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Enxertia em tomate previne fusário e murchadeira

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José Lindorico de Mendonça

Engenheiro agrônomo da área de Fitotecnia da Embrapa Hortaliças

 

 Crédito Oliveiro Bassetto Jr
Crédito Oliveiro Bassetto Jr

A “murchadeira“, ou murcha bacteriana do tomateiro, é a principal praga de solo em cultivos protegidos no Brasil, já que as condições ambientais nesse sistema de cultivo são ótimas para o desenvolvimento da bactéria Ralstonia solanacearum, causadora da doença.

Essas condições de alta temperatura e umidade do solo são também boas para o desenvolvimento de outras pragas, tais como os nematoides e fusário. O mercado de sementes de porta-enxertos no Brasil está bem abastecido com porta-enxertos, com híbridos com resistência múltipla a pragas de solo.

Pelo Brasil afora

Nas regiões com alta concentração de cultivo protegido, como Santa Cruz do Rio Pardo, em São Paulo, a enxertia é amplamente adotada com sucesso. Na região amazônica, produzir tomate comercialmente é um grande desafio, pois a alta temperatura e umidade do solo dão condições favoráveis ao desenvolvimento da murcha bacteriana, murcha de fusário e nematoides, seja em campo aberto ou em cultivo protegido.

Cultivares com padrão mundial de resistência são atacadas pela murchadeira nas condições da Amazônia. Portanto, o grau de resistência nos porta-enxertos tem que ser mais alto quando indicados para esta região.

Na Embrapa Hortaliças, estudos vêm sendo conduzidos no sentido de utilizar a diversidade genética de plantas da região (solanáceas silvestres), cuja resistência a pragas de solo está sendo investigada com resultados promissores. Nas espécies silvestres, a resistência é bem mais alta do que nas fontes de resistência em tomateiros.

A murcha de fusário provoca muitas perdas na cultura do tomateiro no País, especialmente em cultivo protegido, se não forem utilizadas mudas enxertadas em porta-enxerto resistente à praga. Porém, surgiu no estado do Espírito Santo a raça 3 de fusário, que consegue atacar porta-enxertos resistentes às raças 1 e 2. Nesse Estado, o fungo Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici raça 3 ataca não somente cultivo protegido, mas também campo aberto.

 Durante o plantio é essencial que não haja contaminação do enxerto com patógenos no solo - Crédito Shutterstock
Durante o plantio é essencial que não haja contaminação do enxerto com patógenos no solo – Crédito Shutterstock

Melhoramento genético

Surgiram no mercado vários materiais resistentes a F3 para uso direto no campo sem enxertia, mas isso quando o problema é somente fusário. Quando também há ocorrência simultânea de murcha bacteriana e nematoide, a recomendação é o uso de mudas enxertadas em porta-enxertos com resistência múltipla.

Há híbridos comerciais sendo utilizados no estado do Espírito Santo para controlar essas doenças em campo aberto. Com relação aos nematoides, que também provocam perdas em cultivos de tomateiros, surgiu uma raça que ainda não temos fonte de resistência nas espécies de tomateiros disponíveis: o Meloidogyne enterolobii.

Felizmente, na Embrapa Hortaliças foram identificadas várias fontes de resistência em espécies silvestres de Solanum, tais como: Solanum stramonifolium Jacq (jurubeba juna); Solanum scuticum Nee (jurubeba-de-conserva) e Solanum subinerme (cajussara), que poderão ser usadas como fonte de resistência à praga, diretamente como porta-enxerto ou na obtenção de híbridos interespecíficos.

Alguns acessos dessas espécies silvestres apresentam resistência múltipla à murcha bacteriana, murcha de fusário raça 3 e M. enterolobii.

A enxertia é uma ferramenta eficiente contra várias doenças da tomaticultura - Crédito Shutterstock
A enxertia é uma ferramenta eficiente contra várias doenças da tomaticultura – Crédito Shutterstock

Custo

A planta enxertada tem um custo significativamente mais alto do que a muda convencional, em função do custo adicional da aquisição da semente de porta-enxerto (normalmente híbrido) e do custo de equipamentos e mão de obra para a operação da enxertia.

Nos EUA, em áreas infestadas com R. solanacearum, a enxertia, além de viabilizar o cultivo do tomateiro, proporciona maior produtividade (em relação a plantas não enxertadas) em algumas combinações enxerto/porta-enxerto, o que compensa os gastos maiores com a aquisição de semente do porta-enxerto e com a operação de enxertia.

Portanto, essa tecnologia é viável em situações especiais, em que o preço de venda do produto compense os gastos. Operacionalmente, é mais prático o produtor adquirir as mudas já enxertadas e prontas para o plantio, produzidas por especialistas, em vez de preparar suas próprias mudas.

No Brasil, já existem empresas produtoras de mudas enxertadas de várias espécies olerícolas, inclusive do tomateiro, com custo em torno de R$1,50 por unidade.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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