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quinta-feira, junho 13, 2024
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Fertirrigação em pré-florada do cafeeiro

Fernando Couto de AraújoEngenheiro agrônomo, mestre em Proteção de Plantas, doutorando em Produção Vegetal e consultor técnico em cafeiculturafernandoagrocouto@hotmail.com

Juliana Lourenço Nunes GuimarãesEngenheira agrônoma, mestre em Proteção de Plantas e consultora técnica em cafeicultura agroguimaraes@yahoo.com.br

Vinícius Teixeira LemosEngenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e consultor técnico em cafeiculturaviniciuslemos@prof.una.br

Irrigação – Créditos: Vinícius Teixeira Lemos

A fertirrigação do cafeeiro é uma prática em que se aplicam os fertilizantes solúveis diluídos em água, através do sistema de irrigação localizado, visando uma adequada nutrição das plantas.

Os custos com adubação via solo representam o principal componente da produção de lavouras cafeeiras na maioria das regiões produtoras, principalmente na atual safra, após a recente alta dos fertilizantes. Logo, demanda conhecimento e cuidados na utilização destes insumos.

O parcelamento das adubações por meio da fertirrigação deve ser feito de acordo com a exigência do cafeeiro em cada fase fenológica, com potencial de redução de perdas por lixiviação ou volatilização em até 30%, aumentando a eficiência no uso dos fertilizantes e permitindo o ajuste de doses.

A quantidade de cada fertilizante a ser utilizado vai variar de acordo com os resultados das análises de solo e de folha e com o potencial produtivo da lavoura. Nos períodos de maior exigência em nutrientes, já deve haver bons teores na planta e boa disponibilidade no solo.

Adsorção de nutrientes

Estudos indicam que durante a fase de pré-florescimento o cafeeiro absorve altas quantidades de fósforo (P), potássio (K), magnésio (Mg) e enxofre (S), bem como o nitrogênio (N), que é muito absorvido em todas as fases fenológicas da planta.

O cálcio e o boro são nutrientes que contribuem para a formação do tubo polínico e a fecundação das flores, logo, seus teores na planta devem estar altos no momento da florada, podendo ser fornecidos através de fertirrigações prévias, desde o final do período chuvoso.

Benefícios da fertirrigação

Os cafeicultores constantemente têm buscado tecnologias para aumento da produtividade e/ou da eficiência na produção e, consequentemente, da rentabilidade da atividade cafeeira.

Nos últimos anos, a irrigação localizada na cafeicultura, especialmente por gotejamento ou por pivô lepa em plantios circulares, associada à fertirrigação, surgem como uma alternativa tecnológica viável e, em alguns casos, necessária, para aumento da produtividade devido ao fornecimento de água e nutrientes, numa realidade de clima cada vez mais atípico, com mal distribuição das chuvas, longos períodos de seca e ocorrência de temperaturas elevadas.

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Como benefícios diretos do uso de irrigação e fertirrigação nos cafezais podemos citar a possibilidade de produção em regiões marginais para a cafeicultura (altitudes menores e temperaturas mais elevadas), facilidade operacional, uma vez que dispensa o deslocamento de máquinas pela lavoura, reduzindo o custo da operação de aplicação, permite o parcelamento da adubação em um maior número de aplicações, possibilitando adubar durante um período mais longo no ano, incluindo as épocas antes do início e depois do final do período chuvoso, maior desenvolvimento e enchimento dos frutos e a possibilidade de manejo para uniformização da florada, com benefícios diretos na padronização da maturação dos frutos e na qualidade da bebida, entre outros.

Manejo

Para realização de fertirrigação em cafezais, deve-se utilizar um sistema de irrigação localizada, comumente o gotejamento ou pivô central tipo lepa, em cafés plantados em círculo. Para funcionamento do sistema são utilizadas bombas elétricas, sendo que, em locais sem energia elétrica, podem ser utilizadas motobombas a diesel ou um gerador a diesel para gerar eletricidade e funcionar a bomba elétrica.

No planejamento da fertirrigação, deve-se planejar as quantidades a serem aplicadas para cada nutriente, o parcelamento e as fontes a serem utilizadas. A pesquisa evidencia que fertilizantes comuns, como a ureia, o cloreto de potássio (branco) e o MAP purificado, entre outros semelhantes, também podem ser utilizados a um custo mais competitivo, comparados àqueles mais puros e de maior preço de aquisição.

Além do preço, a solubilidade, a concentração de nutrientes, a pureza e a compatibilidade de mistura com outras fontes na mesma aplicação devem ser consideradas. A mistura de fontes incompatíveis no mesmo tanque pode formar compostos insolúveis na solução, que por sua vez causam entupimento dos componentes do sistema de irrigação e reduz a eficiência dos fertilizantes, devendo ser descartada toda a solução quando ocorre esta situação.

