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Fertilizantes com biopromotores aumentam a produção de alface hidropônica

 

Elisamara Caldeira do Nascimento

Talita de Santana Matos

Doutoras em agronomia ” UFRRJ

Glaucio da Cruz Genuncio

Professor adjunto de Fruticultura “UFMT

glauciogenuncio@gmail.com

 Crédito Eduardo Miyayaciki
Crédito Eduardo Miyayaciki

O cultivo hidropônico de plantas no Brasil tem crescido nos últimos anos. No entanto, a sua técnica ainda é pouco difundida entre os agricultores tradicionais, o que gera apreensão e insegurança em adotar este sistema de produção. Por outro lado, torna-se importante ressaltar a crescente demanda do mercado consumidor por hortaliças hidropônicas, com consequente alteração na comercialização destes produtos, uma vez que os produtores convencionais de hortaliças, para se manterem no mercado, necessitam ampliar a produção, adotando o sistema hidropônico como parte de seu plano de negócios. Este modelo vem se ampliando, principalmente no Sudeste, e parte desta ampliação é determinada pela exigência do setor atacadista por produtos que garantam qualidade e ausência de sazonalidade.

Vantagens e desvantagens da hidroponia

A adoção do sistema hidropônico para cultivo de hortaliças tem como vantagens: o controle no uso de nutrientes; antecipação da colheita; homogeneidade de oferta e qualidade dos produtos durante todo o ano; ausência de necessidade de rotação de culturas, o que permite ao produtor um alto nível de especialização; menor incidência de pragas e doenças; menor utilização de mão de obra e racionalização do uso da energia.

As desvantagens deste sistema são: custo inicial de implantação elevado, exigência de alto grau de tecnologia e acompanhamento permanente do sistema, que é dependente de energia elétrica ou de sistema alternativo, e a fácil disseminação de patógenos pela da própria solução nutritiva.

Crédito Nature Hidroponia
Crédito Nature Hidroponia

O caso da alface

A alface (Lactuca sativa L.) é considerada a hortaliça folhosa mais importante na alimentação do brasileiro. Dados divulgados pela ABCSEM (2017) afirmam que a alface contribui com 42% da movimentação no setor de hortaliças folhosas e, juntamente com o tomate, é a hortaliça preferida para as saladas por ser refrescante, de sabor agradável e de fácil preparo, o que assegura à cultura expressiva importância econômica.

No Brasil são plantados seis grupos de cultivares de alface, sendo: grupo Americana, com folhas que formam uma cabeça, semelhante ao repolho, com os bordos das folhas crespas; Repolhuda-manteiga, semelhante à anterior, mas com os bordos das folhas lisas; grupo Solta-lisa, que são alfaces que não formam uma cabeça e possuem os bordos das folhas lisas; Solta-crespa, que são alfaces semelhantes ao grupo anterior, mas possuem os bordos das folhas crespas – é o que mais cresceu o plantio no Brasil, correspondendo hoje a 70% do mercado.

Existem ainda o grupo Mimosa, que são alfaces com folhas bem recortadas e o grupo Romana, sendo estes dois últimos com menor importância econômica e mercado mais específico.

O cultivo desta hortaliça em hidroponia reduz cerca de dez dias o período de colheita da alface, devido às melhores condições de umidade e temperatura dentro da estufa. Ainda podem ser citadas as reduções no uso de agrotóxicos, quando comparados com o cultivo tradicional, a possibilidade de um excelente plano de escalonamento de produção e uma melhor padronização dos produtos.

Solução nutritiva

Um aspecto fundamental para o cultivo hidropônico é a escolha da solução nutritiva, que deve ser formulada de acordo com o requerimento nutricional da espécie que se deseja produzir, ou seja, todos os elementos essenciais para o seu crescimento em proporções adequadas.

No entanto, alternativas de novas formulações vêm sendo estudadas, inclusive com o uso de silício e aminoácidos, além da prata coloidal, que demonstra um potencial na redução de doenças, tais como Pythium, Pectobacteriume Fusarium, e anomalias fisiológicas como, por exemplo, queima dos bordos em alface.

O silício, considerado um biopromotor, é capaz de aumentar a resistência das plantas aos ataques de insetos, bactérias e fungos, além de auxiliar na melhoria do estado nutricional, na redução da transpiração e, possivelmente, também em alguns aspectos da eficiência fotossintética.

Um aspecto fundamental para o cultivo hidropônico é a escolha da solução nutritiva - Crédito Shutterstock
Um aspecto fundamental para o cultivo hidropônico é a escolha da solução nutritiva – Crédito Shutterstock

Fonte de silício

Em alface, a sílica solúvel como fonte de silício (silicato de potássio) tem sido ultimamente muito aplicada tanto em solução nutritiva quanto via foliar, sendo que inúmeros trabalhos científicos têm demonstrado o efeito benéfico da sua utilização em diversas outras culturas. Esta relação de pesquisa e aplicação no campo é de fundamental importância para a ampliação da tecnologia, com dados já validados e aplicados a campo.

Pesquisas

Estudos usando silício em solução nutritiva com e sem o elemento no cultivo de alface verificaram que a presença de silício diminuiu significativamente os sintomas de toxidez de manganês, que se caracteriza por manchas escuras nas margens das folhas mais velhas da alface.

No entanto, os autores verificaram que a absorção de Si na alface foi pequena, e o conteúdo de Si nas plantas que receberam o tratamento foi pouco maior em comparação ao tratamento sem Si.

Utilizando a sílica solúvel em pulverizações, foi possível concluir que concentrações de 0,2% já aumenta o peso comercial da alface crespa.Em alface as doenças de maior incidência em hidroponia são míldio (Bremialactuca), podridão de raízes por Pythium, podridão por esclerotínia (Sclerotiniasclerotiorum), septoriose (Septorialactucae) e o vírus vira-cabeça, transmitido por tripes. Estas doenças podem ser atenuadas por uma série e medidas de caráter preventivo, tais como: utilização de sementes sadias, limpeza e desinfecção do sistema hidropônico, e fertilização com solução nutritiva adequada. É nesta última medida que o silício pode ser benéfico.

Vale ressaltar que as principais cultivares plantadas comercialmente não possuem resistência para estas doenças, bem como para o distúrbio fisiológico queima dos bordos.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2018 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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