Eucalipto: Produção de mudas segue critérios

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Autores

Emmanoella Costa Guaraná Araujo
Mestra em Ciências Florestais e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
manuguarana@gmail.com
Ernandes Macedo da Cunha Neto
netomacedo878@gmail.com
Gabriel Mendes Santana
gsantanaflorestal@gmail.com
Iací Dandara Santos Brasil
iacidandara@yahoo.com.br
Mestrandos do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal – UFPR
Crédito: Shutterstock

O cultivo do eucalipto busca produzir indivíduos com características específicas e uniformes, assim, o processo de produção de mudas é vital para o sucesso do plantio. A técnica escolhida nesta etapa deve atender as necessidades do produtor e ser adequada ao local de execução.

Independente da forma de produção, o resultado final deve apresentar mudas de qualidade genética e fisiológica, que demonstrem condições de sobrevivência e bom desenvolvimento no campo, resistindo ao estresse ambiental e resultando numa produtividade satisfatória.

Para que haja sucesso neste processo, é preciso estar atento a uma série de fatores e etapas que devem ser cumpridas independentemente do método escolhido, para que se garanta a qualidade final das mudas.

Passo a passo

A etapa de instalação do viveiro requer um planejamento visando o objetivo da produção das mudas e a quantidade que se quer produzir. A escolha do local deve levar em conta fatores como: inclinação do terreno, drenagem, disponibilidade de água, proximidade das áreas de plantio, orientação geográfica, proteção das mudas, entre outros (Oliveira et al., 2016).

O primeiro passo para formação das mudas é a escolha adequada da espécie a ser produzida, levando em consideração as condições locais, em seguida o método mais adequado, de acordo com a espécie e condições da área disponível. As mudas de eucalipto podem ser produzidas pelos métodos sexuados, por sementes, e assexuados (propagação vegetativa), estaquia e miniestaquia; e micropropagação e microestaquia.

No método de propagação sexuada, deve-se ter extremo rigor na coleta e/ou aquisição de sementes, pois o plantio de mudas provenientes de sementes de má qualidade resulta em um povoamento com baixa produtividade (Gomes; Paiva, 2013). O grau de pureza e de germinação são aspectos que devem ser observados na obtenção das sementes, bem como a identificação genética, estado fitossanitário e fisiológico.

Plantio

A semeadura pode ser feita em canteiros para posterior repicagem, ou direto nos recipientes. Algumas atividades devem ser executadas antes e durante a formação das mudas, dentre elas: instalação do viveiro, preparo do substrato, preparo dos recipientes, testes de germinação, repicagem (quando for o caso), raleio das mudas, adubação por cobertura, re-encanteiramento e endurecimento das mudas.

Métodos assexuados

Na utilização de métodos assexuados, tem-se a estaquia, miniestaquia, micropropagação e microestaquia. No processo de estaquia a árvore matriz é selecionada, abatida, e quando surgem as rebrotas, estas são cortadas e levadas para enraizamento em recipiente adequado.

Já a miniestaquia consiste num sistema advindo da brotação do ápice de estacas. A micropropagação utiliza células de tecido vegetal, para formação uma nova planta in vitro, enquanto a microestaquia utiliza microestacas rejuvenescidos em laboratório de micropropagação, para posterior enraizamento (Ferrari; Grossi; Wendling, 2004).

Independente do processo escolhido, é imprescindível a utilização de recipientes adequados. A produção de mudas em recipientes é uma das mais utilizadas pelo alto controle que se tem da nutrição e proteção das raízes, com manejo mais adequado no viveiro e na etapa de transporte (Gomes; Paiva, 2013). É importante ressaltar que o tipo e tamanho do recipiente terão impacto direto no custo de produção, e a durabilidade do material é um fator que deve ser levado em consideração para que não se desintegre no processo de transporte para o campo.

Embalagens para as mudas

Os sacos plásticos e os tubetes têm sido os recipientes mais usados atualmente, pela facilidade de manuseio e disponibilidade no mercado. No entanto, apesar da facilidade de trabalho com o saco, a possibilidade de enovelamento da raiz é alta e o custo do transporte é elevado devido ao volume e peso, uma vez que o volume é variável de acordo com o objetivo da produção e a espécie. Sendo assim, o tubete vem ganhando mais espaço nos últimos tempos.

Os tubetes de plástico rígido são simples e possuem dimensões menores que as dos sacos. Também contribuem com a redução de doenças e pragas, podendo ser considerado um avanço, quando comparado com o saco plástico. Como possuem menores dimensões, podem ficar suspensos, o que facilita o trabalho que quem está manejando.

Apesar de o custo de aquisição ser mais alto que o do saco, o reaproveitamento do tubete por longo período contribui com a redução do desperdício. Outra vantagem é o transporte e viabilidade econômica.

Outros recipientes menos usuais são: bandejas de isopor, torrão paulista, torronete, laminado de madeira, vapo, paper-pot, fertil-pot, torrão reba, win-strip, entre outros. No entanto, é importante ter em mente os objetivos das mudas produzidas para escolha do recipiente, pois seu tamanho e material vão influenciar no custo da produção e sobrevivência no campo.


Viabilidade

No fim do processo de produção, mais cedo ou mais tarde, as embalagens tornam-se resíduos, que causam poluição e impactos ao meio ambiente; sendo assim, é importante traçar estratégias que minimizem os descartes.

O uso dos tubetes, frente aos sacos plásticos, por si só, já reduz o descarte de material, uma vez que os tubetes de plástico rígido têm duração média de 10 anos. Mesmo assim, uma hora o material perde sua viabilidade, necessitando de substituição.

Uma alternativa atual é a utilização de tubetes biodegradáveis, produzidos a partir de materiais que seriam descartados em aterros sanitários, resultando em acúmulo de detritos, como embalagens de Tetra Pak. Os tubetes são produzidos de acordo com a espécie a ser cultivada e sistema de cultivo, permitindo a confecção e formatos exclusivos. São resistentes ao transporte e podem ser depositados diretamente no solo, o que facilita o processo de produção. Outra vantagem é que as raízes conseguem penetrar nas paredes da embalagem, sem riscos de enovelamento. Os tubetes também podem ser utilizados em estufas e viveiros.

No entanto, por mais que seja sustentável, pressupõe-se que o custo deste material seja mais elevado, sem contar que é necessário que se realize novas pesquisas com diferentes materiais, tamanhos de tubetes e espécies cultivadas, com o objetivo de conhecer o comportamento de tais espécies e desenvolver alternativas que sejam mais viáveis em termos de custo e produção.