Outras características importantes são a condutividade elétrica e o poder acidificante dos fertilizantes utilizados, visando evitar a salinização e a acidificação excessiva do bulbo úmido, uma vez que as raízes do cafeeiro se concentram mais nesta região irrigada e podem ter seu desenvolvimento e a absorção reduzidos devido ao efeito salino e pH baixo na solução.

A solução nutritiva

Para o preparo da solução nutritiva, deve-se dissolver os fertilizantes compatíveis na caixa de dissolução sob agitação, aguardar um período de aproximadamente 15 minutos sob repouso para decantar, depois transferir a calda para a caixa de injeção, captando a 2,0 cm do fundo e aguardar 15 minutos novamente com a calda sob repouso na caixa de injeção.

Os filtros da fertirrigação devem ser limpos a cada intervalo de injeção. Ao iniciar a prática em um talhão, o sistema de irrigação deve funcionar com água por um tempo suficiente para pressurizar todo o sistema.

Depois, a calda nutritiva deve ser injetada por um tempo suficiente para formar um bulbo molhado que atinja uma boa quantidade de raízes e que a salinidade seja diluída a níveis tolerados pelo cafeeiro.

Por fim, é injetada água até a completa limpeza do sistema, sendo o tempo variável de acordo com o avanço da água, ou o tempo que a água leva para se deslocar da bomba até o ponto mais distante da linha de tubo gotejador, e pode ser medido pela condutividade elétrica na linha de gotejo após o final da injeção da calda nutritiva.

O monitoramento da área fertirrigada pode ser feito pela instalação de extratores de solução do solo em diferentes profundidades e locais do talhão, para monitoramento da lixiviação de nutrientes, bem como monitorar a condutividade elétrica e o pH da solução do solo.

Relação da produtividade com a irrigação

O cultivo de café irrigado no Brasil representa uma área de aproximadamente 300 mil hectares, equivalente a pouco mais de 12% da área total cultivada com café, responsável por 30% da produção nacional, o que demonstra a maior eficiência produtiva nas áreas irrigadas.

Segundo a Central de Dados do Sebrae Educampo, no grupo de cafeicultores da Expocaccer (2015), a produtividade das áreas irrigadas foi 25% em comparação ao sequeiro e, embora o custo operacional efetivo por hectare tenha sido 14% mais elevado, o lucro da atividade foi 41% superior na média das lavouras irrigadas, o que reforça o aumento da competitividade pelo uso da irrigação.

Erros e acertos

Devido aos elevados potenciais produtivos da cafeicultura irrigada, as quantidades de fertilizantes aplicados também são elevadas. Dependendo das fontes e da forma de aplicação, pode-se criar um ambiente com condições de salinidade e acidez próximo às raízes do cafeeiro, além dos limites tolerados pela cultura, reduzindo seu desenvolvimento e produtividade.

Além disso, fertilizantes de baixa solubilidade ou a realização de mistura de fertilizantes incompatíveis na caixa de fertirrigação podem causar entupimento de filtros e dos emissores do tubo gotejador, causando grandes prejuízos para o sistema de irrigação.

Para evitar esses erros, primeiramente os fertilizantes utilizados devem apresentar baixos índices salinos, elevadas pureza e solubilidade e serem recomendados para a prática de fertirrigação. Para reduzir a salinidade, deve-se optar por maior parcelamento das fertirrigações (menor dose por operação) e aplicação de bastante água para limpeza do sistema de irrigação, para formar uma faixa molhada e diluir a calda nutritiva aplicada.

Uma análise detalhada da compatibilidade da mistura de fertilizantes deve ser feita previamente, com consulta à tabela de compatibilidade dos fertilizantes, e/ou realização de um teste de mistura no balde ou consulta a um engenheiro agrônomo.

Também deve-se prezar pelo bom funcionamento de todo o sistema de irrigação, sendo que um sistema com vazão desuniforme nunca apresentará elevada eficiência para fertirrigação.

Custo envolvido

O custo de implantação de um sistema de irrigação localizada no café é variável e vai depender do tamanho da área irrigada (áreas maiores tendem e diluir o custo unitário), do tipo de irrigação, da distância da captação, da necessidade ou não de construir um reservatório na lavoura ou no curso d’água, da qualidade dos materiais utilizados, se os tubos gotejadores serão superficiais ou enterrados, entre outros fatores.

De maneira geral, atualmente o custo unitário para irrigação localizada em café varia de R$ 12.000,00 a R$ 20.000,00 por hectare.

Conforme a Central de Dados do Sebrae Educampo citados anteriormente, as áreas irrigadas produziram, em média, 10,1 sacas/ha a mais em comparação com as áreas em sequeiro. Na cotação atual do café, isto equivale a R$ 13.130,00 a mais por ano, logo, o incremento de produtividade é suficiente para pagar o investimento no curto prazo.

Além disso, a fertirrigação apresenta uma série de benefícios técnicos e operacionais, já descritos anteriormente. Logo, a utilização da técnica de fertirrigação, aliada a um bom manejo da lavoura e um uso responsável e sustentável da água, é um excelente negócio e pode contribuir para o aumento da competitividade da produção cafeeira.

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