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sábado, maio 21, 2022
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Doenças fúngicas do cafeeiro

Crédito: Luize Hess

Daniel Jose de Faria Matos
Consultor técnico – Sagra Insumos Agr. LTDA
danieljose@sagraagricola.com.br

Estamos passando por momentos climatológicos muito instáveis, e a cafeicultura tem sofrido os efeitos drásticos destas mudanças, pois vivemos o extremo de cada situação, com secas prolongadas, excesso de frio e agora chuvas constantes a ponto de limitar até mesmo a aplicação de defensivos.
Visto esta condição sob as altas incidências de chuvas, o cafeeiro enfrenta maior incidência e pressão de doenças fúngicas, causando sérios danos, que reduzem drasticamente a produtividade, se não controlado de maneira correta e adequada.

Atitude

Um bom manejo passa, primeiramente, pelo conhecimento dos sintomas e das condições que favorecem cada uma delas. Dessa forma, o produtor pode estabelecer métodos de controle para cada uma, de maneira mais assertiva e favorável.
A gama de doenças que afetam o cafeeiro durante esse momento de altas incidências de chuvas é bem vasta, pois conta também com uma série de patógenos oportunistas que se beneficiam de lesões abertas, agravando ainda mais o problema, no caso de não controle.

Ferrugem do cafeeiro

Ocorrem basicamente dois tipos de ferrugem no cafeeiro. A ferrugem farinhosa, causada por Hemileia coffeicola, que não é constatada no Brasil, e a ferrugem verdadeira ou alaranjada, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, problema grave para a cafeicultura brasileira dede 1970. Aqui trataremos apenas do H. vastatrix.
A ferrugem do cafeeiro é, atualmente, a principal doença desta cultura. Seus principais danos são a queda precoce das folhas e seca dos ramos devido ao ataque da doença nos mesmos, causando queda na produção e reduzindo a vida útil do cafeeiro, tornando-a economicamente inviável precocemente em casos de infestação intensa.
A doença é disseminada a grandes distâncias pelo vento, e dentro da planta, a chuva e a irrigação via pivô também fazem um papel disseminador de destaque. A temperatura ideal para a germinação dos esporos está entre 21 e 23ºC, com alta umidade relativa do ar.
Os picos de infestação da doença são em dezembro-janeiro e março-abril, porém, no cerrado brasileiro tem-se apresentado picos tardios da doença em julho-agosto, mesmo após a senescência natural das folhas, justificando o manejo da doença após a colheita.

Identificação

Seus sintomas podem ser observados na face inferior das folhas, onde aparecem manchas de coloração amarelo-pálida, inicialmente pequenas, e depois aumentam de tamanho e intensidade, apresentando aspecto pulverulento (esporulação) e coloração amarelo-alaranjada, característico da doença.
Na face superior das folhas podem ser observadas, nesse período, manchas cloróticas que correspondem aos limites das pústulas na face inferior, que posteriormente necrosam.

Nível de controle

No monitoramento da ferrugem, coletam-se em pontos aleatórios no talhão ou gleba, quatro folhas no terço inferior, quatro folhas no terço médio e quatro folhas no terço superior dos dois lados da planta, onde a partir de dezembro as condições são mais favoráveis para a doença.
O controle curativo deve ser feito ao atingir a porcentagem de 2% de incidência de ferrugem nas folhas avaliadas no período de novembro a junho. Avaliar também condições climáticas, se são favoráveis à evolução da doença. O controle preventivo pode ser realizado, protegendo nas épocas de maior predisposição à doença.
Práticas culturais: utilização de variedades resistentes.
Prevenção química: o controle foliar é uma forma de tratamento preventivo, todavia, a mais eficiente, uma vez que é utilizado composto de triazol + estrobirulina e/ou também carboxamidas, em duas ou três aplicações para o controle preventivo da ferrugem com aplicações de dezembro a março. Para a prevenção química da ferrugem do cafeeiro, pode-se utilizar triazóis associados a inseticidas.
Outro método para a prevenção química da ferrugem do cafeeiro é utilizando triazóis associados a inseticidas.

Cercosporiose ou mancha olho-pardo

A cercosporiose é uma doença de grande importância para o cafeeiro. É causada pelo fungo Cercospora coffeicolla, que ataca folhas e frutos, causando prejuízos em mudas e no campo, e em lavouras com regime hídrico escasso.
A doença se desenvolve bem em condições de baixa temperatura, alto índice de umidade, ventos frios e excesso de insolação. Cafeeiros em solos com baixo índice de fertilidade e em início de desenvolvimento e/ou produção apresentam maior incidência da doença.
A disseminação entre plantas e lavouras é feita pelo vento, água e insetos. Em condições de campo, dependendo da região produtora no Brasil, a doença tem sido problema em quatro situações distintas. Em lavouras mal conduzidas, com deficiência e desequilíbrio nutricional, onde há aplicação intensa de fungicidas sistêmicos e inseticidas via solo por vários anos consecutivos, visando controle da ferrugem e do bicho-mineiro, consequentemente, associada ao esgotamento das plantas, em lavouras expostas ao sol no período da tarde em lavouras formadas em solos arenosos.

Identificação

A doença se apresenta primeiramente nas folhas, iniciando-se com pequenas manchas circulares de coloração marrom escuro, que crescem rapidamente. O centro das lesões fica cinza claro, com um anel arroxeado ou amarelado em volta da lesão, o que lhe confere a aparência de um olho.
Nos frutos, a doença causa sua queda prematura, o que ocorre nos estágios de crescimento. A maturação é acelerada, havendo aumento dos grãos chochos e mal granados, com depreciação do rendimento, do tipo e da bebida do café.

Nível de controle

Inicialmente é feita a identificação visual da doença a partir de setembro e o monitoramento das folhas é feito da mesma forma que a ferrugem, coletando-se em pontos aleatórios no talhão ou gleba quatro folhas no terço inferior, quatro folhas no terço médio e quatro folhas no terço superior dos dois lados da planta.
O controle curativo deve ser feito ao atingir a porcentagem de 5% de incidência de ferrugem nas folhas avaliadas no período de novembro a junho. Avaliar também condições climáticas, se são favoráveis à evolução da doença e balanço nutricional, principalmente dos níveis de Ca, B, Mn. O controle preventivo pode ser realizado, protegendo nas épocas de maior predisposição à doença.

Prevenção química

O controle foliar é uma forma de tratamento preventivo, com o uso de fungicidas cúpricos ou à base de estrobirulinas, e ainda carboxamidas em duas ou três aplicações para o controle ao longo do ciclo são de extrema eficácia.
Outro ponto importante é relacionado à nutrição do cafeeiro, que, estando bem nutrido, é muito resistente ao ataque de cercosporiose. Desta forma, é sempre importante realizar um manejo da adubação e o equilíbrio entre os nutrientes.

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