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sexta-feira, maio 20, 2022
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Folhas enrugadas – O que fazer?

Pedro Takao Yamamoto

Professor da ESALQ/USP

pedro.yamamoto@usp.br

Créditos Pedro Takao Yamamoto
Créditos Pedro Takao Yamamoto

Folhas enrugadas em pomares de limão podem ser resultantes do ataque de pulgões, larva-minadora ou deficiência mineral. Nos limoeiros e em outras plantas cítricas os pulgões normalmente excretam o excesso de substância açucarada que sugam (seiva), atraindo formigas que acabam esparramando o líquido pela superfície da folha.

Esse resíduo forma um perfeito substrato para o desenvolvimento de um fungo de coloração escura, chamado fumagina. Como controle, os pulgões podem ser eliminados com inseticidas de contato ou sistêmicos, pulverizados na época de infestação.

Aphisspiraecola
Aphisspiraecola

Sintomas dos pulgões

São três as principais espécies de pulgão que ocorrem nos citros. A principal é Aphiscitricidus, conhecido como pulgão-preto, Aphisspiraecola, pulgão-verde, e Aphisgossypii, pulgão-verde-do-algodoeiro.

Todas as espécies atacam brotações, não ocorrendo em ramos com folhas mais coriáceas. O pulgão-preto e o pulgão-verde-do-algodoeiro geralmente não causam encarquilhamento das folhas. Entretanto, o pulgão-verde A. spiraecola causa o encarquilhamento ou enrugamento das folhas, ficando estas enroladas.

E muito comum ver parte dos ramos com folhas normais e outras enroladas, indicando o período de ataque do pulgão. Com um ataque intenso pode ocorrer o desenvolvimento anormal das folhas, que ficam menores.

Aphisspiraecola
Aphisspiraecola

Prejuízos

Em mudas, o ataque intenso de pulgão pode prejudicar o desenvolvimento da planta, ficando os ramos mais curtos e a copa menor. Em plantas em produção, pode reduzir a fotossíntese e, em casos extremos, prejudicar o florescimento, e com isso diminuir a produção.

O pulgão é um inseto sugador que se alimenta da seiva do floema. Apesar de sugar uma grande quantidade de seiva, seu aproveitamento é de, aproximadamente, 5,0% da seiva sugada, e o restante é eliminado.

Nesse líquido açucarado eliminado pelo pulgão pode haver desenvolvimento do fungo Capnodiumcitri, que causa a fumagina, crescimento micelial ou película escura que recobre folhas e frutos. A fumagina atrapalha a transpiração e fotossíntese da planta, diminuindo a produção e a qualidade dos frutos, tornando-os aguados.

Como detectar sua presença no campo

A detecção da presença dessa praga no campo é fácil e pode ser realizada visualmente, observando-se brotações novas. Em períodos sem brotações, não há presença da praga.

Toxopteracitricida
Toxopteracitricida

Medidas de prevenção e cura

Não há medidas preventivas contra o pulgão. Seu controle deve ser realizado quando a praga estiver presente na área, determinada por amostragens periódicas e, principalmente, nos períodos de crescimento vegetativo da planta.

Para evitar a fumagina, o controle do pulgão é a melhor ferramenta. Mas, caso haja ataque do pulgão e formação da fumagina, pode-se aplicar óleo mineral para eliminar a película preta. Ressalta-se que o fungo Capnodiumcitri não se desenvolve no líquido açucarado liberado pelo pulgão, mas por cochonilhas e moscas-brancas.

Para o seu controle pode-se utilizar inseticidas do grupo dos neonicotinoides, organofosforados ou piretroides. Em agricultura orgânica pode-se utilizar azadiractina (óleo de neem), calda de fumo ou sabão.

Pedro Takao Yamamoto, professor da ESALQUSP
Pedro Takao Yamamoto, professor da ESALQUSP

Manejo

O controle dessa praga deve ser realizado somente após a constatação da sua presença, cujo monitoramento pode ser realizado concomitantemente com as demais pragas do pomar.

Geralmente atinge altas populações e com rápida disseminação e colonização dos ramos da planta. Em limoeiro, onde as brotações e florescimento são mais constantes, a praga pode ser mais frequente e ocorrer em maior população.

Recomenda-se a utilização de inseticidas menos nocivos aos inimigos naturais, preservando-os no ambiente, e deve-se respeitar o período de carência, principalmente quando a aplicação for realizada quando se tem frutos próximos à colheita ou em colheita. Normalmente não há necessidade de reaplicação.

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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