Dinâmica do cobre no solo

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Fábio Olivieri de Nobile
Professor titular do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB)
fabio.nobile@unifeb.edu.br
Maria Gabriela Anunciação
Engenheira agrônoma – UNIFEB

A disponibilidade do cobre (Cu) está fortemente relacionada ao valor de pH do solo. A matéria orgânica também é uma importante fonte de cobre para as plantas, assim como sofre influência do tipo de solo: correndo o risco de lixiviação nos solos arenosos e boa fixação e disponibilidade nos solos argilosos.
Também é importante observar que uma grande quantidade de cobre é adicionada ao solo por meio de fungicidas, mas a técnica mais eficaz para comprovar a eficácia do elemento é por meio da análise de tecidos (análise foliar).
O teor de cobre em solos varia normalmente entre 2,0 – 40 mg kg-1 de Cu, podendo fixar-se à matéria orgânica do solo ou ser adsorvido por óxidos de manganês e de ferro. Além disso, pode ser precipitado na forma de hidróxido, carbonato ou fosfato.
O cobre é comumente ligado à composição de fungicidas, mas por também ser um nutriente de plantas, possui outras funções que muitas vezes são esquecidas por técnicos e produtores. Uma das principais funções do cobre é como ativador ou constituinte de enzimas. Também protege a planta dos efeitos deletérios dos radicais superóxidos.
Em leguminosas, o cobre é requerido pelos nódulos e, assim, tem-se um aumento na nodulação e, portanto, a fixação de N. Isto pode ser explicado pelo fato de que, havendo deficiência de Cu, tem-se redução na oferta de carboidratos para a nodulação.

Por que aplicar cobre

Podemos citar três grandes razões para a aplicação de cobre: 1) deficiência do elemento no solo, principalmente os de textura média e arenosa; 2) cultivo crescente com variedades de alto potencial de rendimento e, como consequência, a alta demanda pelo nutriente; 3) uso crescente de fertilizantes de alta concentração, que contêm menores quantidades de cobre como impureza.
Quando exigido, a fonte de fertilizante mais comum é o sulfato de cobre, embora se tenha outros em disponibilidade (Tabela 1). Outras fontes de Cu são estercos animais e biossólidos.
Alguns tipos de esterco contêm elevadas concentrações de Cu em decorrência de sua adição na alimentação animal ou resíduos em que o processo da sua geração utilize Cu.

Tabela 1. Fontes de cobre

Na dose certa

As doses de Cu podem variar e são dependentes das exigências das culturas e teor no solo. As culturas exigem quantidades muito pequenas de Cu. A cultura de trigo, por exemplo, contém menos de 10 g de Cu nos grãos e na palha. Uma saca de café beneficiado tem pouco menos de 1,0 g e em 100 t de colmo de cana há 180 g apenas.
Em culturas temporárias (cereais, cana-de-açúcar), a aplicação no solo é a maneira mais comum para se corrigir a deficiência de Cu ou evitar que apareça. As doses vão de 2,0 a 14 kg/ha nos solos minerais e de 10 a 45 kg/ha nos orgânicos. Devido à baixa solubilidade do cobre no solo, dá-se preferência às aplicações localizadas nas faixas, covas ou sulcos, junto com os demais adubos.

Eficiência

Outra forma de aplicação do elemento é via folha. Em culturas perenes essa técnica tem se mostrado bastante eficiente, pois fornece o micronutriente de forma eficiente e de rápida absorção, com menor custo de aplicação e pode ser até 20 vezes mais eficiente que a aplicação via solo.
Também é possível a aplicação via semente. Em soja misturam-se 30 gramas de óxido de cobre a 1,0 kg de sementes umedecidas (20 mL de água por kg de sementes) por ocasião da inoculação com rizóbio.
Quando se usam defensivos contendo cobre (calda bordalesa, oxicloreto ou outros), além do controle fitossanitário esta é uma fonte eficiente do elemento como nutriente.
A adubação via solo é uma prática rotineira na agricultura. Porém, o solo fixa e absorve esses nutrientes, principalmente micronutrientes, tornando-os indisponíveis para as plantas. Assim, quando aplicamos via folha, não haverá contato dos nutrientes com o solo, o que aumenta a eficiência da absorção e, consequentemente, da adubação. Por esse motivo, mesmo em pequenas quantidades a adubação foliar pode levar a ganhos de produtividade ao redor de 10% ou mais.

Quanto a mais de produtividade?

De Acordo com o International Plant Nutrition Institute (IPNI), em um conjunto de 115 experimentos de campo com trigo de primavera nas Províncias das Pradarias do Canadá, encontrou-se uma frequência de 87% de resposta em termos de produtividade de grãos à aplicação de Cu nos locais em que o teor de Cu extraível com DTPA no solo era menor do que 0,4 ppm.
A resposta em termos de produtividade de grãos à aplicação dessa concentração de Cu foi, em média, de 47%, enquanto em níveis entre 0,4 ppm e 0,8 ppm, de acordo com as análises de solo, o aumento de produtividade foi, em média, de 10%.
As análises de solo foram eficientes para identificar as deficiências, enquanto a frequência de resposta rentável à aplicação de Cu variou entre 19 e 77% (dependendo do preço do trigo e da taxa de retorno exigida) para solos com níveis abaixo de 0,4 ppm, e foi muito rara em maiores concentrações de Cu.