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sexta-feira, agosto 12, 2022
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É verdade que o Cacau pode reflorestar 557 mil hectares no Pará?

Crédito: Shutterstock

Sistema Agroflorestal do cacau recupera áreas degradadas e ainda garante maior rentabilidade aos produtores

O potencial do cacau para reflorestar áreas degradadas na Amazônia localizadas somente no Pará é gigantesca. O Estado possui 557,5 mil hectares de áreas desmatadas e degradadas que podem ser restauradas com o Sistema Agroflorestal (SAF) do cacau, o que corresponde a 750 mil campos de futebol, segundo dados da maior Organização Não-Governamental (ONG) de conservação mundial – The Nature Conservancy (TNC).

Atualmente, o Pará possui 170 mil hectares com plantio de cacau. Essas informações levam em consideração apenas os municípios que já possuem produção de cacau, ou seja, o potencial em todo o Estado é ainda maior.

Atualmente, a agricultura familiar é responsável por aproximadamente 35% do desmatamento de áreas no Pará, que são voltadas para a criação de pasto para gado. Por outro lado, a cacauicultura não precisa derrubar árvores.

Benefícios

O cultivo do cacau alia a produção do fruto com a existência de outras árvores frutíferas e espécies da região amazônica. Por ser uma planta natural da Amazônia, o cacau (Theobroma cacao) está totalmente adaptado ao clima, à região e à vida com as outras espécies de plantas e insetos.

Esses sistemas agroflorestais ainda formam zonas de microclimas com temperaturas mais amenas. O novo código florestal respalda o produtor para utilizar o SAF de Cacau para recuperar as áreas que foram degradadas.

Outro benefício é que o Sistema Agroflorestal do cacau ainda garante maior rentabilidade para as famílias do que a pecuária. De acordo com estudos de viabilidade financeira divulgados pela TNC, em aproximadamente cinco anos, um pasto ruim começará a gerar retorno financeiro, enquanto que o cacau consegue pagar o investimento na metade deste tempo, em dois anos e meio.

E após esse tempo, já começa a gerar lucro para o produtor. A rentabilidade da SAF do cacau chega a ser de sete a dez vezes maior do que a pecuária. Se a área for bem manejada, tem potencialidade para ser produtiva por 60 anos.

Oportunidade

“Através do fomento à cacauicultura com integração de outras culturas agrícolas e florestais é possível melhorar a renda do agricultor, a diversidade alimentar da família, ao mesmo tempo em que se recuperam áreas degradadas ou de baixa produtividade. É uma lógica do desenvolvimento sustentável com claro benefício social, econômico e ambiental. A cadeia da cacauicultura é uma grande oportunidade para o Pará, porque tem toda uma estrutura produtiva. Há uma demanda social pelo aumento de produção no campo, e as indústrias estão cada vez mais querendo comprar cacau daqui”, explica o vice-gerente da estratégia de restauro florestal da TNC, Rodrigo Freire.

Mudança de paradigmas

A crise ambiental da Amazônia acentua a necessidade de mudança de paradigma. No entanto, o processo para mudar a tradição produtiva paraense ainda tem longos caminhos a percorrer. O vice-gerente da TNC pontua que ainda são necessárias muitas ações governamentais e privadas para atingir o potencial paraense. “Estamos falando de um potencial de novos 557 mil, mas isso não é do dia para a noite. É um processo natural da cadeia produtiva. O que falta mais é assistência técnica no campo, seja pública ou privada, troca de conhecimento entre os produtores, fortalecimento das cooperativas e sindicatos para se organizarem mais para buscarem o conhecimento, trocarem experiências e desenvolverem boas práticas no campo e o investimento de bancos interessados em fomentar cadeias produtivas na Amazônia”, lista Rodrigo.

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