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Fertilizantes de liberação lenta – Quando utilizar essa tecnologia?

Plínio Marcus Leonel de Paula

Graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), coordenador de pesquisa do Núcleo de estudos em Cafeicultura (NECAF) e bolsista da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG)

Giovani BeluttiVoltolini

Graduando em Agronomia pela UFLA, coordenador geral do NECAF e membro do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia(GHPD)

giovanibelutti77@hotmail.com

Fotos Shutterstock
Fotos Shutterstock

Sabe-se que a agricultura caminha a passos largos rumo à tecnologia, e neste sentido, melhorias em todos os setores são frequentes, quase que diárias, contribuindo para a melhoria dos processos de cultivo e, consequentemente, aumentando a produtividade e lucratividade das culturas.

Sobretudo, os ambientes de cultivo sofrem influência de vários fatores, e estes impactam diretamente na produtividade das culturas, como a fertilidade, o clima, a sanidade, manejo de plantas daninhas e o nível tecnológico empregado.

Neste sentido, as tecnologias empregadas na área dos fertilizantes vêm contribuindo constantemente para a otimização da utilização destes insumos, visando o uso mais eficiente e consciente. Dentre estas tecnologias, o uso de fertilizantes de eficiência aumentada vem sendo utilizado em larga escala, muito pela inconstância nas variáveis climáticas, que reduzem a eficiência dos fertilizantes convencionais.

Este fato está ligado à utilização dos fertilizantes convencionais em condições de ausência de chuvas, ou também por excesso da mesma, ocasionando muitos problemas, como a volatilização e também a lixiviação dos nutrientes empregados.

O uso de fertilizantes de eficiência aumentada reduz as perdas por volatilização - Fotos Shutterstock
O uso de fertilizantes de eficiência aumentada reduz as perdas por volatilização – Fotos Shutterstock

Importância e funcionamento

A tecnologia ligada à maior eficiência na área de fertilizantes é baseada no princípio do revestimento dos grânulos de nutrientes, que na maioria das vezes são N, P e K (nitrogênio, fósforo e potássio, respectivamente). Este revestimento é feito por meio de polímeros, enxofre elementar, ou também por resina. Também podem ser associados ao formaldeído, que por meio de uma cadeia de carbono controlam a liberação do nutriente.

Estes componentes atuam como uma barreira física ou química no revestimento dos grânulos de fertilizantes e impedem sua solubilização de maneira uniforme, ou seja, seu efeito passa a ser gradativo e a longo prazo, podendo variar de 30 a 180 dias.

Dentre as diversas classes de fertilizantes de eficiência aumentada, temos os fertilizantes de liberação controlada, os fertilizantes de liberação lenta e os estabilizados.

 Os fertilizantes de liberação lenta aumenta a eficiência dos nutrientes - Fotos Shutterstock
Os fertilizantes de liberação lenta aumenta a eficiência dos nutrientes – Fotos Shutterstock

Liberação lenta x liberação controlada

Os fertilizantes de liberação lenta são caracterizados pela associação dos nutrientes com formaldeído, de forma que seja formada uma cadeia de carbono, em associação ao nutriente, e desta forma, protegendo o mesmo e consequentemente ocasionando a liberação lenta deste nutriente.

Esta tecnologia sofre influência direta de fatores abióticos e bióticos, em que a umidade, temperatura, matéria orgânica e a atividade microbiológica são os principais responsáveis pela longevidade do fertilizante, pois são estes que “quebram“ a cadeia de carbono e liberam o nutriente para o solo.

Por outro lado, os fertilizantes de liberação controlada são aqueles que são revestidos por algum tipo de componente, seja resina, polímeros ou também enxofre elementar. A liberação controlada ocorre devido às diferentes espessuras de revestimento em cada grânulo, e por meio da associação de diferentes porcentagens de tamanhos de grânulos em um mesmo fertilizante, alguns têm efeito mais duradouro e outros mais instantâneos.

Desta forma, estes fertilizantes, por terem esta barreira física, sofrem menor influência do meio, diferentemente dos fertilizantes de liberação lenta.

Como utilizar e quando utilizar?

A utilização dos fertilizantes de eficiência aumentada vem sendo empregada em diversas culturas, sendo que cada cultura possui uma variação desta tecnologia. Por exemplo, na cultura do café, que é perene e possui ciclo mais extenso, o período de liberação pode variar até 180 dias. Por outro lado, na cultura do milho, que é anual e de ciclo reduzido, o tempo de liberação é mais rápido, chegando a até 60 dias.

A tecnologia é muito utilizada em regiões com problemas quanto à distribuição de chuva e dificuldade de aplicação de insumos, de forma que a aplicação é sempre realizada por meio de uma única aplicação, sem a necessidade de parcelamentos.

Benefícios

Dentre os principais benefícios associados à utilização de fertilizantes de eficiência aumentada, podemos destacar a redução da perda de nutrientes por fatores externos à cultura, como o clima, microrganismos e também os aspectos que envolvem as características do solo.

Sabe-se que devido à forma de utilização dos fertilizantes convencionais, muitas vezes na forma de ureia (no caso dos nitrogenados) e cloreto de potássio, a ocorrência de volatilização, lixiviação e percolação destes nutrientes é muito favorecida, visto que, dependendo dos fatores anteriormente citados, o nutriente pode ser solubilizado de uma só vez e acentuar as perdas.

Além disso, pela possibilidade de realizar a adubação em um único parcelamento, pela liberação ser gradual, o custo de produção é reduzido, diminuindo a mão de obra de outros possíveis parcelamentos.

Essa matéria completa você encontra na edição de Julho 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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