Energia solar – economia e sustentabilidade

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Diogo Monteiro Gouveia Engenheiro eletricista e sócio-diretor da Amazon Solar Engenharia Ltdadiogo.gouveia@amazonsolar.com.br

Débora Monteiro Gouveia  Engenheira florestal e doutoranda em Ciências Florestais – Unicentrodeboramgouveia@yahoo.com.br

Jade Cristynne Franco Bezerra  Engenheira florestal e mestranda em Agronomia/Produção Vegetal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)jadefranco9@gmail.com

Ernandes Macedo da Cunha NetoEngenheiro florestal e mestrando em Manejo Florestal – UFPRnetomacedo878@gmail.com

Energia solar – Foto – Diogo Monteiro Gouveia

A forma mais comum de captar energia solar é com placas fotovoltaicas. Elas podem ser monocristalinas (para regiões com menos sol, como sul e sudeste) e policristalinas (ideais para o nordeste). As placas captam energia solar que pode ser usada para abastecer uma propriedade rural inteira e sistemas como esteiras e armazenamento.

Economia e sustentabilidade

Nos últimos anos, economizar energia, ser mais eficiente e impactar menos o meio ambiente deixou de ser apenas um modismo para se tornar uma necessidade. Economizar é o verbo mais pronunciado em residências e empresas brasileiras nos últimos tempos. A situação econômica atual do Brasil faz com que muitos brasileiros optem por serviços e produtos chamados “mais em conta” para poder reduzir suas despesas e sanar dívidas mensais.

A energia solar se transformou, em pouco tempo, de uma promessa para uma solução economicamente viável no Brasil e no resto do mundo. Energia solar é aquela proveniente da luz e do calor do sol, que é aproveitada e utilizada por meio de diferentes tecnologias, principalmente como o aquecimento solar, energia solar fotovoltaica, energia heliotérmica e arquitetura solar. Devido à alta incidência de raios solares e ao alto custo das tarifas de energia, o País conta com um enorme potencial para desenvolver e ampliar sua rede.

Embora a geração de um sistema solar seja influenciada por diversos fatores naturais, estes são dimensionados de acordo com o consumo médio de energia do local, e podem gerar uma economia de 85 a 95% na conta de luz, e em alguns casos até mais (dependendo do tipo de empreendimento em que for instalado).

Sem dúvida não se trata de um investimento barato, porém, devido à economia proporcionada e a abundância de raios solares no Brasil, esse custo acaba se pagando em um período que pode variar de quatro a oito anos, havendo alguns casos com mais ou menos do que estes valores.

Eficácia

A energia solar é uma forma limpa e com baixo efeito a natureza no ato de gerar energia elétrica, e por ser uma fonte de energia renovável baseada no sol a energia solar tem um grande aproveitamento como fonte de calor e luz solar, sendo uma das mais aproveitáveis e promissoras energias no mundo.

A energia do sol é considerada como inesgotável do ponto de vista humano. O potencial de energia solar é excepcional em comparação com todas as outras fontes de energia, colaborando com a preservação do meio ambiente e, consequentemente, sua sustentabilidade. Ou seja, pode-se dizer que adquirir um sistema para gerar energia solar é um investimento e não um custo.

Vantagens

A primeira vantagem do sistema fotovoltaico é que esse tipo de gerador utiliza da mais abundante, gratuita e eficiente fonte de energia disponível que é o sol. O Brasil, país tropical localizado entre a linha do Equador, recebe uma quantidade absurda de radiação solar todos os anos, capaz de gerar mais energia do que poderíamos consumir.

Isso torna o sistema fotovoltaico extremamente vantajoso e confiável pois, diferentemente de outras fontes geradoras, como por exemplo, a hidrelétrica ou a carvão e gás, esta depende exclusivamente da luz solar, fonte renovável e inesgotável.

A energia solar não polui durante seu uso. A poluição decorrente da fabricação dos equipamentos necessários para a construção das placas solares é totalmente controlável utilizando as formas de controle existentes atualmente. Além dessa segurança, a sustentabilidade inerente à geração limpa de energia é algo crucial nos dias de hoje.

Os sistemas solares necessitam de baixa manutenção, ou seja, quase não tem desgaste mecânico. As placas fotovoltaicas possuem garantia de eficiência de 80% do valor gerado em 25 anos, podendo durar mais de 30 anos apenas com uma limpeza anual. As placas fotovoltaicas não fazem um único barulho ao gerarem energia solar e os demais equipamentos, como inversores, são extremamente silenciosos.

Atualmente, é uma das melhores alternativas em regiões isoladas, onde não se tem rede elétrica, muito mais barata que geradores a diesel ou óleo combustível, e sua instalação em pequena escala não obriga enormes investimentos em linhas de transmissão.

