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Fertilizante foliar potencializa indução de florada do limão tahiti

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Autores

Luís Paulo Benetti Mantoan
Doutorando em Ciências Biológicas (Botânica)/Fisiologia Vegetal – UNESP
luismantoan@gmail.com
Carla Verônica Corrêa
Doutoranda em Agronomia/Fisiologia Vegetal – UNESP
cvcorrea1509@gmail.com

A adubação foliar pode ser considerada uma forma de complementar a adubação realizada via solo em diversas espécies frutíferas, como na cultura do limão tahiti. Existem muitos tipos de fertilizantes foliares no mercado, alguns deles formulados com apenas um tipo de nutriente específico, enquanto outros são formulados com mais de um nutriente, podendo ser desde macro até micronutrientes, desde que estes apresentem capacidade para serem absorvidos pela folha.

Existem, também, outros produtos que contêm nutrientes e reguladores vegetais, os quais são de grande importância na indução da transição da fase vegetativa para a fase reprodutiva. A aplicação foliar de micronutrientes pode ser uma alternativa para a correção da falta de um determinado elemento que esteja ausente no solo, principalmente quando este apresenta importância na produção de flores em culturas como a do limão tahiti.

Para cada fase

Alguns micronutrientes são essenciais na fase reprodutiva, sendo que a ausência deste pode levar ao atraso na indução da floração ou até mesmo ao abortamento de flores. Dentre os micronutrientes indispensáveis para a fase reprodutiva estão o manganês, cobre e boro.

O manganês atua como um cofator de enzimas responsáveis pela fotossíntese e pela produção do ácido chiquímico, o qual é um intermediário na síntese de aminoácidos aromáticos e da auxina, que desempenha um importante papel na viabilidade do pólen, no crescimento do fruto e do tubo polínico para fecundação do óvulo.

O cobre, por sua vez, é essencial na fase reprodutiva, de tal forma que a ausência deste elemento causa o atraso no florescimento. A deficiência do cobre limita a ação da enzima ácido indolacético oxidase, responsável por degradar o excesso de auxina na planta, sendo o excesso deste hormônio responsável pelo atraso no processo de florescimento.

Além disso, o cobre apresenta importante função na viabilidade de flores masculinas e do grão de pólen. Por fim, o boro representa um importante elemento para a fase reprodutiva das plantas, de tal forma que a deficiência deste micronutriente causa a queda dos botões florais, além de ser um elemento essencial para a formação do tubo polínico e para a viabilidade do grão de pólen.

Na lavoura

Todas as culturas são beneficiadas pela adubação foliar, pois trata-se de uma forma mais rápida de fornecer os nutrientes essenciais às culturas. Durante o período de florescimento há uma necessidade ainda mais acentuada dos nutrientes, devido à maior atividade metabólica da planta e da necessidade de mais energia para a planta manter seu desenvolvimento e ainda, atender toda demanda energética necessária para o florescimento e frutificação.

Manejo

A adubação, seja ela no solo ou foliar, deve seguir um rigoroso manejo de aplicação, baseado em análise química do solo e das plantas. Assim, o produtor se baseando nessas análises, poderá evitar perdas com carência ou desequilíbrio nutricional, ocasionado pelo excesso de nutrientes.

Outra forma de acertar na aplicação da adubação foliar é usar as denominadas curvas de absorção, que permitem fornecer nutrientes na quantidade adequada para cada fase da cultura.

Todo o manejo dependerá das análises químicas de solo e de plantas. Assim, o produtor pode realizar uma análise química de plantas em torno de 20-30 dias antes do início do período de florescimento, com o objetivo de verificar as reais necessidades da cultura em relação aos nutrientes. A partir daí o produtor terá condições de evitar tanto a falta como o excesso de nutrientes, bem como impedir desequilíbrios nutricionais causados pelo excesso de fertilização.

Passo-a-passo

A coleta de folhas para a análise foliar deve ser realizada da seguinte forma:

Ì As folhas coletadas devem ter entre seis e sete meses de idade e apresentar tamanho característico do material empregado e livres de pragas e doenças;

Ì A coleta deve ser feita em toda a projeção da planta, entre a base e a parte superior da copa;

Ì Para uma área de 2,5 ha deve-se coletar 100 folhas obtidas em quatro a cinco ramos de 20 a 25 árvores;

Ì Para pomares maiores, porém uniformes, cada amostra poderá corresponder a 05 ou 10 ha;

Ì As folhas devem ser acondicionadas em sacos de papel ou plástico e encaminhadas o mais breve possível para o laboratório de análise.

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Por que usar via folha

Entre os benefícios da fertilização foliar, podem-se citar:

N Maior pegamento de flores;

N Frutificação mais uniforme;

N Frutos de maior tamanho e com coloração adequada;

N Precocidade da colheita;

N Aumento da qualidade dos frutos;

N Maior lucratividade ao produtor, devido maior qualidade e produtividade.

No campo

Os resultados práticos de campo estão relacionados, principalmente, com a maior produtividade. Além disso, a aplicação via foliar de fertilizantes permite usar quantidades menores, o que resulta em custos mais baixos de produção.

A nutrição adequada de uma cultura resulta em menores incidências de doenças, maior resistência às condições estressantes, como alterações climáticas e, consequentemente, maior produtividade.

Custo-benefício

O custo é baixo quando comparado com os benefícios oferecidos por uma planta nutrida adequadamente. No entanto, o produtor deve sempre levar em consideração que a adubação deve ser realizada de acordo com as necessidades da sua lavoura.

A fertilização dependerá de outros fatores, como manejo da cultura, controle de pragas e doenças, presença ou não de irrigação, condições climáticas, cultivar empregada, entre outros.

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