembro para os plantios de café em sequeiro. Estas datas são flexíveis e podem variar de um ano para o outro, sempre observando o período de início das chuvas e se as mesmas estão contínuas.

Destaque

O café, no Brasil, destaca-se econômica e socialmente desde a chegada das primeiras mudas vindas da Guiana Francesa, em meados do século XVIII. Diante de sua rápida adaptação ao solo e clima, o produto adquiriu importância no mercado, transformando-se em um dos principais itens de exportação, desde o Império até os dias atuais.

A princípio restrita aos Estados do Pará e do Maranhão, a produção de café se expandiu e, atualmente, são 15 Estados produtores, com destaque para Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná e Rondônia.

Diante de diversos climas, altitudes e tipos de solo, os produtores brasileiros obtêm variados padrões de qualidades e aromas, entre as duas espécies cultivadas – o café arábica e o café robusta, os quais apresentam uma grande variedade de linhagens.

Uma lavoura bem plantada - Crédito Marcelo Linhares
Uma lavoura bem plantada – Crédito Marcelo Linhares

Espécies

O café arábica (Coffea arabica L.) permite ao consumidor degustar um produto mais fino, requintado e de melhor qualidade. Originalmente produzido no oriente, este tipo de café é cultivado em altitudes acima de 800m. Predomina nas lavouras de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e em parte do Espírito Santo.

O café robusta ou conilon (Coffea Canephora) é usado para a fabricação de cafés solúveis e apresenta um sabor único, menos acidez e teor de cafeína maior. Predomina nas lavouras do Espírito Santo, em Rondônia e em parte da Bahia e de Minas Gerais.

Resistência à ferrugem

A ferrugem do cafeeiro é a doença que mais causa prejuízos à cultura do café, sendo necessária a adoção de medidas de controle, por meio de tratamentos químicos atualmente muito eficientes com as misturas de triazois e estrobilurinas, ou também usando variedades com resistência genética que a cada ano aumentam sua utilização.

O acervo de materiais e equipe técnica, oriundos do ex-IBC, foi assumido pela Fundação Procafé, em parceria com o MAPA, que executa estes programas de melhoramento genético visando o desenvolvimento de cultivares de café com resistência a esta moléstia.

Este programa inclui a seleção de plantas provenientes de vários cruzamentos entre diferentes germoplasmas de café, bem como a avaliação de cultivares desenvolvidos, ou em fase de desenvolvimento, por outras instituições de pesquisa, a exemplo da Epamig.

Uma parte significativa deste trabalho é realizada na Fazenda Experimental de Varginha, onde tem sido realizada a seleção de progênies, as quais, além da resistência, precisam ser avaliadas quanto à produtividade.

Possuem também outras características de interesse, tais como alto vigor vegetativo, sementes graúdas, maturação uniforme e resistência a doenças. As principais fontes usadas para a obtenção de resistência à ferrugem foram plantas provenientes de cruzamentos com híbrido de Timor e com Icatu.

Segundo o MAPA, atualmente temos um grande número de variedades, algumas apenas com tolerância e outras com resistência à ferrugem, cada uma com sua característica e particularidade.

 Catucai amarelo 24-137 tolerante a ferrugem - Crédito Marcelo Linhares
Catucai amarelo 24-137 tolerante a ferrugem – Crédito Marcelo Linhares

Evite confundir

É importante padronizar o significado desses termos, a fim de evitar comparações e, até mesmo, confusões. Comumente, pesquisadores, técnicos e produtores empregam os termos “tolerantes“ e “resistentes“ para classificar a reação das variedades em resposta à infecção por patógenos.

Frequentemente, esses termos são empregados de modo intercambiável e até mesmo como sinônimos. Entretanto, em fitopatologia há diferenças importantes associadas à tolerância e resistência. Essa nota tem por objetivo esclarecer o significado desses termos e, adicionalmente, espera-se contribuir para que haja a padronização no seu uso.

Parlevliet (1997) conceitua resistência como a habilidade da planta em suprimir, retardar ou prevenir a entrada ou a subsequente atividade do patógeno (crescimento e desenvolvimento) em seus tecidos. Cultura como a do café pode ser imune ou completamente resistente (ausência de doença).

O conceito de tolerância apresenta algumas controvérsias e, atualmente, não há um consenso quanto a sua melhor definição. Existem várias definições de tolerância, porém, a definição clássica é a de Caldwell et al. (1958), na qual tolerância é a capacidade das plantas suportarem a doença sem perdas severas em produtividade ou qualidade.

Logo, segundo o MAPA, podemos citar as variedades resistentes: Acauã, Acauã Novo, Araponga, Arara, Catiguá MG1 e MG2, Catucaí Amarelo 2SL, IAC 125 RN, IPR, MGS Catiguá 3, MGS Paraíso 2, Catiguá MG2, TUPI IAC 1669-33.

Variedades Tolerantes: Azulão, Catucaí 785-15, Catucaí Amarelo 2SL, Catucaí Vermelho 24/137 e 36/6.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de Abril da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira a sua para leitura completa. 

 

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