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quarta-feira, julho 6, 2022
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Fertilizantes organominerais em café reduzem perdas por volatilização

Talita de Santana Matos

talitasmatos@gmail.com

Elisamara Caldeira do Nascimento

Doutoras em Agronomia – Ciência do Solo

Rafael Campagnol

Glaucio da Cruz Genuncio

glauciogenuncio@gmail.com

Professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

 

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A volatilização consiste na perda de N na forma de amônia para a atmosfera, sendo um dos principais fatores responsáveis pela baixa eficiência da ureia em fornecer nitrogênio às culturas.  Estima-se que apenas 40% do N-fertilizante aplicado ao solo são aproveitados pelas plantas cultivadas.

As perdas são influenciadas diretamente por fatores climáticos, como: temperatura e a precipitação, além da incidência e velocidade do vento, fatores com trocas gasosas, evaporação da água, conteúdo de água no solo, pH, poder tampão do solo, capacidade de troca catiônica e atividade da uréase.

De acordo com o tipo de solo e o manejo empregado, as perdas por volatilização podem variar entre 20 a 70% do total N-fertilizando aplicado.

Atuação dos organominerais

Os fertilizantes organominerais são insumos oriundos da associação de fertilizantes minerais com uma fonte orgânica, de modo que os mesmos possuam variados nutrientes, sendo estes essenciais às plantas, assim como incrementos na matéria orgânica e CTC do solo.

A matéria orgânica funciona como um condicionador do fertilizante, retendo água e nutrientes. Sendo assim, a aplicação destes insumos propicia melhora nas propriedades físicas, físico-químicas, químicas e biológicas do solo, que irão influenciar de forma direta ou indireta na fertilidade. Entre elas estão: maior capacidade de retenção de água; redução da compactação do solo, aumento da porosidade do perfil e, em consequência, elevaçãoda capacidade de absorção do solo, o que significa maior quantidade de nutrientes disponíveis para a planta.

Além disso, evitam a salinidade provocada pelo excesso de sais oriundos dos fertilizantes minerais convencionais. Um dos fatores que melhor explica essa redução de volatilização é que na mistura do fertilizante mineral com o orgânico os nutrientes ficam por mais tempo disponíveis para a planta, sendo liberados gradativamente, conforme a microbiota do solo vai degradando a matéria orgânica, obtendo, desta forma, melhor aproveitamento dos mesmos.

Desta forma, é possível, então, o cálculo de quantidades adequadas para uma recomendação mais precisa e eficiente.

Resultados no café

Diversos estudos vêm demonstrando a eficiência agronômica na utilização destes insumos. A principal razão para se adicionar fertilizantes minerais aos adubos orgânicos é diminuir a taxa de mineralização dos nutrientes, principalmente nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).

Como consequência da adição dos fertilizantes minerais aos adubos orgânicos, tem-se a vantagem de o fertilizante organomineral poder ser empregado em menores quantidades por área, além do menor custo de transporte.Com isso, o aumento da eficiência nutricional das plantas pode ter grande impacto sobre a produtividade do cafeeiro e seus custos de produção.

O café responde aos organominerais com mais produtividade
O café responde aos organominerais com mais produtividade

Dicas

O manejo deve estar sempre associado às boas práticas para uso eficiente de fertilizantes, baseado nos 4 C da nutrição de plantas: aplicação da fonte certa, na dose certa, na época certa e no local certo.

As doses e dosagens, além da época adequada, deverão ser estabelecidas de acordo com a exigência da cultura, dependendo basicamente do estágio de desenvolvimento da lavoura em função das taxas fornecidas pelo solo (evidenciadas na análise de solo).

A expectativa de produção pode ser usada como parâmetro para ajudar a definir as doses, sempre observando a demanda representada pelo crescimento vegetativo. Desta forma, a adubação deve atender aos dois drenos nutricionais da planta: a fase de crescimento vegetativo e a fase de frutificação.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração são os genótipos utilizados, que apresentam eficiência em aproveitamento de nutrientes de forma diferenciada.

Custo

O uso de organominerais pode aumentar em 15 a 20% o custo do manejo nutricional de N para a cultura do cafeeiro, porém, dadosos seus benefícios, estes custos podem ser avaliados como investimento voltado para melhor eficiência de aplicação de fontes nitrogenadas, dentre outras fontes minerais.

Essa matéria você encontra na edição de maio de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar.

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