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domingo, julho 3, 2022
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Enxertia otimiza produção de frutíferas de caroço

Newton Alex Mayer

Engenheiro agrônomo, doutor e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Pelotas (RS)

alex.mayer@embrapa.br

 

Muda de pessegueiro produzida em embalagem (citropotes) - Fotos: Newton Alex Mayer.
Muda de pessegueiro produzida em embalagem (citropotes) – Fotos: Newton Alex Mayer.

As mudas de espécies frutíferas de caroço (pessegueiro, nectarineira e ameixeira) são tradicionalmente produzidas pela união de dois genótipos distintos – o porta-enxerto e a cultivar-copa – que, por meio da enxertia, formam uma planta composta.

Essa relação entre os dois genótipos irá perdurar por toda a vida da planta e, por isso, devem ser utilizadas cultivares que apresentam compatibilidade de enxertia entre si. O uso de gema ativa (final de primavera e início de verão) para a realização da enxertia em “T-invertido“ é o método mais difundido no Brasil para frutíferas de caroço.

Propagação

Mudas de pessegueiro produzidas em citropotes, após a retirada do substrato, ilustrando abundante quantidade de raízes finas - Fotos: Newton Alex Mayer.
Mudas de pessegueiro produzidas em citropotes, após a retirada do substrato, ilustrando abundante quantidade de raízes finas – Fotos: Newton Alex Mayer.

Quanto ao método de propagação utilizado, existem dois tipos de mudas enxertadas:

ÂŒ Muda enxertada em porta-enxerto obtido de semente: nesse caso, utiliza-se um método de enxertia da cultivar-copa sobre um porta-enxerto produzido por germinação de semente. Este é o tipo de muda mais comum no Brasil para frutíferas de caroço. As sementes (caroços de pêssego) são obtidas de matrizeiros próprios (caso de alguns poucos viveiros), principalmente das cultivares Okinawa e Capdeboscq. Caroços provenientes de indústrias processadoras de pêssego não devem ser utilizados para produzir porta-enxertos, pois constituem o resíduo do processo de industrialização e apresentam grande variabilidade genética, o que impedirá a identificação do porta-enxerto;

 Muda enxertada em porta-enxerto clonal: neste caso, utiliza-se um método de enxertia da cultivar copa sobre um porta-enxerto clonal, o qual pode ter sido obtido por estaquia, alporquia ou cultura de tecidos. Este tipo de muda é uma realidade em diversos países importantes produtores de frutas de caroço, como países europeus, e começam a despertar interesse em outros lugares, como no Brasil.

Outra possibilidade, ainda em fase de estudos para as frutíferas de caroço, é a chamada “muda autoenraizada“. Nesse caso, a muda será formada pelo enraizamento adventício da própria cultivar copa, viabilizado por qualquer método vegetativo que promova formação de raízes (estaquia, alporquia, mergulhia ou cultura de tecidos).

Na produção de mudas autoenraizadas não há enxertia e, portanto, não existe porta-enxerto. Apresenta como principal vantagem a redução do tempo de produção da muda no viveiro (de 18 para oito meses, no Sul do Brasil), dispensa todos os tratos culturais de viveiro inerentes à enxertia, além de preservar todas as características genéticas da cultivar original (pois é uma clonagem).

Esse é o tipo de muda disponível para as culturas da goiabeira, oliveira, figueira, mirtileiro, lichieira e amoreira-preta, além de diversas espécies silvícolas (como eucalipto) e ornamentais.

Por fim, outra possibilidade – a mais simples de todas – é utilizar sementes para produzir os chamados “pés-francos“ ou “francos“, também chamados de seedlings (planta obtida de semente, em inglês).

Entretanto, utilizam-se seedlings apenas na fase inicial de programas de melhoramento genético, quando se deseja obter plantas-irmãs geneticamente diferentes entre si, para poder selecionar as melhores, visando o lançamento de futuras cultivares.

Os “pés-francos“ não são recomendados para plantios domésticos e muito menos para plantios comerciais, pois demoram a entrar em produção e não são cópias fiéis da planta original, ou seja, não preservam as características da cultivar.

Muda de pessegueiro produzido em viveiro de campo, com uso de caroços da indústria conserveira para produção de porta-enxertos, evidenciando sistema radicular inadequado para o plantio - Fotos: Newton Alex Mayer.
Muda de pessegueiro produzido em viveiro de campo, com uso de caroços da indústria conserveira para produção de porta-enxertos, evidenciando sistema radicular inadequado para o plantio – Fotos: Newton Alex Mayer.

Sistema de produção

Outro aspecto importante diz respeito ao sistema de produção das mudas e à forma como elas são comercializadas. Basicamente, existem dois sistemas de produção de mudas de frutíferas de caroço:

ÃœO sistema convencional de raiz nua, em que todas as fases de produção das mudas são realizadas no solo, em condição de campo. Nesse sistema, as mudas são arrancadas, acondicionadas em feixes (normalmente com 50 unidades) e comercializadas na forma de raiz nua;

Ãœ O sistema em embalagens ou mudas em torrão, em que todas as fases da produção das mudas é realizada em embalagens (sacos plásticos ou citropotes) contendo solo, misturas de solo, compostos orgânicos ou substrato comercial.

Pela praticidade e possibilidade de manuseio no viveiro, as mudas em embalagens são mantidas em viveiro estruturado, com piso de brita ou concreto, bancadas, telado, ripado ou estufa agrícola, possibilitando algum controle sobre as adversidades climáticas, das práticas culturais e de pragas, doenças e nematoides.

Como as mudas são comercializadas nas próprias embalagens em que foram produzidas, esse período de comercialização e de plantio no campo pode ocorrer em qualquer época do ano, desde que o pomar seja provido de irrigação.

Para adquirir mudas de boa qualidade é preciso levar em consideração alguns aspectos importantes, como a legislação, a idoneidade do viveirista, o sistema de produção e de propagação utilizado no viveiro, a sanidade e os padrões morfológicos das mudas. A seguir, são apresentadas algumas respostas para perguntas comuns sobre esse tema.

Pessegueiro com dois anos de idade, da cv. BRS-Kampai, enxertado sobre 'Okinawa' - Fotos: Newton Alex Mayer.
Pessegueiro com dois anos de idade, da cv. BRS-Kampai, enxertado sobre ‘Okinawa’ – Fotos: Newton Alex Mayer.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de julho de 2018 da Revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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