É hora de colher café

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Autores

Otávio Vitor Souza AndradeGraduando em Agronomia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)otaviovsandrade@gmail.com

Cássio Pereira Honda Filho Doutorando em Fitotecnia – UFLA cassiop.honda@gmail.com

Colheita do Café mecanizada – Foto: Jacto

A colheita é um dos momentos mais esperados pelos agricultores em todas as culturas, e é nessa fase que o produtor consegue retirar todo o investimento feito ao longo do ano agrícola. Na cafeicultura não é diferente, pois o valor da commodity está diretamente relacionado à qualidade e, quanto maior a qualidade, maior o valor agregado.

O custo do processo de colheita pode representar até 30% do valor total do custo de produção. Pequenos erros nessa fase são comuns e podem acarretar perdas no valor da saca, causando prejuízos e muitas vezes tornando inviável a atividade.

Durante o ciclo fenológico do cafeeiro podemos observar várias floradas que normalmente se iniciam no mês de setembro. Esse grande número de floradas faz com que a maturação não ocorra de forma homogênea, sendo possível encontrar no início do período de colheita grãos do tipo verde, verde cana, cereja, passa e seco.

O ideal para o posicionamento do início da atividade é fazer uma amostragem para avaliar a quantidade de frutos em cada um dos estágios citados anteriormente, devendo se iniciar a colheita quando a quantidade de grãos do tipo verde variar entre 5 a 20% do total.

A velocidade de maturação pode variar de acordo com a altitude da propriedade. Propriedades que se encontram em altitudes mais elevadas, acima de 900 metros, por exemplo, tendem a ter uma maturação mais lenta, enquanto nas áreas mais baixas ocorre uma maturação mais rápida.

Isso é devido à influência da temperatura no metabolismo do cafeeiro e no transporte de fotoassimilados que são responsáveis pela maturação. Detalhes como este são extremamente importantes para um bom escalonamento da colheita, diminuindo perdas e buscando sempre alcançar uma maior rentabilidade.

Próximo passo

Passadas as análises citadas anteriormente, chega a hora da colheita propriamente dita, podendo ser feita na forma de derriça completa ou de coleta seletiva. Na derriça completa são retirados todos os grãos, desde os verdes até os secos, enquanto na seletiva são retirados apenas frutos encontrados no estágio cereja, o que exige a realização de mais colheitas durante o período, por conta da maturação desuniforme. Além disso, a atividade pode ser realizada de forma manual, semimecanizada ou mecanizada.

Um grande entrave das áreas de montanha que representam uma parte significativa do parque cafeeiro do Brasil é que a colheita mecanizada se torna inviável, sendo necessário que se faça a colheita manual ou semimecanizada.

No caso da colheita manual, a atividade pode ser realizada de forma seletiva ou também na forma de derriça completa. Um problema com a colheita manual é a grande necessidade da utilização de mão de obra, o que acaba onerando os custos e diminuindo a rentabilidade final do produtor.

Na semimecanizada, fazendo a utilização de máquinas portáteis esse custo sofre uma diminuição de aproximadamente 41%, porém, a coleta seletiva se torna inviável.

No caso das áreas onde é possível a realização da colheita mecanizada, esses custos são menores, podendo chegar a uma diminuição de até 69% do custo total da colheita, quando comparada à manual. Esse número pode variar de acordo com o número de passadas que são realizadas.

Mecanização

Na vertente da mecanização, alguns produtores optam por realizar apenas uma passada com o café em estágios mais avançados de maturação, pois a força de desprendimento do grão é menor, o que facilita a retirada do fruto da planta e diminui a necessidade da realização de mais entradas com a máquina na mesma área.

Um problema relacionado a esse tipo de posicionamento é a questão da quantidade de frutos que acabam se soltando da planta antes da entrada da máquina, e também aqueles frutos que ficam retidos, normalmente os verdes, fazendo com que exista a necessidade de um repasse manual para a derrubada e posterior recolhimento.

Isso faz com que a quantidade de cafés de menor qualidade que se encontram no chão aumente, resultando, mais uma vez, em redução da rentabilidade final. 

Para reduzir essas perdas existe a opção da realização de mais entradas com a máquina para a realização da colheita, podendo chegar a até três passadas. Normalmente a opção se dá pela realização de duas passadas.

Na primeira, comumente são retirados os colares com as varetas da parte inferior da máquina trabalhando com uma velocidade maior e vibração menor, colhendo apenas os ponteiros, onde normalmente por conta da incidência direta de raios solares e novamente pela maior temperatura, os frutos amadurecem primeiro.

Com o estresse sofrido pela planta devido á primeira passada com a colhedora, aspectos fisiológicos fazem com que os grãos que sobraram entrem em estágio de maturação mais acelerado e aproximadamente entre 20 a 30 dias após a primeira passada os frutos que restaram já estarão maduros. Então, a segunda passada poderá ser realizada, essa já com todos os colares acoplados, trabalhando a uma menor velocidade e com maior vibração visando a retirada completa dos frutos que restaram nos ponteiros, no terço médio e inferior do cafeeiro.

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