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Dia Mundial do Meio Ambiente: como o esporte pode ajudar a mitigar as mudanças climáticas

Iniciativas de conscientização ocorreram todos os dias no Saquarema Surf Festival
Crédito: Thiago Diz

No Dia Mundial do Meio Ambiente e Ecologia, celebrado nesta quarta-feira (5), o mundo volta a sua atenção para questões cruciais de preservação ambiental e sustentabilidade. Neste ano o Brasil sentiu como nunca o poder devastador das mudanças climáticas. As enchentes que ainda assolam o Rio Grande do Sul custaram centenas de vidas, destruindo cidades inteiras e paralisando diversas indústrias, inclusive a esportiva.

Em 2016 o Observatório do Clima apresentou o relatório “Mais Longe do Pódio – Como as Mudanças Climáticas Afetarão o Esporte no Brasil”, que apontava desafios à saúde dos atletas e ao calendário de eventos, cada vez mais afetado por eventos extremos, como observamos neste ano. Mais recentemente, a World Athletics fez um alerta semelhante.

À medida que o mundo enfrenta desafios ambientais cada vez mais urgentes, o esporte emerge como um importante ator na promoção da sustentabilidade e no engajamento social com o assunto. O esporte, como um grande vetor de união entre os povos e por seu potencial de inspirar as pessoas a se engajarem nesta luta, pode oferecer soluções inovadoras para mitigação do aquecimento global. Ligas como a World Trail Races e a Street League Skateboarding e eventos como o Saquarema Surf Festival, promovidos pela 213 Sports, são alguns exemplos de que é possível realizar eventos de alto nível enquanto se protege o meio ambiente.

Abaixo, destacamos algumas frentes onde o esporte pode contribuir no combate ao aquecimento global.

Educação e engajamento

O esporte tem o poder de reunir multidões em torno de uma paixão. Seja em estádios, nas ruas ou em meio à natureza, o potencial de engajamento das atividades esportivas é notório, tanto que atrai o investimento de empresas de diversos segmentos, movimentando mais de 600 bilhões de dólares anualmente.

Com toda atenção e recursos que atrai, o esporte também tem a responsabilidade de usar sua influência para educar o público sobre a importância de preservarmos o planeta, enquanto ainda temos tempo. A educação é pilar fundamental de qualquer mudança significativa na sociedade e vetor de transformação nas ações individuais e coletivas.

Crianças participam de ação de plantio de mudas nativas no Saquarema Surf Festival
Crédito: Thiago Diz

No Saquarema Surf Festival, por exemplo, principal festival de surfe da América do Sul, realizado pela 213 Sports, com chancela da WSL e integrante do Circuito Banco do Brasil de Surfe, a agenda ASG (Ambiental, Social e Governança) orienta todas as tomadas de decisões. Neste ano, as ações de educação ambiental e coleta de lixo foram em parceria com a ONG Blue Birds e voltadas aos estudantes das escolas municipais de Saquarema. O evento se uniu à prefeitura da cidade para realizar o plantio de mudas de bromélias nativas, palestras e aulas de conscientização ambiental, incluindo a nova geração de saquaremenses nos esforços da cidade pela preservação do meio ambiente.

“A preocupação do Saquarema Surf Festival está muito alinhada à dos surfistas, que são muito engajados na preservação dos oceanos, tanto no uso de produtos mais sustentáveis para prática do esporte, como no envolvimento com as ações feitas junto aos eventos e às comunidades locais”, destaca Nathalia Harry, Head de Marca do Saquarema Surf Festival.

Reuso e Gestão de Recursos

Como toda indústria bilionária, o esporte utiliza uma grande quantidade de recursos naturais, gerando dejetos e emitindo CO2. A gestão correta desses recursos e o seu tratamento é uma das principais formas como o esporte pode mitigar o seu impacto no meio ambiente.

O Saquarema Surf Festival realizou toda a gestão de resíduos e upcycling dos materiais utilizados no evento, contando com a expertise da ONG Eco Local, que há 22 anos atua para combater os impactos causados pelo descarte indevido de resíduos no meio ambiente. A coleta dos resíduos foi feita diariamente, com separação e pesagem realizada no local. A ação contou com o apoio do Banco do Brasil, patrocinador do evento, que disponibilizou um de seus espaços na Praia de Itaúna para o trabalho de seleção de resíduos da ONG.

Já para a World Trail Races, uma das principais ligas de esportes de montanha do Brasil, a sustentabilidade não é apenas uma responsabilidade, mas também parte da estratégia de negócios da marca. “Na WTR, o cuidado com a natureza é um alicerce do projeto, vivido internamente por todos os colaboradores. Oferecemos a melhor experiência de contato com a natureza do Brasil porque zelamos por ela, reconhecendo também a importância de cuidarmos não só do ambiente natural, mas de toda a comunidade local envolvida”, explica Gabriela Corrêa, Head de Produto da WTR.

