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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Estratégias no enfrentamento do déficit hídrico

Milho – Foto: Shutterstock

Pesquisas da Embrapa Milho e Sorgo (MG) desenvolveram estratégias que promovem a estabilidade de produção em cultivos de sequeiro de milho, sorgo, milheto e pastagem, os quais têm sofrido déficit hídrico nos últimos anos.

As estratégias envolvem quatro linhas: seleção de cultivares tolerantes ao estresse hídrico; utilização de bioinsumos; adoção de plantio direto e de Integração Lavoura-Pecuária (ILP); e uso de irrigação subótima.

A agricultura de sequeiro (sem nenhum tipo de irrigação) ocupa mais de 90% da área agrícola do País, segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Agência Nacional de Águas (ANA). Essa modalidade de plantio, que depende totalmente das chuvas e da água armazenada no solo, poderia ser mais produtiva, não fosse o déficit hídrico anual médio de 37%.

Auxílio da genética

“A primeira linha, fundamentada em genética e melhoramento, envolve a utilização de genes que, nos solos ácidos do Cerrado brasileiro, permitem o desenvolvimento radicular em camadas mais profundas, favorecendo assim a absorção de água e tornando as culturas mais tolerantes ao estresse hídrico,” detalha o pesquisador da Embrapa Camilo Teixeira.

Na avaliação de cultivares, foram testados em campo genes de tolerância ao alumínio do solo, que já haviam sido identificados em laboratório. “O campo apresentou diferentes níveis de disponibilidade hídrica no solo e detectamos que híbridos de sorgo e de milho contendo genes de tolerância ao alumínio apresentaram ganho de estabilidade de produção e de produtividade sob estresse hídrico”, relata a pesquisadora Cláudia Guimarães.

O uso de gene de tolerância ao alumínio em híbridos de milho em solo ácido resultou em ganhos de produtividade de 21% com irrigação plena e de 48% sob estresse hídrico, na fase de enchimento de grãos. “Com um sistema radicular mais profundo, as plantas de milho exploram melhor as camadas subsuperficiais do solo, em condições de distribuição irregular de chuvas nas regiões de solos ácidos”, explica Guimarães.

Nesses solos, a produção de milho pode ser bastante reduzida pela toxicidade do alumínio, que prejudica a exploração do solo pelas raízes, reduzindo a captação de água e de nutrientes e, consequentemente, a produção de grãos.

Soluções

A segunda solução aborda o uso de bioinsumos, como as rizobactérias, capazes de estimular o crescimento de raízes e, dessa forma, ampliar a capacidade da lavoura de tolerar períodos de escassez hídrica.

Os cientistas testaram bactérias promotoras de crescimento isoladamente e em conjunto. “A inoculação do milho com estirpes de Azospirillum brasilense ou coinoculação com estirpes de Azospirillum brasilense e Bacillus contribuíram para o desenvolvimento e desempenho produtivo”, explica a pesquisadora Isabel Prazeres.

A terceira solução tem como foco a adoção de plantio direto e Integração Lavoura-Pecuária (ILP), visando o uso eficiente de água. O pesquisador Ramon Alvarenga explica que a ILP tem garantido bons resultados, mesmo em anos com grandes períodos de estiagem.

A quarta estratégia abrange o desenvolvimento de recomendações para utilização de irrigação subótima, que consiste em aplicar sempre menos água do que a requerida, na produção de forragem, silagem e grãos. Nas avaliações desse tipo de irrigação, as culturas de milho, sorgo e milheto toleraram reduções nas lâminas de irrigação sem prejuízo significativo da produtividade de matéria fresca.

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