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Enxertia na produção de mudas de pepino

Camila Queiroz da Silva Sanfim de Sant’Anna

Doutoranda em Produção Vegetal – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

agro.camilaqs@gmail.com

 

Fotos Weber Velho
Fotos Weber Velho

O aumento de produção, a redução de doenças e frutos de melhor qualidade são os principais atrativos para os produtores que passaram a optar por mudas de hortaliças enxertadas.

A enxertia é uma técnica utilizada na olericultura, comumente em plantas das famílias Solanaceae e Cucurbitaceae, conferindo resistência a patógenos de solo, condições de baixa temperatura, seca ou excesso de umidade e aumento da capacidade de absorção de nutrientes e ainda, melhoria na qualidade e aumento da produtividade.

O uso de mudas de hortaliças enxertadas é uma técnica recente no Brasil, comparada a países como Japão, Holanda e Espanha, em que esse sistema de produção é adotado por grande parte dos olericultores.

Essa técnica, iniciada no Japão na década de 90, teve como objetivo prevenir fusariose na cultura da melancia, e posteriormente abrangeu-se sua utilização para demais culturas, como: melão, berinjela, tomate e pepino.

No Brasil, o uso da enxertia em pepino iniciou-se como uma alternativa utilizada por produtores de pepino japonês, a fim de minimizar as perdas ocasionadas por fungos de solo e nematoides, tornando possível aos produtores o cultivo em locais contaminados por esses patógenos.

A enxertia reduz doenças e aumenta qualidade - Fotos Weber Velho
A enxertia reduz doenças e aumenta qualidade – Fotos Weber Velho

Objetivos da enxertia e propriedade do porta-enxerto

 

O principal objetivo da técnica de enxertia no pepino é promover resistência a doença de solos, sobretudo a fusariose e nematoides. Isso porque a cultivar suscetível de interesse comercial é enxertada sobre um porta-enxerto resistente, de outra cultivar, espécie ou gênero da mesma família botânica que, uma vez sadio, assume a função de absorção de água e nutrientes do solo, além de maior vigor do sistema radicular.

Um bom porta-enxerto deve ser imune à doença em que se pretende obter resistência, ter vigor e rusticidade, boa afinidade com a cultivar que será enxertada, condições morfológicas adequadas para a enxertia (tamanho do hipocótilo, consistência, por exemplo) e não afetar a qualidade de produção da cultivar enxertada (comercial).

Para a cultura do pepino, utiliza-se a abóbora como porta-enxerto, sendo as mais empregadas as cultivares: ‘Menina Brasileira’; ‘Exposição’, ‘Caravela’ e ‘Tetsukabuto’.

Compatibilidade entre plantas enxertadas

A compatibilidade caracteriza-se como a capacidade de duas plantas diferentes unidas pela enxertia conviverem como uma única planta. Para isso, é necessário afinidade botânica entre as espécies, morfológica (anatomia e constituição dos tecidos; vasos condutores das duas plantas com diâmetro semelhantes) e fisiológica (quantidade e composição da seiva) a fim de que na enxertia haja coincidência entre os tecidos próximos ao câmbio que gere calo ou cicatriz, possibilitando a sobrevivência do enxerto.

 A enxertia reduz doenças e aumenta qualidade - Fotos Weber Velho
A enxertia reduz doenças e aumenta qualidade – Fotos Weber Velho

Métodos de enxertia e manejo da produção comercial

Os dois métodos mais utilizados comercialmente na enxertia do pepino são a enxertia por encostia e por fenda.O manejo para ambos os métodos inicia com a semeadura das culturas, o porta-enxerto e o enxerto, em bandejas. A abóbora é plantada um dia antes do pepino para que que haja sincronia quanto ao tamanho de diâmetro e outros fatores já mencionados, para compatibilidade e sucesso do pegamento.

Quatorze dias (inverno) ou sete dias (verão) após a semeadura a muda está apta para ser enxertada. Na enxertia por encostia, no porta-enxerto retira-se, primeiramente, a dominância apical, a folha definitiva e o meristema apical.

Posteriormente, com auxílio de uma lâmina, faz-se uma fenda lateralmente, 1,0 a 1,5cm abaixo das folhas cotiledonares, de cima para baixo, que chegue até a parte central do caule. Em seguida, faz-se uma fenda idêntica no pepino, porém, a fenda deve ser feita de baixo para cima e encaixada (encosta) uma fenda na outra. Por fim, pressiona-se com grampos de enxertia.

Neste método é necessário realizar o “desmame“, ou seja, retirar a parte radicular do pepino, para que não interfira após o plantio da muda no solo. Esta operação se faz depois da consolidação do enxerto, em geral, de sete a dez dias.

A partir desta etapa, atenta-se para que a irrigação não seja mais foliar, evitando contaminação nos pontos do enxerto, optando por fertirrigação pelo sistema de floating.Após a adaptação das mudas, em torno de três a quatro dias, elas podem ser transplantadas para a área definitiva.

Na técnica de enxertia por fenda, supondo que as mudas já estão aptas para serem enxertadas, retira-se a dominância apical da abóbora, ou seja, a primeira folha definitiva e o meristema apical. A seguir, faz-se uma fenda, no centro do hipocótilo, para baixo, cerca de 1,5cm, retira o sistema radicular do pepino, utilizando apenas sua parte aérea, e corta-se cerca de 2,5 a 3,0cm, em bisel, sua base.

Em seguida, encaixa-se o pepino na fenda que foi aberta na abóbora, e prende-se com grampo de enxertia ou fita, mantendo em câmara úmida por sete a dez dias.

Essa matéria completa você encontra na edição de março 2018  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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