Com o objetivo de se tornar uma marca Lixo Zero, a WTR realiza a gestão eficiente dos recursos utilizados em suas etapas, que contam com uma Central de Resíduos em área de destaque na arena. Nela, são realizadas a separação, triagem e encaminhamento dos materiais para reciclagem, sempre operada por uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis local, ajudando assim a fomentar a economia verde das cidades, parte da iniciativa de impacto social da liga, que arrecada materiais esportivos para projetos sociais locais – fomentando o reaproveitamento dos produtos – e a reutilização das lonas utilizadas durante os eventos para criação de produtos exclusivos por artesãos.

“Queremos orientar as pessoas a mudarem seus estilos de vida, adotando práticas que se adequem aos ciclos naturais sustentáveis, onde todos os materiais descartados são projetados para se tornarem recursos para outros usarem”, explica Gabriela.

A interrelação entre as carências sociais e a sustentabilidade é um aspecto ainda pouco discutido sobre as dinâmicas de reprodução das mudanças climáticas. Contudo, algumas ligas esportivas, como a WTR, entenderam o impacto positivo para o meio ambiente de atuar com responsabilidade social, criando soluções que gerem benefícios aos dois problemas.

Outro exemplo vem da Street League Skateboarding, principal competição mundial de street skate que tem a brasileira Rayssa Leal como uma de suas maiores estrelas. A liga realizou sua final mundial, o SLS Super Crown World Championship, pelos últimos dois anos no Brasil, que receberá novamente o evento em 2024.

Com pistas desenhadas exclusivamente para cada evento, a liga pensou em uma solução inteligente para o reaproveitamento desses materiais. Ao invés do descarte, a SLS atua junto aos governos locais, a CBSk (Confederação Brasileira de Skateboarding) e ONGs que trabalham com o skate para destinar os obstáculos de suas pistas para projetos sociais.

Além de reduzir seu impacto ambiental, isso promove um legado para as novas gerações de skatistas brasileiros, que sofrem com a escassez de locais apropriados para a prática da modalidade. Em 2022, os elementos da pista foram doados ao Caverna Spot, no Rio de Janeiro, que recebe projetos sociais como o Mini Monstros. Já os obstáculos da pista de 2023 foram doados à Pista Ana Brandão, do Parque da Juventude de Santo André, espaço público onde o atual campeão mundial, Giovanni Vianna, iniciou sua trajetória vencedora no skate.

Manutenção e neutralização de carbono

Outra ação que pode ser realizada por todas as modalidades é a neutralização do carbono emitido durante as competições. É o que faz, por exemplo, a World Surf League, que assumiu o compromisso de zerar suas emissões. No Saquarema Surf Festival, a liga fez uma parceria com a ClimateTech Planton para mensuração e compensação das emissões, tornando o evento um dos mais sustentáveis do Brasil.

O Saquarema Surf Festival é realizado anualmente na Praia de Itaúna, reconhecida como uma das mais limpas e bem cuidadas do Brasil, tanto que foi reconhecida com o Selo Bandeira Azul – criado pela Foundation for Environmental Education (FEE) para distinguir localidades mundo afora que seguem critérios de gestão ambiental, qualidade da água e de responsabilidade social. O cuidado de Saquarema com o meio ambiente foi reconhecido também pelo Ministério do Turismo, que incluiu a cidade no Roteiro Náutico da Embratur, um seleto grupo de locais destacados pela preservação ambiental.

Já a World Trail Races atua na manutenção das trilhas das cidades por onde passa, cuidando para que estejam mais limpas e preservadas do que antes da realização das provas. “Junto ao nosso time técnico, parceiros e governanças locais, identificamos as demandas de cada região para propormos soluções para os desafios enfrentados por cada cidade. Em Petrópolis, por exemplo, em parceria com o Rebio, realizamos um mutirão de plantio de mudas nativas para o reflorestamento de áreas degradadas”, explica Gabriela Corrêa.

Reconhecer a urgência da crise climática é imperativo para a sobrevivência da humanidade como conhecemos e apreciamos. A ONU e seus parceiros no Brasil trabalham para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e incluí-los dentro do âmbito esportivo é crucial. Ainda que este seja um desafio global, que exige a coordenação de nações e o desenvolvimento de políticas mundiais, reconhecer as responsabilidades de indivíduos e empresas é fundamental para que atuemos com a celeridade que o problema demanda.

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