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segunda-feira, julho 4, 2022
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Drosophila suzukii – Ocorrência e aspectos populacionais no morango

Regis Sivori Silva dos Santos

Engenheiro agrônomo, doutor e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho

regis.sivori@gmail.com

 

Créditos Regis Sivori
Créditos Regis Sivori

Drosophila suzukii é uma pequena mosca, conhecida no exterior como Spotted Wing Drosophila (SWD), ou drosófila da asa manchada. No Brasil, o termo “Suzuki“ está difundido entre os produtores e se caracteriza como nome genérico da praga no País. O inseto é originário do Japão, sendo uma das poucas espécies de drosofilídeos capazes de perfurar frutos sadios em desenvolvimento.

Danos

  1. suzukii infesta uma grande diversidade de frutos, sobretudo aqueles de epiderme fina e mais adocicados. Entre os hospedeiros preferidos estão as pequenas frutas: cereja, amora-preta, framboesa, morango e o mirtilo.

Os danos da suzuki são classificados em primários quando causados pelas fêmeas que perfuram a superfície da fruta para depositar os ovos e, posteriormente, pelas larvas que se alimentam da polpa das frutas.

A fruta infestada colapsa alguns dias após a postura. Danos secundários aparecem posteriormente e são causados por microrganismos como fungos e bactérias, que se desenvolvem a partir dos orifícios de oviposição. Somado a isto, outras espécies são atraídas pelas frutas danificadas, como outras drosófilas (melanogaster) e os nitidulídeos (besouros).

A dispersão da praga é feita por meio do voo dos adultos ou da circulação de frutos contendo larvas ou pupas.

O morango

Morangueiros estão entre os hospedeiros preferidos desta drosófila. As perdas variam conforme o local e o manejo adotado pelo produtor. O primeiro registro de dano da praga em morangos no Brasil relata perdas da ordem de 30%. Porém, existem informações de danos variando entre 60 e 80% quando o controle não é realizado.

Os frutos infestados apresentam danos como orifícios e podridões, entrando em colapso poucos dias após o ataque, o que impede a sua comercialização. Além disso, como as larvas são muito pequenas, essas podem passar despercebidas e permanecerem se desenvolvendo nos frutos durante a comercialização, acarretando o colapso do fruto nas bandejas e o rechaço da partida.

Proliferação

  1. suzukii se desenvolve nos frutos hospedeiros ainda em maturação e fixados nas plantas. A praga possui um mecanismo de introduzir seus ovos no interior de frutos sadios.

As larvas em desenvolvimento se alimentam da polpa dos frutos. É um inseto que prefere temperaturas mais amenas, em torno de 20°C, e apresenta maior atividade nas primeiras horas da manhã ou no final do dia.

Vista lateral de um casal de adultos de Drosophila suzukii (macho à esquerda mostrando asas manchadas; fêmea à direita) - Créditos Regis Sivori
Vista lateral de um casal de adultos de Drosophila suzukii (macho à esquerda mostrando asas manchadas; fêmea à direita) – Créditos Regis Sivori

Controle

O monitoramento da suzuki deve se iniciar um a dois meses antes do amadurecimento dos frutos. Para tanto, devem ser colocadas de duas a três armadilhas “caça-mosca“, confeccionadas com garrafas PET, por hectare.

As armadilhas devem conter cinco orifícios de 0,5mm de diâmetro, equidistantes ao redor do perímetro do terço inferior das armadilhas. Como atrativo é recomendado o uso de uma mistura de fermento biológico (20 g), açúcar (50 g) e água (1 L).

As armadilhas devem ser vistoriadas duas vezes por semana e computados os exemplares. Ainda não há nível de dano econômico, e nem produtos registrados para D. suzukii no Brasil. Na Europa e América do Norte a praga tem sido controlada com aplicações de espinosinas, piretroides ou do fungo Beauveria bassiana.

Essa matéria você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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