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sexta-feira, junho 24, 2022
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Fertirrigação monitorada por extratores de solução

Juscimar Silva

Pesquisador da área de Nutrição de Plantas da Embrapa Hortaliças (Brasília/DF)

Crédito Waldir Marouelli
Crédito Waldir Marouelli

A fertirrigação é caracterizada pelo suprimento dos nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas diretamente na água de irrigação. Essa prática difere das adubações via solo, em que os fertilizantes precisam ser solubilizados previamente para que as plantas utilizem os nutrientes.

Além disso, nas adubações via solo aplicam-se quantidades muito elevadas de fertilizantes em uma vez ou em, no máximo, três ou quatro vezes. É comum observar nos campos em que se utiliza adubação via solo uma menor eficiência de uso dos nutrientes devido às diferentes reações ocorridas no solo, que podem resultar na imobilização ou perda de nutrientes.

O fósforo (P), por exemplo, é passível de reações de adsorção no solo e sua aplicação direta no solo, mesmo que de maneira localizada, apresenta baixa eficiência de uso pelas plantas, porque boa parte do que foi adicionado será imobilizado pelos minerais de argila do solo. No caso do nitrogênio (N), como a fonte mais utilizada é a ureia, há perdas por volatilização da amônia (NH3), que pode atingir até 60%. Para o potássio (K), as perdas podem ser por lixiviação, caso a adubação não seja manejada.

A partir da fertirrigação esses problemas são minimizados, uma vez que as adubações são parceladas em mais vezes e adicionam-se os nutrientes nos períodos de maior demanda pela planta, conhecidos por meio da curva/marcha de absorção de nutrientes, que é específico para cada espécie hortícola. Com isso aumenta-se a eficiência de uso dos nutrientes pelas plantas, porque estes estão solúveis, e reduzimos, principalmente, as perdas de N e K.

A adubação excessiva para um solo com fertilidade boa vem gerando limitações para o cultivo de hortaliças - Crédito Epagri
A adubação excessiva para um solo com fertilidade boa vem gerando limitações para o cultivo de hortaliças – Crédito Epagri

Como funcionam os extratores de solução de solo?

É importante ressaltar que as os nutrientes, para serem absorvidos pelas plantas, devem estar dissolvidos na solução do solo. Isso independe do sistema de produção adotado (por exemplo, orgânico ou convencional), ou da forma de adição dos fertilizantes (via solo ou fertirrigação).

No momento da evapotranspiração, as plantas absorverão tanto a água disponível como todos os elementos químicos dissolvidos nela, ou seja, a solução do solo.

A solução do solo pode ser coletada e analisada quimicamente para conhecer a sua composição. Para isso, podem-se utilizar os extratores de solução do solo, que são instrumentos confeccionados utilizando tubos de PVC, ou outro tipo de material plástico leve, de preferência contendo uma cápsula porosa (cerâmica) numa das extremidades.

A outra extremidade é vedada e há uma rolha por onde passa uma mangueira interna, que se estende internamente até o interior da cápsula. A cápsula porosa funciona como um filtro, e por meio da mangueira é possível a retirada de amostras da solução do solo com auxílio de uma seringa.

Os extratores podem apresentar diferentes tamanhos, permitindo a coleta da solução do solo em diferentes profundidades. Como isso, tem-se uma amostra que mais se aproxima do que a planta está absorvendo de nutrientes.

 

 O manejo da fertilidade do solo e nutrição de hortaliças vêm experimentando novos modelos de reposição de nutrientes - Crédito Fernando Torre
O manejo da fertilidade do solo e nutrição de hortaliças vêm experimentando novos modelos de reposição de nutrientes – Crédito Fernando Torre

Auxílio à fertirrigação

Até os dias de hoje, a principal ferramenta de tomada de decisão para manejo adequado da fertilidade do solo é a análise química. A partir dela há como estimar as doses de nutrientes necessárias para atingir o máximo potencial produtivo das hortaliças.

Contudo, devido ao cultivo continuado e em função das doses elevadas de nutrientes, os solos que eram pobres foram tendo a sua fertilidade construída ao longo dos anos, ou seja, áreas pobres quimicamente passaram a apresentar classe de fertilidade boa a muito boa.

Porém, mesmo com teores muito altos de nutrientes disponíveis nos solos, mostrados pela análise química, as tabelas de recomendação de adubação indicam a aplicação de mais fertilizantes, muitas das vezes em doses relativamente altas.

Essa adubação “excessiva“ para um solo com fertilidade boa vem gerando limitações para o cultivo de hortaliças devido à salinização do solo, em especial em áreas de cultivo protegido (casas de vegetação).

Como se sabe, as hortaliças apresentam sensibilidade diferenciada em relação à concentração de sais na solução. Essa salinidade é verificada a partir da avaliação da condutividade elétrica da solução (CE), e essa variável da solução do solo aumenta à medida em que se aumentam as concentrações de sais.

Além da CE, pode-se medir também o pH da solução do solo, o qual deverá estar entre 6,0 ” 6,5. Nessa faixa de pH, os nutrientes estão presentes na solução do solo e são passíveis de absorção pela planta. Para valores de pH muito abaixo ou acima desse intervalo, pode-se induzir algumas reações no solo que inviabilizam o uso de certos nutrientes.

Novidades

Recentemente, com os avanços nos estudos de marcha de produção de matéria seca e absorção de nutrientes, é possível calcular matematicamente a taxa diária de absorção de nutrientes e estimar com maior grau de assertividade a demanda nutricional da cultura ao longo de todo o seu ciclo vegetativo e reprodutivo.

Com isso, o manejo da fertilidade do solo e nutrição de hortaliças vêm experimentando novos modelos de reposição de nutrientes. Nas lavouras hortícolas comerciais, onde a fertilidade já está construída, tem-se buscado alterar o modus operandi de fornecimento de nutrientes.

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2018  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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