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terça-feira, julho 5, 2022
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Estresse térmico e déficit hídrico no tomateiro – O que fazer?

Janaina Marek

Engenheira agrônoma e doutora em Produção Vegetal

janainamarek@yahoo.com.br

Dione de Azevedo

Engenheiro agrônomo e consultor

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

O estresse térmico e o déficit hídrico são situações comuns enfrentadas pelos produtores durante o desenvolvimento da cultura do tomateiro. Nos últimos anos, são frequentes os extremos de temperatura (entenda-se aqui como extremos de temperaturas acima e abaixo da faixa ótima para o crescimento e desenvolvimento do tomateiro) e períodos de falta ou excesso de chuva durante o ciclo da cultura.

Estes fatores ambientais fogem do controle do produtor. Por isso, a saída para amenizar os prejuízos causados por estas intempéries é a adoção de estratégias de manejo, que propiciem à planta condições de superar a situação de estresse.

Atualmente, há muitas empresas ofertando produtos formulados à base de aminoácidos (combinados ou não com outras substâncias), prometendo resultados na produção de tomate, quando o assunto é estresse. É devido a esta gama de produtos milagrosos que sempre surge o seguinte questionamento: qual produto realmente funciona? A aplicação de aminoácido realmente ajuda a planta a superar situações de estresse?

Efeito do estresse nas plantas

Naturalmente a planta está sujeita a sofrer algum tipo de estresse durante seu ciclo - Crédito Shutterstock
Naturalmente a planta está sujeita a sofrer algum tipo de estresse durante seu ciclo – Crédito Shutterstock

Naturalmente a planta está sujeita a sofrer algum tipo de estresse durante seu ciclo, independente do sistema de cultivo. Infelizmente, tanto os estresses abióticos (extremos de temperatura, déficit hídrico, salinidade, radiação UV, poluição, etc.) quanto os bióticos (pragas e doenças) podem acarretar em perdas de produtividade.

Isto ocorre porque qualquer condição estressante imposta às plantas irá induzir a superprodução de espécies reativas de oxigênio (EROs), também conhecidas como radicais livres. Como são moléculas altamente reativas, causam sérios danos ao metabolismo da planta, como danos oxidativos em proteínas, lipídios e ácidos nucleicos, caracterizando o estresse oxidativo.

Por isso, no início do processo de estresse os efeitos nocivos não são perceptíveis a olho nu, porque estão ocorrendo a nível celular, no entanto, com o passar dos dias os sintomas vão surgindo, como por exemplo: tecidos com lesões ou necrosados, folhas e frutos com defeitos, abortamento de órgãos, etc.

 Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

Muitos destes sintomas são denominados por alguns pesquisadores de doenças fisiológicas, ou seja, são decorrentes de problemas no metabolismo e fisiologia da planta, neste caso, de uma condição de estresse.

No entanto, o efeito mais preocupante ocasionado pelo estresse é a redução na produtividade. Esta queda de produção ocorre porque, além dos danos nos tecidos, a planta gasta energia para se defender. Os vegetais, durante sua evolução, desenvolveram mecanismos de defesa físicos e bioquímicos para suportar as condições adversas do ambiente, no entanto, este arsenal de defesa ‘custa caro’ para ser construído.

Por isso, muitas vezes a energia que poderia ser usada para o crescimento e desenvolvimento dos frutos é gasta nos processos de respostas de defesa. Mas, é importante observar que, mesmo a planta se defendendo ela sempre sofrerá danos, dependendo principalmente da intensidade, da duração e da fase em que ocorrer o estresse.

O efeito mais preocupante ocasionado pelo estresse é a redução na produtividade - Crédito Ana Maria Diniz
O efeito mais preocupante ocasionado pelo estresse é a redução na produtividade – Crédito Ana Maria Diniz

Aplicação de aminoácidos x estresse

Pesquisas têm demonstrado que a aplicação de produtos à base de aminoácidos reduz e minimiza os efeitos causados pelo estresse em plantas de tomate, com a manutenção da produtividade após o período de estresse. Logo, é importante deixar claro que a aplicação destes produtos não irá aumentar a produtividade da lavoura e sim mantê-la, ou pelo menos garantir a menor perda possível.

Mas, saiba que só a aplicação de aminoácidos não faz milagres – é necessário que o manejo nutricional da cultura seja realizado conforme suas necessidades, pois a aplicação destes produtos não substitui uma boa adubação. Os aminoácidos não são nutrientes minerais e não substituem as funções de cada elemento na planta.

Os aminoácidos

Existem cerca de 20 aminoácidos essenciais aos vegetais: serina, cisteína, glicina, tirosina, fenilalanina, triptofano, alanina, leucina, valina, aspartato, asparagina, lisina, metionina, treonina, isoleucina, glutamato, prolina, glutamina, arginina e histidina,cada um com suas funções específicas no metabolismo e fisiologia da planta.

Alguns são precursores da síntese de outros aminoácidos, por exemplo: a partir do glutamato são sintetizados prolina, arginina e glutamina (e a histidina a partir da glutamina) (Taiz&Zeiger, 2013). Sendo assim, o tipo de aminoácido que compõe o produto é uma característica interessante a ser analisada na hora da escolha.

Importância dos aminoácidos para as plantas

Com a aplicação correta de aminoácidos são observados vários benefícios, como:

ð Aumento da resistência da planta em situações de estresse, como estresse térmico e déficit hídrico, porque os aminoácidos melhoram o sistema radicular da planta;

Essa matéria completa você encontra na edição de maio de 2018 da Revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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