As placas solares são a cada dia mais potentes, ao mesmo tempo que seu custo vem decaindo. Isso torna cada vez mais a energia solar uma solução economicamente viável. Os sistemas solares podem parecer muito caros quando são adquiridos, mas ao longo dos anos se economiza muito dinheiro.

Culturas beneficiadas

Atividades rurais, como a agricultura, demandam energia elétrica para a maioria dos processos produtivos. A energia renovável e a agricultura possuem ingredientes extremamente promissores e harmoniosos. Quando combinados, podem aumentar a produtividade e revelar alta eficiência e economia para o produtor rural.

O Brasil é um dos maiores produtores de grãos do mundo. Com a utilização da energia solar como fonte de fornecimento de calor é possível usar um secador de grãos em culturas como soja, feijão, arroz, milho e trigo, que necessitam passar por um processo de secagem para garantir sua durabilidade e segurança no armazenamento. No processo o ar é aquecido em estufa e um exaustor o leva para a câmara de secagem, onde estão os grãos.

As estufas solares não servem apenas para secagem de grãos. Madeiras, como eucalipto, também precisam passar por esse processo antes de serem utilizadas na construção, ou pela indústria moveleira. Da mesma maneira, folhas de fumo também são secas em estufas solares, antes de irem para a indústria de tabaco.

Além disso, a irrigação de lavouras é um processo que depende de energia elétrica para acionamento. Normalmente, a água é bombeada de um reservatório até o local a ser irrigado, e os irrigadores funcionam durante um determinado período. Para o bombeamento é possível usar bombas de superfície ou submersas, acionadas com energia fotovoltaica. Motobombas e filtros de água utilizados em diversos tipos de irrigação, principalmente para gotejamento e aspersão, são acionados pela energia gerada pelo sistema fotovoltaico.

Diante do exposto, a irrigação nos mais variados sistemas, inclusive hidroponia, pode ser efetuada via estes bombeamentos.

Mais produtividade

O uso de energia solar para o agronegócio é uma alternativa financeiramente viável para reduzir perdas, melhorando o desempenho de várias aplicações e negócios, como irrigações, alimentação de máquinas e equipamentos agrícolas, ordenhas, refrigeração e ventilação, armazenamento e processamento dos produtos rurais, redução da tarifa de energia elétrica e autonomia e segurança contra possíveis intermitências do sistema.

A melhoria da eficiência energética deve ser uma meta para empresas de vários segmentos, e especialmente para o agronegócio, em função de suas particularidades (localização, distância dos centros produtores, entre outros).

A produção de energia solar em propriedades rurais é crescente no País. Este ano, antes mesmo do final do primeiro semestre, já foram produzidos 32.963 kWp, número que corresponde a 86% do total gerado em todo o ano de 2018, que foi de 38.241 kWp, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Além da economia e menor dependência de energia elétrica, a energia fotovoltaica pode aumentar a eficiência da produção rural. Os viveiros com efeito de estufa, por exemplo, permitem o crescimento das culturas durante todo o ano. Placas fotovoltaicas também podem secar culturas mais rapidamente e uniformemente do que outros métodos.

Vale ressaltar que em 2015 houve uma revisão regulatória, possibilitando que os financiamentos para sistemas fotovoltaicos em propriedades rurais tenham melhores condições. Dessa forma, a taxa de juros média para tais projetos gira em torno de 12 a 18% ao ano, enquanto para o agro o percentual é de 6 a 10%. A estimativa é de que o investimento se pague no prazo médio de seis anos.

Em campo

O Brasil é, atualmente, o 8º consumidor mundial de energia. Por todo o mundo, diversos produtores rurais e empreendedores estão se beneficiando com a implementação da energia solar fotovoltaica em suas propriedades. Propriedades do Brasil têm diminuído seus custos e aumentado seus rendimentos com este investimento.

Como exemplo prático, a vinícola Guatambu, localizada no Rio Grande do Sul, processa as uvas que colhe inteiramente com energia solar. Foram instaladas 600 placas no estacionamento da vinícola. O resultado superou as expectativas do proprietário.

A média é de 570 quilowatts (KW) por dia, com picos de 720 KW por dia no verão. Além de superar os valores consumidos, reduziu em 75% a conta de energia. As vendas cresceram 15% e as visitas à vinícola subiram 20% desde a instalação das placas.

Na localidade de Bebedouro (SP), a Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus) possui uma usina de geração de energia solar destinada ao setor agropecuário. O empreendimento abastece 28 unidades do grupo por meio de créditos obtidos junto à rede da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

O complexo conta com 3,6 mil placas fotovoltaicas espalhadas por uma área de 10 mil metros quadrados. A usina vem sendo monitorada atualmente e deve reduzir em mais de 50% os gastos com energia elétrica em toda a cooperativa.